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Golpe fundo: livro refaz passos de Álvaro Páscoa

A obra apresenta ao leitor a pesquisa biobliográfica de Luciane de uma maneira mais palatável, com destaque para um amplo acervo de imagens que representam as várias fases do artista, tanto em Manaus quanto em Portugal 29/05/2013 às 11:11
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"Obra de Páscoa tem um aspecto antropologico, sem idealização", diz a autora
Rosiel Mendonça Manaus, AM

Quando conheceu o sogro, Álvaro Páscoa, em meados dos anos 1990, a paulista Luciane Páscoa não fazia ideia de que um dia fosse se debruçar sobre a vida e a obra do artista plástico português, que se mudou para Manaus em 1958, onde se tornou figura de destaque na cena cultural.

Mais de uma década depois, a hoje professora de História da Arte da UEA se prepara para lançar o livro “Álvaro Páscoa, o golpe fundo” (Edua), fruto da sua tese de doutorado na Universidade do Porto. O evento está marcado para este sábado, dia 1º de junho, a partir das 10h, no Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (Igha).

A obra apresenta ao leitor a pesquisa biobliográfica de Luciane de uma maneira mais palatável, com destaque para um amplo acervo de imagens que representam as várias fases do artista, tanto em Manaus quanto em Portugal.

“Durante cerca de seis anos eu coletei informações e contatei pessoas que conviveram com o Álvaro nas cidades portuguesas do Porto, Espinho e Lisboa. Aqui em Manaus, a maior fonte foi o acervo do próprio artista, que inclui obras em escultura, gravura e talha em madeira”, explicou a autora.

Desvendando

Ao reconstituir o ambiente que formou Álvaro Páscoa, Luciane, que conviveu com ele durante apenas dois anos, teve a chance de conhecer melhor o sogro, como pessoa e artista. “Não sabíamos muito da experiência dele em Portugal, ao contrário da sua trajetória em Manaus, onde ele realmente se revelou como artista”, conta a pesquisadora.
 
A autora destaca que Álvaro saiu de Portugal já maduro, aos 38 anos, e mudou radicalmente de vida ao chegar no Amazonas. “Aqui, ele se deparou com uma paisagem e costumes diferentes, mas mergulhou nessa realidade e produziu uma obra interessante, influenciada pelo impressionismo e pelo neorrealismo”, afirma.

Luciane também aponta a influência que Álvaro exerceu na formação de outros artistas locais, especialmente na época em que foi diretor e professor da Pinacoteca do Estado. “Ele incentivou vários jovens artistas, uns mais de perto, como Hahnemann Bacelar, Zeca Nazaré, Thyrso Munhoz, Van Pereira e Jair Jacqmont”.


Golpe fundo

Segundo Luciane, o subtítulo do livro saiu de um depoimento do próprio Álvaro, onde o artista se refere à sua obra como entalhador. “Também entendo isso como um reflexo do seu engajamento ideológico e político, um dos motivos que o fizeram deixar Portugal. Ele sempre foi um homem de esquerda e se envolveu com o Movimento de Unidade Democrática (MUD), oposição ao regime salazarista”, explicou.

Busca

Além de membro do Clube da Madrugada, Páscoa comandou a Fundação Cultural do Amazonas, órgão que hoje equivale à Secretaria de Cultura (SEC).

Trecho

 “Álvaro Páscoa Reis nasceu em Oliveira do Bairro, Portugal, em 1920, e faleceu em Manaus, Brasil, em 1997. (...) A relação de sua família com Manaus começou no início do século XX com a imigração de seu pai José Reis Páscoa para Manaus. Vindo durante os anos áureos do ciclo da borracha, ele estabeleceu negócios nesta cidade, dentre os quais a firma de importação e exportação com um sócio, chamada Páscoa & Monteiro.



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