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Iniciativa que promove excursões urbanas pelo mundo tem primeira edição no Norte

Tal como as demais edições, a Caminhada Silenciosa em Manaus vai promover um passeio de oito horas pela cidade e seus arredores, com um grupo de até 20 pessoas 11/08/2015 às 11:10
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Participantes visitam espaços urbanos de 8 horas feitos em silêncio
jony clay borges Manaus

Um passeio com oito horas de duração, no qual abrir a boca só é permitido se for para expressar deslumbramento. Assim é a Caminhada Silenciosa – Silent Walk, que há três anos vem promovendo excursões urbanas de caráter contemplativo em cidades do Brasil e do resto do mundo. A iniciativa, que surgiu no Rio de Janeiro e já foi realizada em lugares como São Paulo, Niterói (RJ), Valparaíso (Chile), Helsinque (Finlândia) e Riga (Letônia), terá sua primeira edição em Manaus no próximo dia 21, sexta-feira.

Tal como as demais edições, a Caminhada Silenciosa em Manaus vai promover um passeio de oito horas pela cidade e seus arredores, com um grupo de até 20 pessoas. A participação é gratuita, mediante inscrição gratuita no Facebook até o dia 19. Como o nome indica, o que distingue a iniciativa de outras excursões é que os participantes devem cumprir voto de silêncio.

“A ideia é não usar palavras e só se comunicar para coisas muito fundamentais. E dessa forma vamos visitando lugares pela cidade”, resume a artista plástica paulista Vivian Caccuri, idealizadora e organizadora da ação. A proposta da excursão silenciosa, ela conta, surgiu dentro de seu trabalho na residência artística Capacete. “Foi no Centro do Rio, e foi muito bom, incrível mesmo. E vi que valeria a pena fazer outra”, recorda.

Roteiros sensoriais

Nas Caminhadas, os participantes passam por lugares que oferecem experiências acústicas diferenciadas, como terraços, bairros isolados ou espaços religiosos. Em cada local, as pessoas ficam livres para apreciar o ambiente e as sensações ao redor à própria maneira. “As pessoas entram num estado de contemplação, de ter insights, de serem capazes de programar a mente para trabalhar em outras frequências”, comenta Vivian.

Esse estado de contemplação muda, segundo a artista, permite às pessoas perceber o tempo de outra forma. “Quando usamos palavras podemos pensar no passado e no futuro, podemos ser mais analíticos e visuais. Mas, sem a palavra, temos uma visão do tempo mais aguçada, podemos vivenciar o tempo presente. A proposta é reincorporar essa percepção da passagem do tempo, hoje cada vez mais fragmentada com a tecnologia dos gadgets e com o hábito de papear”.

Tal percepção, todavia, não surge de cara, mas se desenvolve aos poucos ao longo da excursão. “As pessoas entram gradualmente num estado de observação do tempo. Lá pela terceira ou quarta hora é quando você está ‘assistindo ao tempo’”, explica Vivian, que definiu oito horas como duração da caminhada, também como referência à jornada padrão de trabalho. “É como uma jornada de trabalho invertida”.

Na natureza selvagem

A Caminhada Silenciosa já teve outras 20 edições, e a de Manaus será a primeira delas na região Norte. O roteiro na capital amazonense ainda não está fechado, mas deverá incluir uma incursão pela floresta e um passeio de barco pelo rio Negro, com estímulo à interação com a natureza. “Ainda estamos levantando lugares, mas vamos ter momentos de nado no rio, piqueniques na floresta, e talvez envolver índios de alguma forma”, antecipa Vivian, citando a Ponta Negra e o Tarumã como lugares em estudo para o itinerário.

De volta à cidade, a excursão em Manaus deverá se encerrar com um jantar, a exemplo das demais edições da Caminhada Silenciosa. A ocasião também marca o fim do voto de silêncio dos participantes, que afinal podem conhecer uns aos outros e falar a experiência do dia. “As pessoas até se assustam com as vozes umas das outras”, relata Vivian.

Mais além, a Caminhada Silenciosa permite às pessoas ampliar seus horizontes, dentro e fora da cabeça. “É uma oportunidade de ter insights, de ver os próprios pensamentos de outra forma. É um espaço de criatividade, como uma grande oficina mental”, define Vivian, justificando por que artistas são sempre os principais interessados em participar da iniciativa. Mas ela faz questão de não restringir o público: “É para qualquer pessoa que esteja interessada em escutar”.

Iniciativa

A Caminhada Silenciosa – Silent Walk é uma excursão de oito horas para grupos de até 20 pessoas, orientadas a manter silêncio em todo o itinerário. Após o passeio, é realizado um jantar especial em que os participantes trocam impressões. Realizada pela primeira vez no Rio de Janeiro, em 2012, a iniciativa já passou por cidades do Brasil e de outros países.

Espaços raros

Com o apoio de instituições culturais, o projeto já conseguiu visitar locais como o claustro do Mosteiro de São Bento, em São Paulo; o heliponto do prédio do BNDES, no Rio; e a sala de concerto Finlandia, em Helsinque.

Inscrições

As inscrições para a Caminhada Silenciosa – Silent Walk em Manaus podem ser feitas na comunidade do evento no Facebook (facebook.com/caminosilencio), até o dia 19, quarta-feira. A participação é gratuita, com colaboração opcional ao final da experiência. As vagas são limitadas e preenchidas pela ordem de chegada.

Experiência individual e coletiva

A Caminhada Silenciosa traz experiências diferentes em cada lugar, mas todas elas se assemelham quando se trata do fator humano, na visão de Vivian Caccuri. “Depois de uma hora, a gente começa a se entender: as pessoas começam a cuidar umas das outras, a se perceber como grupo. Isso aconteceu em todas as cidades, é algo que considero humano”, avalia.

A iniciativa, embora silenciosa, também costuma chamar a atenção de quem está de fora. “Quando estamos num lugar com muito movimento, as pessoas olham curiosas. Muita gente acha que são estrangeiros. Às vezes elas nem sabem dizer o que atraiu a atenção delas”.

Vivian, que mora no Rio de Janeiro, tem a ajuda de parceiros locais para organizar a ação em outras cidades. “Num lugar urbano como Valparaíso, consigo abrir o Google Street View e fazer minha rota, com alguém de lá me ajudando. Mas no meio da floresta não existe esse recurso, por isso Manaus vai ser uma outra experiência”, comenta ela.

No caso de Manaus, a artista sugeriu aos colaboradores algumas experiências a incluir no roteiro. “Queria que tivesse o contraste entre a cidade e a floresta, e situações de grande estímulo sensorial, como nadar no rio ou deitar na floresta”, conta ela, que se revela ansiosa pela primeira visita à capital amazonense: “As caminhadas que mais curti até hoje foram aquelas fora do País ou fora da minha cidade”.

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