Terça-feira, 19 de Novembro de 2019
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Grávidas em escolas de samba viram alvos de críticas na web

Mesmo com autorização médica, aval das escolas de samba e aplausos do público do sambódromo, as grávidas do Carnaval 2015 viraram alvo de polêmica



1.gif Fabiana Vilela da escola de samba paulistana Tom Maior e Andressa Verdino da escola de samba carioca Mangueira foram criticadas
20/02/2015 às 15:23

Ficar em casa assistindo o Carnaval pela televisão definitivamente não foi a escolha de algumas passistas grávidas de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Exemplo disso foi a passista Fabiana Vilela, que foi destaque de chão da escola de samba paulistana Tom Maior, que mesmo estando grávida de sete meses, à espera de Lourenzo, arrancou aplausos do público pelo samba no pé.



No Rio de Janeiro foi a vez da morena Andressa Verdino, da escola de samba Mangueira, de exibir sua barriga de seis meses de gestação, à espera de Bento. Ao “R7”, a passista fez questão de ressaltar sua felicidade em poder participar do desfile.

“Estou muito feliz, porque Bento é meu primeiro filho e a minha escola vem homenageando a mulher brasileira. É um momento muito especial. A barriga pesa, mas não atrapalha”, disse.

Mas, mesmo felizes da vida, com autorização médica, o aval das escolas de samba e os aplausos do público do sambódromo, as grávidas do Carnaval 2015 viraram alvo de críticas nas redes sociais.

“Mulher grávida sambando na Sapucaí e no ônibus não aguenta ficar nem três minutos em pé”, escreveu uma usuária do Twitter, em um post com mais de 180 compartilhamentos. No Facebook, uma foto de Fabiana sorrindo, fantasiada, durante o desfile da Tom Maior, foi postada com o mesmo tipo de crítica, e teve mais de 30 mil compartilhamentos.

“Grávida pulando carnaval? Mas pular carnaval pode? No nosso belo Brasil, grávida não pode ficar em uma fila de banco por 20 minutos, não pode ficar em uma fila esperando consulta por meia hora, não pode ficar em uma fila de correio por minutos, mas pode pular carnaval a noite toda”, indagou outra.

Embora a preocupação dos críticos não pareça voltada à saúde e ao bem estar das gestantes, o médico obstetra e diretor clínico do Hospital e Maternidade Sofia Feldman, João Batista, garante que futuras mamães podem sim cair na folia.

“Não tem nada que impeça a grávida de se divertir. O que ela deve evitar é exercício pesado durante a gravidez, principalmente os que utilizam muito as pernas. Mas a gente não sabe de nenhum caso de problema relacionado a sambar. Isso não é nem descrito pela ciência”, afirmou.

As críticas às grávidas que caem no samba e às que fazem uso dos assentos e filas preferenciais provocaram indignação nas redes sociais.

“Só porque é grávida e tem direitos, não pode sambar e se divertir que vira hipócrita. Só porque a sociedade, em seu moralismo e recalque, condena em vez de pensar que se a mãe é tão saudável, as chances de um parto normal e a saúde do bebê ser boa são muito maiores”, escreveu uma mulher no Facebook.

Outras pessoas também utilizaram as redes sociais para defender o direito de ter preferência nas filas e também de sambar no Carnaval, não só para gestantes, mas também idosos e deficientes.

A obstetriz e coordenadora do Grupo de Apoio à Maternidade Ativa, Ana Cristina Duarte, afirma que a grávida, o deficiente ou o idoso que precisar de assento preferencial deve ter direito a isso. Assim como quem se sente bem o suficiente para se divertir numa festa como o Carnaval também deve poder fazê-lo.

“A ideia é a gente proteger as pessoas que precisam ser protegidas”, disse Ana ao atribuir toda a polêmica nas redes sociais ao machismo: “Faz parte da nossa cultura machista a ideia de que ser mãe é padecer, de que mãe tem que andar de ônibus de pé, carregar os filhos nas costas, tem que sofrer”.


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