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Guilherme Fiuza fala de suas obras na Feira do Livro

Autor de biografias sobre Bussunda e Reynaldo Gianecchini comentou a questão da censura recente ao gênero: "Propor uma autorização prévia para retratar a vida de qualquer pessoa é um retrocesso impensado no Brasil de hoje" 04/11/2013 às 09:06
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Guilherme Fiuza também é autor de "Meu Nome não é Johnny", que recebeu adaptação para o cinema em 2008, com Selton Mello
Rafael Seixas Manaus, AM

Certamente a 1° Feira do Livro de Manaus acertou com precisão ao promover o bate-papo com o jornalista, articulista e escritor Guilherme Fiuza, autor de biografias como “Meu nome não é Johnny”, “Gianni – Vida, arte e luta” e “Bussunda – A vida do Casseta”. No entanto, apesar do acerto, a produção do evento deixou a desejar bastante no quesito organização, inclusive pelo atraso de mais de meia do início da participação do escritor carioca, prevista para iniciar às 14h do último sábado (2).

No bate-papo, Guilherme Fiuza foi questionado sobre diversos assuntos pertinentes como a polêmica em torno das biografias e seus biografados, sobre a motivação para escrever algumas de suas obras, entre outras questões.

Sobre as biografias, com sabedoria e propriedade, o autor opinou: “Acho que chegamos de repente num falso dilema que surgiu de um grupo formado por artistas de primeiro time da Música Popular Brasileira, ídolos de todos nós, meus ídolos. Desse grupo, Chico Buarque e Gilberto Gil eu conheço a obra inteira, aquela coisa de ouvir todos os discos e músicas. De repente você vê uma proposta cerceadora, uma proposta de determinar que eu (escritor) só posso retratar a sua vida - em qualquer que seja o projeto - se você me autorizar a trabalhar nisso. Isso é uma coisa obscurantista, uma coisa retrógada. É uma coisa que não tem nada a ver com o Brasil que vivemos hoje. Estamos ao longo das décadas batalhando por liberdade de expressão. Essa batalha é muito difícil e requer preparo das pessoas, educação”, expôs Fiuza.

“Por que é falso esse dilema? Porque você não pode partir do princípio que eu só vou exercer plenamente a liberdade de expressão se eu invadir um espaço que eu não poderia invadir da sua vida. Isso é um absurdo, uma loucura! O que as pessoas têm que entender é que o direito à privacidade em qualquer sociedade, principalmente nas atuais, cada vez mais perpassadas e devassadas por todas as formas tecnológicas, é complexo. Agora, por exemplo, aquela (mulher) está me filmando. Quero dizer com isso que em qualquer lugar que vamos há uma pessoa nos retratando de uma forma. Se ela quiser, ela pode colocar isso (vídeo) no You Tube. (...) Propor uma autorização prévia para retratar a vida de qualquer pessoa é um retrocesso impensado no Brasil de hoje”, acrescentou.

Momento oportuno
Outra pergunta que entrou em destaque foi se Fiuza aproveitou o momento de doença do ator Reynaldo Gianecchini, que passava por um tratamento de câncer, para vender livros. O escritor é autor da biografia do artista “Giane – Vida, arte e luta”.

“Talvez na cabeça do editor tenha sido, mas eu disse não ao editor que me convidou da primeira vez, porque eu não conhecia o trabalho do ator Reynaldo Gianecchini, apesar dele ser um ídolo brasileiro e conhecido de todos, mas eu não o acompanhava e não tinha nenhum interesse especial. Eu não faria a biografia de um galã que teve câncer. Fui fazer depois que o editor insistiu comigo dizendo que ‘esse é um cara diferente, especial’. Falei que se ele fosse diferente mesmo eu faria. Aí fui fazer uma pesquisa e realmente ele era diferente. Eu tenho vários personagens retratados e ele é o meu personagem mais original, eu posso garantir. A trajetória dele, desde o início no interior, é surpreendente e o que o destino vai fazendo com ele também, por isso que contei essa história”.

Ainda falando da biografia de Gianecchini, Fiuza falou sobre o preconceito presente na publicação. “O Gianecchini é um ídolo que é alvo de grandes especulações. Isso faz parte porque estávamos falando de privacidade. Ele procura ser um cara discreto em suas relações, mas mesmo assim sua vida é devassada. Há histórias que correm inteiras nos meios públicos que são inteiramente falsas e ele tem que aguentar, porque se ele não quisesse isso ficaria em casa”. 

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