Domingo, 18 de Agosto de 2019
dna da dança

Grupo Raça rertorna à sua linguagem de origem: o Jazz

A vertente jazz volta a ter mais espaço na produção do grupo que nos últimos 15 dos seus 30 anos traçou outros caminhos coreográficos, com uma leitura mais contemporânea



1090634.jpg No grupo profissional, o Raça,  25 bailarinos integram o elenco, sendo 14 do principal. Entre eles estão os amazonenses Gentil Neto e Beatriz Nobre
04/06/2016 às 18:14

Seis anos após o falecimento de sua fundadora e coreógrafa responsável por conduzir a companhia a ganhar mais 50 prêmios de dança, a Raça está com  uma nova meta para 2016: voltar a dar destaque ao  Jazz, linguagem que colocou o grupo com referência no Brasil. 

Sob direção artística de Jhean Allex, a companhia de dança independente se prepara para voltar às competições e está em cartaz com três montagens. Duas delas  são trechos de produções de sua fundadora – “A flor da pele” e “Cartas brasileiras”, e a inédito “Traços e Linhas”, do novo diretor.  “É muito difícil interpretar um trabalho de Roseli Rodrigues: ela tinha uma característica tão própria, tão única. Ela tinha muita sensibilidade. Mas sou um dos bailarinos mais antigos, passei 25 anos ao lado da Roseli, então, se torna menos complicado”, conta.


  
A vertente jazz volta a ter mais espaço na produção do grupo que nos últimos 15 dos seus 30 anos traçou  outros caminhos coreográficos, com uma leitura mais contemporânea e caracterizada como “movimento corpo”, como é possível notar no espetáculo “Novos Ventos”, um marco na carreira. “Nossa raiz é jazzística e sempre esteve presente, nunca foi tirada, mas experimentamos novos rumos. Agora voltaremos a essa característica sem deixar de lado as outras linguagens. Na verdade, vamos dar um ‘upgrade’ com tudo isso”, diz Jhean.

A mudança já traz frutos: oito trabalhos foram selecionados para Festival de Dança de Joinville, considerado o maior concurso de estudantes da América Latina.  Os participantes são alunos dos projetos paralelos da companhia – “Racinha”, para as crianças; “Raça Juvenil”, com adolescentes e o grupo Roseli Rodrigues que já é semiprofissional. “Já estamos preparando os futuros bailarinos com esse processo de formação. E não apenas para o jazz, mas para danças urbanas, clássico e outras vertentes. A proposta é deixá-los preparados para qualquer audição, para serem profissionais”.

No grupo profissional, o Raça,  25 bailarinos integram o elenco, sendo 14 do principal. Entre eles estão os amazonenses Gentil Neto e Beatriz Nobre. “O Gentil entrou por meio de audição e a Bia por indicação. Eles trouxeram uma experiência diferente para grupo, suas vivências com outras linguagens corporais. Ganhamos muito com esse intercâmbio de movimentos, ideias, cultura... cada Estado é diferente, sim. Além disso, Manaus é uma potência de dança, têm grandes talentos”, comenta.

Como em todo País e na maioria dos grupos independentes, o ano está sendo conturbado pela crise e falta de recursos financeiros. “Mesmo com projetos pré-aprovados pelos editais de cultura e Lei Rouanet, está difícil capitalizar. Contudo estamos mantendo o salário dos bailarinos e a infraestrutura que podemos, só nos limita de viajar para outros Estados, outras cidades. Em São Paulo estamos com temporada fechada. Isso está sendo com todos do segmento cultural que não seja de um grupo estatal”, finaliza.

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