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LITERATURA

Glória Albuquerque lança livro com memórias da infância e receitas de família

“Lembranças queridas de uma vida” surgiu após a professora ganhar do neto mais velho um caderno para escrever à mão as recordações 25/02/2018 às 15:01 - Atualizado em 25/02/2018 às 17:00
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No livro, a autora dividiu as histórias em títulos como “Tempo perfeito”, “Voltando para o interior”, “Desejos compartilhados”, “As comidas da minha mãe”, entre outros. Foto: Antônio Lima
Mayrlla Motta Manaus (AM)

Ouvir os ensinamentos e as histórias antigas das avós deve ser uma das melhores experiências para os netos. Na família da professora aposentada Glória Albuquerque não foi diferente. Para tornar aquele momento ímpar uma recordação eterna, o primeiro neto dela, Caíque presenteou a avó em 19 de janeiro de 2017, juntamente com a “neta postiça” Mariana, um caderno de anotações para ela escrever ali as lembranças que tivera da infância e adolescência.  

A iniciativa rendeu a publicação do livro “Lembranças queridas de uma vida”, escrito por Glória Albuquerque, e lançado no último dia 17 de Fevereiro em Manaus. “Eles me deram o caderno para eu escrever a mão as minhas histórias a fim de que eu não as esquecesse. Foi o que eu fiz, e quanto mais eu escrevia, mais vontade de escrever eu sentia, mais lembranças afloravam e um grande prazer me envolvia”, conta ela na apresentação da obra que tem 101 páginas. 

No livro, a autora dividiu as histórias em títulos como “Tempo perfeito”, “Voltando para o interior”, “Desejos compartilhados”, “As comidas da minha mãe”, “Os natais da minha infância”, e  entre outros 54 temas.

Uma seção que traz boas lembranças sensoriais à dona Glória é a da receitas da mãe dela. Ela recorda que antigamente as comidas eram menos industrializadas e o sabor inconfundível (veja o trecho ao lado). Na obra, a autora expõe algumas receitas da mãe e ensina algumas exclusivas como o Quarteto-de-ouro. Uma receita feita  em homenagem aos quatro filhos. 

Algumas das recordações, que não são em ordem cronológica, são baseadas na vivência dela em Eirunepé, município do interior do Amazonas, distante a 1.245 quilômetros de Manaus, cujo ela viveu lá até o 3º ano do primário (atual 3º ano do Ensino fundamental). 

Em uma tarde calorosa, a professora que se formou em serviço social aos 62 anos, recebeu a reportagem para falar sobre “o livro dos sonhos”. “Meus netos gostavam de ouvir as histórias. E eu com essa idade de 70 anos e até menos, gosto que me ouçam. Eles vinham para minha casa e eu fazia um lanche para eles. Com o passar do tempo eles diziam escreve um livro, assim como minha irmã Clara me encorajava, então decidi tentar”, conta. 

Ela conta que começou a escrever em fevereiro do ano passado e desde lá tomou gosto.“Oh, coisa boa foi essa época. Eu me lembrei de coisas antigas que achava ter esquecido. Falei sobre a primeira vez que vi o mar, quando viajei e tantos outros acontecimentos e causos de Eirunepé”, contou.
A foto de capa da obra foi tirada quando ela tinha 19 anos e doada anos depois por um fotógrafo. Agora com a obra em mãos, ela não pretende parar e em breve quer lançar outro livro. 

 Trecho  “As comidas da minha mãe”, página 44

"Sempre aqui e acolá estou lembrando da minha infância, da cozinha da nossa casa, dos cheiros da comida da minha mãe.Eram comidas tão cheirosas , e os temperos tão básicos, alho, cebola e cheiro verde, e tudo do nosso quintal, da horta, dos canteiros da dona Vina. Nunca vi comida frita ou assda com óleo, era só banha de porco. Dos porcos criados no chiqueiro ou mesmo soltos no quintal. Mamãe derretia os toucinhos e separava a banha dos torresmos, farofa de torresmo...! Uma delícia! [...]"

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