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BATE-PAPO

Show de Marcão no Teatro Amazonas revive ‘Acústico MTV - Charlie Brown Jr.’

Músico que fez parte da banda liderada por Chorão fala sobre expectativa de se apresentar no Teatro Amazonas e revela como foi digerir a morte de dois integrantes do grupo 27/02/2018 às 16:49 - Atualizado em 27/02/2018 às 19:42
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Marcão Britto foi um dos fundadores do Charlie Brown Jr, banda criada no litoral paulista em meados dos anos 90 (Foto: Marcela Sanches)
Juan Gabriel Manaus (AM)

O ano era 1992. Em um período em que o grunge impulsionava a rebeldia do rock n’ roll, cinco amigos de Santos, no litoral paulista, decidiram se juntar e acrescentar a essa mistura um toque praiano. O resultado foi um verdadeiro tsunami que ajudou a moldar a nova cara do rock brasileiro naquele momento. Assim nasceu a banda Charlie Brown Jr., que arrastou fãs, prêmios e construiu um legado sólido em seus 21 anos de existência. 

Remanescente de boa parte desse período, o ex-guitarrista Marcão Britto hoje olha com carinho para a trajetória capitaneada pelo ex-vocalista Chorão, falecido em 2013. Como forma de manter esse legado vivo, o músico viaja pelo Brasil resgatando clássicos da banda que ajudou a fundar e terá Manaus como destino neste fim de semana para dois grandes especiais. O primeiro acontece no Teatro Amazonas, onde reeditará o álbum “MTV Acústico – Charlie Brown Jr.” ao lado da banda Bates, nesta sexta-feira (2). No dia seguinte, ele saca a guitarra e repete a parceria, dessa vez no Jack n’ Blues, no Vieralves. 

A passagem pela capital amazonense não é novidade para Marcão, que pisou pela última vez em solo manauara em junho de 2012 acompanhado da banda que o consagrou. Embora vir a Manaus não seja novidade, a estadia este ano vem com um sabor de realização pessoal: pela primeira vez o músico se apresentará no icônico Teatro Amazonas, o que para Marcão é a consolidação de um desejo antigo.

“Tocar no Teatro Amazonas é um sonho para qualquer artista, e eu vou realizar. Estou aguardando ansiosamente pra estar aí com vocês nessa cidade que tão bem me acolheu, onde fiz amigos, e me traz sempre ótimas lembranças”, destaca o guitarrista. 

No espaço cultural, ele resgatará as 20 canções que fizeram parte do único álbum acústico da banda. Embora a sonoridade das guitarras pesadas conflitasse com arranjos transcritos para o violão, o trabalho não causou estranhamento nos fãs. Pelo contrário, tornou-se o CD mais vendido da história do grupo, com 250 mil cópias vendidas, e arrematou um disco de platina, estabelecendo de vez o nome da banda entre os grandes do rock n’ roll nacional. Do processo ao resultado, Marcão guarda tudo na memória com carinho. 

“O Acústico MTV Charlie Brown Jr foi feito numa época áurea da banda. A ideia era deixar tudo com a sonoridade original, sem perder a essência, e foi o que conseguimos. É um acústico porrada, com peso, com pegada, mas também com melodia, mostrando toda nossa versatilidade. Tornou-se talvez o disco mais popular e ouvido da banda. Foi incrível!”, conta o músico.

Adeus, amigos

Já era madrugada quando o telefone de Marcão tocou nas primeiras horas do dia 6 de março de 2013. Do outro lado da linha, uma voz familiar anunciava a tragédia: Chorão, vocalista do Charlie Brown Jr. e amigo pessoal de Marcão, havia sido encontrado morto em seu apartamento com suspeita de overdose. A notícia era intragável. 

“Fiquei sem chão. Demorei a acreditar que aquilo estava acontecendo. Foi tudo muito rápido e assustador, encontrei com todos eles na pior situação possível e vi o Chorão chegar no velório de limusine. É um momento que você fica anestesiado, em choque. Estou tentando digerir isso até hoje. Tudo ficou muito confuso”, diz Marcão ao relembrar o momento.

Semanas se passaram. Encontros com os parceiros de banda davam indícios de que a trajetória continuaria, desta vez repaginada. Com Champignon deixando o contrabaixo e assumindo o vocal, a trupe seguiu assinando como “A Banca”. As críticas ao então novo vocalista acabaram culminando em outro baque. Desta vez, e em um intervalo de seis meses, Champignon não resistiu à pressão e cometeu suicídio em seu apartamento, em 9 de setembro daquele ano.

“Nós éramos muito amigos, foi um impacto absurdo na minha vida pessoal e profissional. Ele era, pra mim, um cara totalmente fora de qualquer suspeita, não consigo acreditar que foi assim até hoje. Fiquei sem conseguir escutar música por um tempo, fiquei bem assustado, mas logo depois percebi que a música ia me salvar e ela sempre foi a nossa conexão. Perder eles dois foram os piores dias e o período mais estranho da minha vida. Algo inimaginável. Tive que lidar com essa situação que não estava nem um pouco preparado”, desabafa.

Pronto para mais um recomeço, o artista hoje segue com outros projetos. Além de viajar tocando clássicos de sua banda de origem, hoje atua como vocalista da Bula, banda formada por ele com o baterista Pinguim (ex-Charlie Brown Jr.) e a baixista Helena Papini (ex-A Banca) e com o Urbana Legion, que apresenta releituras das principais canções da Legião Urbana. Firme em sua empreitada com o rock, Marcão não se desestabiliza com o atual momento do gênero na indústria e dá o palpite: “Em breve teremos uma nova onda de rock tomando de assalto a cena”, crava. 

Serviço

O quê: Bates convida Marcão Britto - Homenagem a Charlie Brown Jr.

Onde: Teatro Amazonas, rua 10 de Julho, Centro

Quando: sexta-feira (2), a partir das 20h

Valor: ingressos a partir de R$10

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