Terça-feira, 21 de Maio de 2019
Humor

Humorista piauiense faz seu primeiro show na capital no palco do Teatro Manauara

João Cláudio Moreno completa 30 anos de carreira com apresentação em Manaus



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O piauiense João Cláudio Moreno celebra com muita alegria e descontração neste sábado (Divulgação)
29/03/2019 às 20:22

Completar 30 anos em qualquer carreira não é tarefa fácil. Ainda mais quando se trata de humor. O piauiense João Cláudio Moreno chegou à marca e celebra com muita alegria e descontração no próximo sábado (30), no palco do Teatro Manauara (Piso Buriti do Manauara Shopping) a partir das 21h. Os ingressos já estão à venda nas Óticas Diniz do Manauara Shopping e pelo site (www.shopingressos.com).

Em conversa com o BEM VIVER, o humorista falou sobre sua trajetória, além dos desafios de fazer humor na atualidade. Confira trechos da entrevista com o humorista nordestino:

Qual a sensação de completar 30 anos de carreira?

Com uma incrível perplexidade, parece que foi ontem, a vida passa muito rápido. Me pergunto, onde estava nesses trinta anos, o que fiz? Temos uma sensação estática, parada e o tempo passando, devastando. A outra coisa é uma agradável sensação de conquista, da maturidade, tranquilidade, equilíbrio que não havia. Chico Anysio dizia que um humorista só ficava pronto aos 15 anos. Então se eu completei 30, me sinto pronto duplamente.

Quais os principais aprendizados que você traz desse período?

Quem entende de teatro é o público, o povo. O público do Rio Grande do Sul é diferente de Honduras, na Guatemala, de Manaus. Mas importante que as experiências de palco, são as experiências de vida, as conversas, os contatos, as viagens. Temos cinco sentidos, e esses são apurados no tecido humano quando confrontamos as culturas. Talvez seja impossível descrever a gama do aprendizado, mas olhando para trás, vejo muito mais méritos dos outros que em mim mesmo.

Na bio do seu Instagram está a frase ''Humorista piauiense fora da mídia, mas não fora da moda''. O que você quis dizer com essa frase?

Literalmente o que a frase diz. Estive na mídia por pouco tempo. Entrei na TV Globo em 1996 e saí em 2002, são seis anos. Mas soube aproveitar. Apareci em quadros do programa Chico Total e logo depois na Escolinha do Professor Raimundo. Após isso, Chico quebrou a mandíbula, gravei muita coisa que não foi ao ar, mas foi decisão da emissora. A maior parte, fiquei na geladeira. Ou seja, o público não consolidou uma imagem nítida associando meu trabalho ao meu nome. Em trinta anos, sou pouco conhecido. A mídia quer que você faça o que ela quer, e eu faço o que interessa a mim. A mídia não me procura. Mas um artista verdadeiro depende da consciência do que tá fazendo diante de Deus e do seu semelhante.

Para esse ano, quais seus projetos?

Posso dizer com a maior segurança que não faço projetos. A desordem pra mim é um método da natureza, de maneira que eu administro as surpresas. Tem uma frase do Papa que diz 'Deixe Deus nos surpreender'. Minha meta é rodar o Brasil comemorando meus trinta anos de carreira. Mas nada melhor que administrar surpresas.

Como você avalia o cenário humorístico do País hoje em dia? Você se censura de alguma forma? Quais seus limites?

Antigamente eu achava que eu estava acima do bem e do mal, munido de boas intenções e que o público deveria entender. Hoje tem que ter mais cuidado, embora ache a peste do politicamente errado, pois os políticos é que deveriam ser. Temos que sentir a dor do outro, do negro, mulher, judeu, do que se acha ridicularizado quando a piada, muito longe de fazer rir, só ofende. Meu limite é da compaixão ao ser humano, aquilo que fizer rir é humor, mas o que ofender, não é humor.

O que espera do show do próximo sábado (30) em Manaus?

Manaus para mim é uma cidade emblemática, pois representa um Brasil desconhecido, enigmático, distante, esquecido, poderoso e injustiçado. Manaus é símbolo de uma cultura do Norte, completamente original, diferente de tudo que há por aí. Quanta literatura, cultura popular, quantas toadas de boi, miscigenação cabocla, culinária, calor dos trópicos estão contidos na cultura amazônica, principalmente pela fase áurea, onde a cidade foi uma das mais importantes do mundo. Quero levar rastros da minha cultura e enriquecê-la com aspectos da cultura do Amazonas.

 

 


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