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Indicado ao Oscar, documentário sobre Sebastião Salgado ‘O Sal da Terra’ pode chegar a Manaus

Cineasta Juliano Salgado, filho de Sebastião, assina a co-direção do documentário que retrata a vida de um dos fotógrafos brasileiros mais populares internacionalmente 19/03/2015 às 11:15
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Sebastião Salgado com o filho Juliano (esq.) e o cineasta Win Wenders
Mariana Lima São Paulo (SP)

A história de um dos fotógrafos brasileiros mais populares internacionalmente é contada no cinema por meio de dezenas de fotografias em preto e branco. O “Sal da Terra”, documentário biográfico sobre a vida e obra de Sebastião Salgado, nasceu como fruto da aproximação entre pai e filho, e foi a única esperança do Brasil receber a estatueta do Oscar este ano.

Juliano Salgado, filho de Sebastião, assina a co-direção do documentário. Nascido em Paris, mas com nacionalidade brasileira, faz questão de estufar ao peito ao se apresentar durante a pré-estreia do filme no Brasil: “nasci na Europa, tenho costumes franceses, mas meu coração é 100% brasileiro”.

Segundo o cineasta, a ideia de fazer um filme contando a história de Sebastião Salgado surgiu da necessidade de conhecer o pai. “Desde que nasci meu pai sempre passou muito tempo fora, viajando para fazer seus projetos. Cresci longe dele, mas ao chegar em casa e ver as fotos dele o considerava uma espécie de super-herói. No entanto não tínhamos muita intimidades e nossas conversas ficavam apenas em assuntos como futebol. Demorou muito tempo para o Sebastião me convidar para acompanhar uma de suas aventuras, mas quando fui decidimos que mais pessoas deveriam conhecer aquilo também”, disse Juliano.

A pré-estreia de “O Sal na Terra” aconteceu na manhã de ontem em São Paulo. Aproximadamente 80 cópias serão distribuídas para os cinemas de todo o País durante as próximas semanas e a estreia está marcada para o dia 26. Segundo a distribuidora Imovision, responsável por difundir o filme pelo País, Manaus está entre as cidades que deverá ser contemplada com uma das cópias.

O Sal da Terra

O filme é dirigido pelo renomado cineasta alemão Wim Wenders, autodeclarado fã do trabalho de Sebastião Salgado. Durante quase duas horas o público vê o próprio Sebastião relatando histórias vividas e eternizadas em dezenas de suas fotografias. O recurso de sonoplastia é amplamente utilizado, dando a impressão, em certos momentos, que as imagens ganham movimentos.

O jogo de câmeras e a decisão de gravar 90% das cenas do filme em preto e branco garante um peso a mais na dramaticidade das histórias narradas. A cada relato feito pelo próprio fotógrafo, o público passa a construir uma imagem de homem emotivo, preocupado com as questões sociais e climáticas, acima de qualquer ganho material, ao mesmo tempo em que aparecem todas as capas de livros lançados por ele.

A gravação de depoimentos de personagens especiais, como o de Sebastião Salgado, o pai do fotógrafo, quebra um pouco o clima de idealização. Confissões sobre a falta de interesse de “Tião” em estudar e a preocupação que dava aos pais por “sumir” sem avisar durante a adolescência, torna-o novamente humano, porém não menos especial.

Técnicas

O documentário conta ainda com imagens feitas por Juliano durante as viagens do pai. Nesses momentos, o público pode ter contato com as técnicas utilizadas pelo fotógrafo na busca pelo melhor ângulo e os relatos de medo em situações de perigo, além da falta de conforto em algumas viagens. “A nossa intenção não era fazer um filme sobre um fotógrafo, mas sobre uma testemunha de dezenas de acontecimentos que marcaram a humanidade nos últimos 40 anos. As fotografias do meu pai podem ser vistas por todo mundo, mas as experiências, as histórias por trás delas são únicas e só ele poderia contar isso ao público”, justifica Juliano.

O filme traz ao debate discussões sobre a violência, fome e a preservação de povos primitivos na Amazônia e a sustentabilidade. “Meus pais transformaram a fazenda desmatada do meu avô no Instituto Terra. E queremos que isso sirva de exemplo para quem ver este filme. Mais iniciativas como essas são urgentes para manter a qualidade do ar e da água no nosso País”, diz Juliano Salgado.

Críticas

Nos últimos anos, o trabalho de Sebastião Salgado tem recebido duras críticas por especialistas mundo afora. Segundo os críticos, Salgado “embeleza” o sofrimento transformando a dor das pessoas em dinheiro para o bem próprio. Ontem, Juliano rebateu as críticas alegando o trabalho antropológico feito pelo pai. “O Sebastião não chega em um lugar de manhã, tira foto e vai embora. Ele passa meses e às vezes anos no mesmo lugar. Torna-se amigo das pessoas, cria laços, não possui a pretensão de explorar”.

Três perguntas para Jean T.Bernardini Pres. da Dist. Imovision no Brasil

1. Quais as chances de o “Sal da Terra” ser exibido em Manaus?

Todas. Estamos trabalhando diretamente e insistentemente com os donos de cinemas na cidade para que este filme e outros sejam exibidos lá ainda nesse primeiro semestre.

2. Como Manaus é visto pela distribuidora?

Não faz muito tempo, mas Manaus tornou-se uma prioridade para nós. Sabemos da existência de um grupo relativamente grande de cinéfilos na cidade com desejo de filmes de arte e estamos batalhando para atendê-los. Mas é difícil conseguirmos isso sozinhos.

3. Por que há dificuldade de chegar um filme de arte na cidade?

É uma questão cultural. As redes de cinemas na cidade passam mais filmes comerciais mesmo. Mas tenho a certeza que, se este grupo de cinéfilos permanecer pressionando, mexerá na programação local. O interesse nosso já foi despertado e estamos realmente em luta para levar os nossos filmes para Manaus, mas este é um processo gradual, às vezes lento e que precisa do apoio de todos para demonstrar que há sim público para este tipo de filme na cidade.

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