Domingo, 19 de Maio de 2019
ARTES CÊNICAS

Grupo de teatro Vitória Régia realiza ciclo de leituras dramáticas contra a censura

Companhia promove encontros para revisitar peças que enfrentaram a repressão da ditadura militar



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A primeira peça será 'O abajur lilás', de Plínio Marcos (Divulgação)
17/01/2019 às 13:46

A peça “O abajur lilás”, do dramaturgo paulista Plínio Marcos (1935-1999), abre o ciclo de leituras dramáticas “Teatro e Resistência”, que a companhia Vitória Régia apresentará a partir de hoje no Sinttel (rua Alexandre Amorim, 392, Aparecida). Os encontros serão realizados sempre às quintas-feiras de janeiro e fevereiro, às 19h, com acesso gratuito. A finalidade da mostra, segundo o diretor Nonato Tavares, é discutir e chamar a atenção para casos recentes de censura e ataques à atividade artística no País.

“A situação política atual e certo saudosismo da ditadura são uma coisa que amedronta um pouco. Essas leituras são uma forma de relembrarmos que uma ditadura aconteceu, apesar de muita gente negar, e o teatro é prova disso porque selecionamos alguns textos que foram censurados durante esse período”, explica Nonato.

“O abajur lilás”, por exemplo, foi escrito em 1969 e passou 11 anos sem poder ser encenado. A peça é uma espécie de alegoria do Brasil da época, mas seu conteúdo continua atual. “De todas as peças que analisaram a situação brasileira pós-1964, ‘O abajur lilás’ se distingue certamente como a mais incisiva, dura e violenta. Plínio Marcos fundiu nela, mais do que em outras obras-primas suas, talento e ira. A estrutura do poder ilegítimo está desmontada, para revelar, com meridiana clareza, seu ríctus sinistro”, escreveu o crítico Sábato Magaldi.

Outros textos a serem apresentados durante o ciclo de leituras dramáticas também vão abordar temas como repressão aos movimentos populares, censura, prisão arbitrária, exílio, tortura e assassinato. Na próxima quinta, dia 24, a Vitória Régia apresentará “Eles não usam black-tie”, de Gianfrancesco Guarnieri, que tem como plano de fundo reflexões sobre a frágil condição humana e sobre os homens e seus conflitos.

Ainda de acordo com Nonato, as leituras reúnem atores e não atores e se caracterizam como encenações mais enxutas. “Costumamos fazer o encontro na segunda para lermos e analisarmos o texto, e na quinta já apresentamos. Também sempre convidamos uma pessoa para mediar uma conversa antes e depois da apresentação. Nessas duas primeiras o convidado será o escritor Zemaria Pinto”.

O abajur lilás

A peça retrata a amarga realidade de personagens marginalizadas. Com uma linguagem naturalista e visceral, a obra apresenta um universo de violência e opressão onde prostitutas são submetidas aos abusos de um inescrupuloso dono de prostíbulo e seu violento serviçal.

Serviço

O quê: Leitura dramática da peça “O abajur lilás”, com a Cia. Vitória Régia
Onde: Sinttel (rua Alexandre Amorim, 392, Aparecida)
Quando: Sempre às quintas de janeiro e fevereiro, a partir das 19h
Classificação indicativa: maiores de 16 anos
Quanto: gratuito


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