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Grafite: arte urbana ganha status de decoração interna

Depois de ganhar o mundo pelos muros nas ruas, nas tatuagens, na moda, conquistar críticos e chegar às galerias de arte, o grafite, agora, também aparece como uma opção para decorar os ambientes internos das casas 08/03/2015 às 12:29
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Grafite de Binho Ribeiro no apê do arquiteto David Bastos, no Rio de Janeiro
Mariah Brandt Manaus (AM)

Característico de grandes centros urbanos, o grafite está presente em construções de grande e pequeno porte em cidades do mundo inteiro. Instrumento de protesto e reflexão, por ser uma das expressões da arte contemporânea mais democráticas e acessíveis ao público, não é de se estranhar que tenha tomado múltiplos espaços. Além do ambiente cosmopolita presente em terminais, viadutos e avenidas, atualmente, também pode ser encontrado no aconchego de diversos lares, inclusive na capital amazonense.

FAMÍLIA LACERDA

Ao chegar na residência da família Lacerda, as placas decorativas penduradas na porta alertam que por mais que se pense o contrário, ali mora uma família agradavelmente normal.

Por trás da porta, o corredor que dá acesso à cozinha e à sala surpreende os “desavisados” por conta do grafite de Jorge Liu. Seu característico desenho está presente em diversas ruas do centro da cidade e em camisetas confeccionadas manualmente pelo artista.

Em estilo livre, Liu inseriu o boneco característico de seu trabalho e dentro dele pintou palafitas, construções feitas por ribeirinhos da Região na superfície dos rios da Amazônia. O desenho faz parte da decoração da entrada do apartamento de Luciene Lacerda, que descobriu o grafite como arte por meio do filho, o fotógrafo Homero Lacerda.

OLHAR

A produtora cultural e jornalista Renata Paula criou tanta afinidade com o grafite que decidiu colocá-lo na sala de sua casa. “O melhor do grafite é que ele é gratuito, democrático”.

Renata decidiu inserir essa forma de arte na decoração de sua casa antes mesmo de receber o apartamento. “Eu ainda não estava morando lá quando avisei aos artistas conhecidos que iria morar numa casa nova e que lá iria ter uma parede branquinha pra eles aproveitarem”, contou entre risadas a jornalista.

Três artistas foram responsáveis pelo grafite na sala de Renata, são eles: Silvandro Godo, Franklin Almie e Mike Neo. Dentre os grafites, Renata conta o processo dos olhos verdes feitos por Mike.

“Falei para ele que podia ficar livre para criar o grafite que ele achasse bonito. Durante a conversa, cheguei a mencionar que torço para o Fluminense. Quando eu vi, ele estava fazendo olhos com a cor parecida com a dos meus, que são verdes, e inseriu também um grená e eu adorei o resultado, porque ficou bastante sutil e não aquela coisa de torcida organizada”, relata com humor.

ARQUITETO

A adesão do grafite na decoração agrada Achilles Fernandes. “Eu acho maravilhoso porque deixam de marginalizar uma arte tão legal. É triste ver que o Brasil só fez isso depois que outros países passaram a valorizar. Eu gosto tanto [do grafite] que tenho na minha sala de estar”.

O arquiteto escolheu um grafite da cantora britânica Amy Winehouse para decorar sua parede. “Sou apaixonado pela Amy Winehouse, curto seu estilo e personalidade tanto como compositora como cantora. Ouço o som dela até hoje sempre irei curtir”.

Segundo Achilles, ainda falta espaço para essa expressão artística em Manaus. “Além das residências, acho que os bares, lojas e até mesmo as passagens de nível e viadutos poderiam ter mais grafite para dar mais vida e alegria aos transeuntes que vão passar a ter mais contato com essa arte”.

Saiba mais

As origens“Graffiti” é uma palavra italiana que significa “escritas feitas com carvão” e essa expressão de arte surgiu no império romano, quando os cidadãos registravam manifestações de protesto nos muros. Hoje em dia, há espaço para o grafite muito além dos muros da cidade. Ele está presente nas galerias de arte, na moda, nas tatuagens e também na decoração da casa.

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