Domingo, 24 de Janeiro de 2021
Quadrinhos

HQ sobre a história de Ajuricaba será lançada em dezembro

Estúdio Black Eye lança Graphic Novel sobre o líder indígena no próximo mês. Jornalista Ademar Vieira assina a criação e o roteiro



a1211-2f_4880C8AA-591D-45D1-A854-CB9C90FD31D4.jpg Obra tem 128 páginas e retratará a vida de Ajuricaba antes de se tornar tuxaua (Foto: Divulgação)
11/11/2020 às 19:46

Símbolo da resistência à opressão colonial, que ficou de fora de muitos livros de história do País, o líder indígena Ajuricaba será a estrela da nova Graphic Novel do estúdio de quadrinhos amazonense “Black Eye”. A saga do guerreiro da tribo dos Manaós, no Amazonas, será lançada no próximo mês com título homônimo.

Serão 128 páginas sobre a história do responsável pela maior campanha de resistência anticolonialista das nações indígenas do Estado no século XVIII, de acordo com o jornalista, roteirista e ilustrador Ademar Vieira, que é nada mais nada menos que o criador e roteirista da obra.



A Graphic Novel aborda a vida de Ajuricaba pouco antes de se tornar tuxaua da maior tribo guerreira do Rio Negro. De acordo Ademar, a princípio, os manaos ou manaós eram aliados dos portugueses, que faziam trocas para conseguir escravos indígenas para o trabalho no engenho de cana de açúcar. Mas, quando Ajuricaba assume o comando da tribo, após o assassinato de seu pai, inicia uma longa campanha de guerra a esse colonialismo português, que mobiliza mais 30 nações indígenas.

“Eu acho que essa é uma história bastante necessária para o público de hoje, principalmente para que os manauaras conheçam melhor a sua própria história. Muita gente já ouviu falar de Ajuricaba, principalmente da sua morte emblemática, que foi bastante romantizada nos anos 40 pelos poetas e escritores locais, mas poucos sabem com mais detalhes o que aconteceu aqui no Rio Negro no século 18”, pontua.

Origem

Foram quase dois anos para produzir a Graphic Novel. O projeto foi viabilizado pelo edital Prêmio Manaus de Conexões Culturais 2018, lançado pela Prefeitura de Manaus. Além do roteiro de Ademar, a história em quadrinhos – cuja capa foi ilustrada por Ana Valente – conta com os desenhos do quadrinista Jucylande Júnior e a arte-final do ilustrador Tieê Santos. “A obra está em fase final de ajustes e deve ir para a gráfica na segunda quinzena de novembro”, ressalta roteirista de “Ajuricaba”.

Segundo ele, antes do desenvolvimento da obra, foi feita toda uma pesquisa histórcia e antropológica com a ajuda do historiador Davi Lima, professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). “Ele me forneceu um vasto material. Entre eles, destaca-se um livro que contém o único registro feito da língua manao. São apenas 140 palavras, que eu traduzi do latim pro português, e algumas delas nós utilizamos na graphic novel para que o público de Manaus tenha contato com o que sobrou da língua do povo que deu origem ao nome da cidade”, destaca.

Na web

Lançado em 2018 pelo estúdio Black Eye, “Sete Cores da Amazônia” agora ganha o Brasil através de venda online pela loja de quadrinhos Ugra Press, de São Paulo. Assim como “Ajuricaba”, a obra fala sobre Manaus e a Amazônia.

A história em quadrinhos é protagonizada pela pequena Sarah, que tem uma rotina de pobreza nas palafitas de Manaus. Um dia, ela recebe a notícia de que a avó que nunca conheceu (Ceucy) está muito doente e se recusa a sair do meio da floresta, onde vive, para se tratar na capital. Sarah e sua mãe viajam para o interior da Amazônia para encontrá-la. Ao ver sua neta pela primeira vez, a índia desaldeada decide passar para ela um pouco da sua cultura.

Criado, roteirizado e colorido por Ademar Vieira e ilustrado por Tieê Santos, “Sete Cores da Amazônia” também se encontra disponível para a compra na Banca do Largo, ao lado do Teatro Amazonas.

Repórter

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.