Domingo, 13 de Outubro de 2019
Vida

Grupo amazonense faz turnê de dois meses com espetáculo de rua

A partir do dia 6 de fevereiro, a Soufflé de Bodó Company vai percorrer os 52 municípios de Rondônia com a peça "O Dragão de Macaparana"



1.jpg O Dragão...” entrará em temporada em Manaus a partir de abril; elenco executa ao vivo músicas da trilha
02/02/2015 às 13:33

Existe dragão no sertão? O bicho não só existe como já deu as caras na cidadezinha de Macaparana. O causo acima está por trás da trama de “O Dragão de Macaparana”, novo espetáculo da companhia amazonense Soufflé de Bodó, que começa 2015 levando ao público seu primeiro trabalho em teatro de rua. Depois de uma pré-estreia calorosa realizada na Praça da Bandeira Branca, na Aparecida, a peça segue para Rondônia, onde participará de uma circulação pioneira realizada pelo Sesc de lá.

O projeto “Sesc 52 - Itinerância” vai percorrer os 52 municípios de Rondônia levando a arte em suas diversas linguagens. Nesta primeira edição, cada cidade receberá, além de uma apresentação de “O Dragão de Macaparana”, sessões de curtas-metragens locais. 

A turnê começa pelo município de Vilhena (a 699 quilômetros da capital), no dia 6 de fevereiro, e termina em Porto Velho, no início de abril. Para o diretor da companhia, Francis Madson, que é natural de Rondônia, uma itinerância dessas proporções é significativa para qualquer grupo.

“Esse projeto marca uma ação pioneira na história do teatro rondoniense e nortista porque nunca um grupo realizou uma circulação por todos os municípios de um Estado. Embora alguns já estejam acostumados com esse tipo de ação cultural, outros talvez receberão algo do tipo pela primeira vez. O presidente do Sistema Fecomércio/RO, Raniery Coelho, conhece a importância das ações culturais nas cidades e foi feliz ao abraçar a ideia”, comenta. 

PERIPÉCIAS

O dragão do enredo é uma grande peripécia, conta o diretor, que trabalha na obra desde setembro de 2014. A trama do espetáculo aborda a fuga de uma trupe de teatro e sua chegada na cidade de Macaparana, dominada pelo ex-cangaceiro João Babal, pai de 21 filhas, sendo que a única solteira é Tetinha. O dono da trupe, Valdinho, apaixona-se pela moça, que sonha em ir embora da cidade para ser artista. 

Com as cores do sertão e influências do cordel e das folias de reis, “O Dragão de Macaparana” foi um desafio para a Soufflé de Bodó. “Criar essa obra foi tão trabalhosa quanto as anteriores”, confessa Madson, que produziu com o grupo, no ano passado, as peças “Casa de Francisco, quem nasce Antônio é rei” e “Herói”. 

“Teatro de rua exige outros padrões e estruturas para serem usadas pela criatividade. É pensar de que maneira a gente usa a voz, a expressividade do corpo, a dramaturgia e o espaço, que nesse trabalho é pensado para se articular em 360º e ser o mais poroso possível”. 

De olho na importância da plateia e na necessidade de mobilizar o entorno, o diretor esboçou uma cidade cinematográfica em miniatura como cenário, que também dialoga com a maquiagem dos atores.

Por outro lado, ainda que o figurino carregue referências da cultura nordestina, ele se articula de forma mais contemporânea em um diálogo com editoriais de moda. Dentre os materiais usados estão pano de rede, couro sintético, lona de carreteiro, lençol e utensílios domésticos.

Próximos trabalhos

“O Dragão...” é a primeira ação da Soufflé de Bodó Company no ano, mas uma série de outros trabalhos virá na sequência, a começar pela estreia do novo curta de Madson, “No céu da boca cresceu Saturno”, produzido em parceria com a Artrupe. Em julho, o artista viaja por cinco cidades, de Manaus (AM) a Oriximiná (PA), apresentando o espetáculo de dança “Curuminzado”, contemplado com o Prêmio Funarte Artes na Rua 2014.

Também a partir de abril, a peça “Boi de Piranha”, que Madson escreveu e dirigiu para a cia. Boi de Piranha (RO), participa da circulação nacional do Palco Giratório. Até o fim do ano, o espetáculo sobre os Soldados da Borracha vai passar por 50 cidades de todas as regiões do Brasil. A parceria com o grupo rondoniense continua com a produção de uma obra inédita sobre a presença do negro na Amazônia.

Já no segundo semestre, a Soufflé de Bodó mergulha em um novo espetáculo com dramaturgia de Madson. “Alice músculo + 2” vai abordar temas como a lenda do boto, a infância e a violência sexual nas comunidades ribeirinhas.

* Com informações da assessoria


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