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'Instafood': mania de publicar fotos de comida em rede social pode tirar o apetite?

Estudo diz que hábito frequente no Instagram reduz o prazer na hora de comer as “delícias” compartilhadas 17/11/2013 às 11:30
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#Instafood
ROSIEL MENDONÇA ---

Há 17 meses, quando resolveu aderir ao Instagram, a chef amazonense Martina Caminha (@martinacaminha) inaugurou sua conta com a foto de uma barquete de vatapá. Uma de suas seguidoras fez o comentário inevitável: “deu água na boca!”. A partir daí, compartilhar fotos de ingredientes e pratos finalizados através do aplicativo tornou-se um hábito na rotina da mestre cuca.

Mania que, diga-se de passagem, se espalhou por toda a rede social. Hoje, são mais de 60 milhões de publicações marcadas com a hashtag #food e mais de 17 milhões com a etiqueta #instafood, uma das suas tantas variantes. Para os que querem incrementar os registros com molduras e outras informações, é possível até encontrar aplicativos específicos para esse tipo de imagem.

“Posto essas fotos principalmente para divulgar o meu trabalho, mas o hábito acabou se estendendo para outros pratos que experimento e gosto”, conta a chef Martina. Segundo ela, muita inspiração também surge daí. “Quando viajo, costumo ir a restaurantes para conhecer os temperos dos chefs, o tipo de apresentação dos pratos, e tudo isso eu registro no celular. A mesma coisa acontece com os chefs que eu sigo no Instagram: dá para identificar alguns ingredientes só pela foto”.

PESQUISA

Para quem vê as fotos de comida pipocando na timeline, a mania dos “foodies”, no entanto, pode acabar tirando o prazer na hora de experimentar os pratos em questão. Esse “tédio sensorial” foi constatado por uma pesquisa realizada na Brigham Young University, de Utah, nos Estados Unidos. Segundo os autores, quando a pessoa vê demais a foto de um alimento, o cérebro entende como se ele já tivesse sido provado.

Segundo o maestro Marcelo de Jesus (@dejesusmarcelo), com ele acontece justamente o contrário. “Gosto muito de gastronomia contemporânea, então a foto de um prato novo ou feito de uma forma diferente desperta a minha curiosidade e só me faz querer conhecer o lugar”, explica.

Com cliques de pratos feitos em São Paulo, Belo Horizonte, Buenos Aires, Veneza e Milão, ele também usa o Instagram como uma maneira de compartilhar e receber dicas gastronômicas. “Peguei esse hábito do meu amigo Marcelo Favaro, chef da rede Barbacoa. Estamos sempre trocando fotos dos pratos que a gente descobre”, conta De Jesus.

Para Martina Caminha vale a máxima de que primeiro comemos com os olhos, depois com o olfato e por último com o paladar. “Ver uma foto só me instiga a conferir no que o prato pode me surpreender”.

APRECIANDO À DISTÂNCIA

Parintinense radicada em São Paulo, Socorro Iannuzzi (@socorroiannuzzi) não resiste ao ver as receitas amazônicas no Instagram: bate a saudade de casa. “Primeiro sinto uma volta às minhas raízes, depois vem a vontade de comer. Apesar de também matar a minha vontade aqui, comer aí é muito mais gostoso”, confessa ela.

Blog: Jaqueline Cembrani – especialista em transtornos alimentares

“Quando são visualizadas, as imagens dos alimentos têm dois poderes: de saturar ou estimular o apetite. Tanto é que a maioria das marcas do segmento lança seus produtos tirando proveito dessa tendência. A pessoa compulsiva compra só pela foto da comida, ou seja, estimula-se a venda do produto através da imagem. Hoje em dia, é preciso levar em conta o estado emocional das pessoas quando elas procuram as redes sociais, porque cada momento vai despertar um tipo de interação. Se ela estiver equilibrada, de bem consigo mesma, ela vai olhar a foto de um prato e não sentir nada, a não ser a curiosidade. A alimentação sempre vai estar ligada ao lado emocional: anorexia e compulsão alimentar são reflexos disso”.

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