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ARTES CÊNICAS

Grupo de teatro volta aos palcos com peça que fala sobre finitude e reinvenção

Coletivo UTC-4 realiza temporada da peça ‘Marília Gabriela não vai mais morrer sozinha’ a partir desta quinta (3) 02/05/2018 às 14:28 - Atualizado em 02/05/2018 às 14:33
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foto: Ingrid Anne/Divulgação
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

A palavra é revolucionária, e o simples ato de “dizer” talvez seja o mais radical dos atos nos dias de hoje. Quem faz o diagnóstico é o diretor carioca Fabiano de Freitas, que estreia nesta quinta-feira (3), em parceria com o coletivo amazonense UTC-4, a peça “Marília Gabriela não vai mais morrer sozinha”. Com reapresentações nos dias 12 e 19 de maio, no Teatro da Instalação, o espetáculo marca o retorno da companhia aos palcos da cidade após um hiato de cinco anos.

No elenco estão os atores Dimas Mendonça, Dyego M., Ana Oliveira e Carol Santa Ana, que atuam como personagens de si mesmos em um universo distópico e se encontram apenas para dizer – e há melhor lugar para isso do que no teatro? Abordando questões como a finitude e a capacidade de se recriar em meio ao caos, a peça também é sobre como o artista se coloca diante do seu tempo, explica Fabiano, que está há seis meses fazendo a ponte-aérea entre o Rio de Janeiro e Manaus.

“A peça foi totalmente concebida nesses meus encontros com os atores. Tínhamos poucas premissas em relação a esse trabalho, mas uma delas é que o grupo tinha desejo de experimentar cenas curtas. Além disso, eles vinham de uma proposta estética que recusava a palavra, enquanto eu sou o contrário, encontro na palavra a minha linguagem”, diz o diretor.

O ator Dyego M. reforça que esse é um novo momento para o grupo, até então conhecido como Cia. Cacos de Teatro, onde nasceram espetáculos premiados como “Mãe in loco” e “Off inferno”. “Nossos últimos trabalhos foram fruto da investigação do corpo como dramaturgia, mas sentíamos a necessidade de chegar na palavra. Com ‘Marília Gabriela’ nós hibridizamos as duas coisas, porque esse é um espetáculo muito físico, até agressivo, mas foca no que temos para dizer e em como dizemos”, completa ele.


Fabiano de Freitas trabalhou ao lado de Leandra Leal em "Rival Rebolado"

Referências

Dentre as referências de “Marília Gabriela não vai mais morrer sozinha” estão textos e dramaturgias de diversos autores, como Marcelino Freire, Milton Hatoum, Copi e Valère Novarina, que ora se manifestam na peça em fragmentos, ora em sua integralidade. Outra inspiração é uma entrevista que a atriz e apresentadora Marília Gabriela concedeu a uma revista, ocasião em que ela falou, dentre outras coisas, sobre o medo de morrer sozinha.

“Na peça, a Marília funciona muito mais como um enigma do que uma história literal em si. Ela se reinventou quando decidiu se tornar atriz, e partimos disso para entender como falar da finitude, de algo que acaba para que alguma outra coisa possa surgir. Também tem a ver com o momento que estamos vivendo socialmente, no Brasil e no mundo”, comenta Fabiano.

À frente da Cia. de Extremos, com sede no Rio de Janeiro, o diretor diz ainda que a peça manauara dialoga com “Balé ralé” e “O grelo falante”, outros trabalhos que ele dirigiu recentemente. “Todos pressupõem um acesso radical à palavra e discutem essa possibilidade de reinvenção a partir dela e do próprio teatro”.

Reinvenção

Dyego M. conta que a Cia. Cacos estava numa fase de “inatividade coletiva” desde 2013, quando alguns membros resolveram sair do grupo e outros partiram para trabalhos individuais, intercâmbios ou residências fora de Manaus. “Ano passado resolvemos fazer esse novo projeto e retomamos um trabalho de voz que fizemos com a Ana Kfouri há cinco anos, quando demos essa pausa”.

A nova fase também pediu outro batismo: Coletivo UTC-4, o nome escolhido, é uma referência à localização de Manaus entre as linhas meridianas, que definem o fuso local. “Mudamos de nome porque acreditamos que aquele momento da Cacos era outro. Agora temos outra visão de teatro e do nosso trabalho, aprofundando a pesquisa que a gente já fazia”, acrescenta Dyego, que aproveita para adiantar os próximos passos do grupo:

“Estamos negociando a estreia de ‘Marília Gabriela’ num festival internacional no Rio de Janeiro. Depois disso, voltamos no segundo semestre para uma nova temporada da peça em Manaus”.

Serviço

o quê: “Marília Gabriela não vai mais morrer sozinha”

quando: Estreia – quinta-feira, dia 3 maio, às 20h; Reapresentações – dias 12 e 19 de maio, às 20h

onde: Teatro da Instalação, Centro

quanto: Entrada gratuita

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