Terça-feira, 29 de Setembro de 2020
Teatro

Grupo Jurubebas de Teatro estreia peça virtual com transmissão ao vivo

Peça que fala sobre diferentes ideais políticos, "E Nós Que Amávamos Tanto A Revolução" será exibida todas as segundas de agosto, sempre às 22h



revolu_ao_D53AC08C-D614-4638-BB98-AB5E2D36EC26.jpg (Da esq. para dir.:) Jorge Ribeiro interpreta Stuart e Miranda; Nícolas Queiroz vive Wlad e Roberto; e Raiana Prestes interpreta Angélica (Foto: Ana Vitória Fotografias)
20/07/2020 às 18:34

Após o falecimento da avó Angélica, os primos Wlad e Stuart visitam uma casa antiga na fazenda e descobrem um passado escondido do avô Roberto. Descobrem também ser de uma família dividida por diferentes ideais de País – e que guarda um grande segredo. A história, que se passa em 1968 e 2018, é a proposta do espetáculo “E Nós Que Amávamos Tanto a Revolução”, produção teatral amazonense do Grupo Jurubebas de Teatro, que estreia no dia 3 de agosto com transmissão ao vivo, às 20h, no canal do Youtube da companhia (Grupo Jurubebas). A obra será encenada em todas as segundas do mês de agosto, sempre no mesmo horário.

“Trouxemos a polaridade política como pano de fundo para esta reflexão. Estamos vendo um Brasil dividido pelos diferentes ideais de nação e muitas famílias divergindo sobre o mesmo tema, fragilizando ainda mais essas relações afetivas. A partir desse princípio, buscamos integrar ao nosso discurso a polarização política histórica, que ocorreu também no período da ditadura militar no Brasil”, coloca Felipe Maya Jatobá, diretor da peça.



Para compor o texto, foi realizada uma pesquisa documental com base em artigos de historiadores e jornais de 1964 a 1968 em Manaus, onde o grupo pôde analisar, com ajuda profissional do historiador Júlio Silva, a forma como os dois lados se apresentavam à população da época. “Trazemos uma história de um conflito tão complexo quanto a política, marcada por uma relação de cumplicidade e medo. A grande pergunta da obra é: de que lado você está?”, explica o diretor.

O espetáculo é a junção de duas dramaturgias: “E Nós que Amávamos Tanto a Revolução”, do paulista Ewerton Frederico, e “Numa Cidade Engolida Pelo Vento” de Caio Muniz e Felipe Maya Jatobá. “Costumamos dizer que a peça se baseia nas coincidências políticas do período que antecedeu o AI-5 e o período atual em que vemos pessoas em atos antidemocráticos e de extrema violência por divergências políticas. Sempre nos perguntamos durante o processo quantas relações foram perdidas a partir de diferentes posicionamentos, assim como quantas vidas foram perdidas por abusos”, comenta Felipe.

Elementos

A cenografia do espetáculo assume uma roupagem realista, onde o grupo adaptará o espaço de encenação a um quarto abandonado e cheio de lembranças. “A forma mórbida da ambientação em tom amadeirado visa mostrar justamente esse lado sombrio de quem teve ideais interrompidos pela violência militar no período da ditadura. Propomos, através desta cenografia, contar uma história revirada, caótica e antiga, mas de um passado que não está tão distante assim”, coloca ele.

A sonoplastia será composta pela Dj Naty Veiga juntando clássicos da música popular brasileira da década de 60 em LoFi, que é um estilo de produção musical que usa técnicas de gravação em “low fidelity”. “A ideia é mesclar a produção musical mais tradicional da MPB com o Lofi Hip-Hop, uma aposta mais atual de sonorização, dando um aspecto vintage à sonoridade deste trabalho”, adianta Jatobá.

A iluminação é um dos elementos fundamentais para o espetáculo. “Serão aplicadas 3 propostas, realizadas pelo iluminador-pesquisador Léo Margarido, que variam entre luz natural, convencional e alternativa, que serão responsáveis pela transição entre uma temporalidade e outra. É a partir da iluminação que o espectador fará sua volta ao passado e vez ou outra voltará ao presente. Encontramos essa alternativa a partir de diversos testes realizados pelo iluminador em sua própria residência no período de isolamento social e que para o palco estará maior e mais completa”, pondera Felipe.

Serviço

o quê: Estreia da peça "E Nós Que Amávamos Tanto a Revolução"

quando: Dia 3 de agosto, às 20h

onde: Canal no Youtube (Grupo Jurubebas)

exibição: Todas as segundas de agosto, sempre às 20h

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