Domingo, 08 de Dezembro de 2019
LITERATURA

Ilustrador e youtuber Victor Martins lança novo romance, 'Um milhão de finais felizes'

Todas as obras de Victor até agora tratam da aceitação própria seja com o corpo ou com a sexulidade; confira entrevista



38096799_1915721271859097_8865144444081405952_n-760x450_c_A67F3CF3-80D5-4ECE-B080-A34190ED9287.jpg Autor considera esse o seu livro mais importante e com muita relação com sua história. (Foto: Divulgação)
08/09/2018 às 17:52

Victor Martins é um jovem youtuber, ilustrador e agora escritor, que está quebrando muitas barreiras e paradigmas brasileiros através de seu trabalho. Com duas publicações em menos de um ano através do selo Globo Alt, o autor de “Quinze Dias” agora lança sua mais nova aposta: “Um Milhão de Finais Felizes” e, ambos os livros abordando temas como gordofobia e de aceitação LGBT respectivamente, voltado para o público jovem adulto.

“Um Milhão de Finais Felizes é a história mais importante que eu já escrevi. É um livro importante para mim por conta de tudo que eu precisei enfrentar dentro da minha cabeça para que ele existisse. Quinze dias, meu primeiro livro, fala muito sobre amor próprio e aceitação através da voz do Felipe, um adolescente que vive em um mundo quase particular e, por ter nascido em lar onde nunca faltou amor e compreensão, ele vê a vida de um jeito muito puro e inocente. Em UMDFF eu tenho um protagonista um pouco mais velho, com experiências de vida bem mais duras e uma série de decisões importantes para tomar”, comenta Vitor.



Ambas histórias contam um pouco com a realidade do próprio autor, e não somente dele, mas de muitos jovens que também o acompanham e conseguem se identificar com a forma de abordagem leve porém objetiva de Vitor. Não é a toa o sucesso dos dois livros, e principalmente, o a imersão nos sentimentos e pensamentos do personagem principal de UMDFF que Vitor proporciona aos seus leitores.

A Realidade

“Escrever sobre um jovem adulto que tem problemas causados por conta da religiosidade e do conservadorismo da sua família demandou uma série de confrontos pessoais que eu tive dentro da minha cabeça porque isso tudo acaba se aproximando bastante da minha realidade pessoal. Cada cena foi uma batalha específica que eu tive que travar comigo mesmo, então ver o livro pronto e chegando na mão de leitores que podem se identificar com a história de Jonas e tirar dela uma mensagem de amor e esperança, significa tudo para mim” disse.

Em “Um Milhão de Finais Felizes”, o protagonista carrega uma culpa muito grande por saber que sua sexualidade é um motivo de decepção para seus pais. “Muita gente que têm se identificado com as relações familiares do Jonas não vive essa realidade mas tem uma convivência ruim com o pai ou mãe por qualquer outro motivo. Seja porque escolheu uma profissão que os pais não apoiam, ou decidiu se mudar de cidade, ou simplesmente pensa de forma diferente. O grande trunfo da literatura é justamente pegar esses pontos de identificação e colocar o leitor no lugar daquele personagem, para que ele possa entender as dores e as alegrias daquela pessoa imaginária”.

Saiba +

Primeiro LivroEm “Quinze dias” encontra-se a história de um adolescente gay e gordo que tem muitas dificuldades para lidar com o próprio corpo e Vitor relata receber muitas respostas positivas de pessoas que se identificaram com o Felipe (personagem principal) e não são adolescentes, nem gays, nem gordos, muito disso talvez por o livro possuir algumas referências a histórias comoo clássico A Bela e a Fera. “A insegurança diante do olhar do outro para o nosso corpo é uma coisa universal” reflete o autor.

Três Perguntas - Victor Martins, Ilustrador e youtuber

O que esse livro significa para você e o que ele tem diferente do primeiro?
"Acho que as duas histórias no fim das contas falam sobre família e amor, mas a diferença de idade e de realidade dos meus dois protagonistas fazem com que meu último livro tenha uma abordagem mais madura, com conflitos mais próximos da vida adulta e consequências mais realistas".

Estar na internet como youtuber ajudou ou influenciou na sua carreira como escritor?
"Em 2015 eu comecei um canal no Youtube para falar sobre livros. Hoje em dia ele não anda tão atualizado como deveria porque eventualmente a escrita acabou se tornando minha prioridade mas é impossível negar que ele me ajudou muito a formar um público leitor".

O que você acredita ser o diferencial em seu trabalho?
"Essa é uma pergunta muito difícil de responder porque as minhas histórias sempre partem de personagens muito comuns vivendo situações muito cotidianas e reagindo a elas. Mas acho que, além de toda a questão de colocar personagens LGBTQ+ com camadas que vão além da sexualidade, eu tento sempre contar as histórias com muito bom humor. Acho que inserir situações cômicas e pensamentos engraçados são uma maneira muito bom de aproximar o leitor e fazer com que ele goste dos personagens porque a gente tem a tendência de se sentir mais conectado com pessoas que nos fazem sorrir".


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