Domingo, 26 de Maio de 2019
Vida

'Investigador poeta' já lançou quatro obras e prepara novo livro

O policial civil Tarcivaldo Queiroz,  mais conhecidos como Taquer,  começou a escrever poesias para relaxar da tensão e esquecer a rotina policial



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Trabalho árduo na Delegacia de Homicídios também inspira as poesias de Taquer
11/01/2016 às 19:41

“Ser policial é viver um estágio desenvolvendo seus princípios morais e educativos, em numa técnica de formação. Ser policial é um ideal; para mim, uma realização. Policial não é ser grosseiro, violento, ou carrancudo; policial é humano acima de tudo. O policial ama, corre e é brincalhão. Arrisca perder sua vida enfrentando qualquer situação...”. Este é apenas um trecho do poema “Sonho Realizado” que descreve, um pouco, de como é ser um policial no calor da profissão e fora do círculo de expediente.

O poema foi escrito por um policial civil: Tarcivaldo Queiroz, conhecido mais como “Taquer” ou o “Poeta” entre os colegas. Ele faz parte do quadro de investigadores da Polícia Civil do Amazonas e, atualmente, está lotado na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).

Taquer divide o tempo entre locais de crime que, para muitos é são vistos apenas em filmes policiais, e a literatura – paixão que descobriu quando ainda era menino estudante.

Nascido em um povoado chamado Santo Eduardo, em Tefé, interior do Amazonas, Taquer já lançou quatro obras literárias e está finalizando o quinto livro de sua carreira. Este último, chamado “Um olhar técnico em local de crime”, que ainda está em processo de finalização, será seu legado. O livro falará de como é um trabalho na cena de um crime, seja ele um homicídio, latrocínio (roubo seguido de morte), entre outros. “O livro está quase pronto. Irá abordar como proceder na cena de um crime. Como é a perícia técnica naquele local. Muitos não sabem e por isso resolvi escrever um livro que retrata bem a minha profissão”, explicou.

Taquer contou que escrever livros é uma forma de relaxar e esquecer um pouco da profissão que ama. Juntar o útil ao agradável foi a forma que o investigador encontrou para manter a mente leve e saudável. Para ele não há local certo para escrever. Não existe um canto em que se inspira quando há algo para escrever. “Todo canto que estou pode sair alguma palavra ou frase que gosto e ali mesmo eu já escrevo e guardo. Sempre ando com papel e caneta no bolso justamente para quando vim uma frase na cabeça de que gosto, eu já tenho como anotar”, disse.

Inspiração em tudo

Foi assim uma vez quando conversava com um preso na delegacia de Presidente Figueiredo, interior do Estado. Depois do bate papo amistoso saiu o poema “A Lição do Preso”.

Escrever livros de autoajuda para pessoas de todas as faixas etárias começou quando Taquer ficou curioso na dinâmica de como lançar livro no mercado. “Fiquei curioso, queria saber como era, se era muito caro, como tinha que ser então peguei experiência com pessoas que já tinham lançado e eles me deram a dica”, contou. O investigador da PC teve seu primeiro exemplar publicado oficialmente em 1996. O livro “Consciência de Vida” foi sucesso e, desde seu primeiro lançamento, em seguida lançou mais três. O segundo é uma modificação do primeiro livro, seguido de “Amazônia Biorreflexões” e “Manaus Emoções”. Todos feitos com recursos do próprio bolso.

Equilíbrio

Dividir o tempo entre investigação e escrita não é para qualquer um, ainda mais para quem é lotado na DEHS. “A DEHS não é para qualquer um. Essa especializada me trouxe muito conhecimento. Lá nós temos contatos com as vítimas até que se chegue ao autor do crime. A cena do crime é muito importante. A vítima, a família, tudo é uma investigação profunda”, disse. Em 2015, a PC retirou mais de 200 homicidas das ruas. Há 26 anos na Polícia Civil, o ex-funcionário do Banco do Estado do Amazonas (BEA), onde trabalhou 15 anos, já percorreu vários Distrito Policiais pelo Estado. Entre eles foi parte das equipes do 11 DIP, 12 DIP, 18 DIP, 10 DIP, 37 DIP e delegacias especializadas em Acidentes de Trânsito (Deat), Roubos, Furtos e Defraudacões (Derfd), a antiga de Prevenção e Repreensão a Entorpecentes (Depre), hoje como Departamento de Investigação Sobre Narcóticos (Denarc).

Taquer é bacharel em Direito e pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal e ainda é membro fundador do Grupo de Prevenção às Drogas do Amazonas. O investigador estuda atualmente para ser delegado de Polícia. 

Trabalho árduo na DEHS

Para Taquer a DEHS é uma delegacia diferente e uma das mais atuantes do Estado. Em meio a uma série de homicídios que vêm ocorrendo em Manaus e interior do Amazonas, dividir o pouco tempo com a literatura e escrita é bem complicado. Plantões de 24h na DEHS são um fardo para policial também especializado.

“Quem está lá é diferente. É uma área muito mais técnica. É um processo muito amplo. Local de crime e a investigação até chegar ao autor do crime é um árduo e longo caminho. Claro, que tens alguns que são rápidos, mas a DEHS é uma unidade diferente e estamos de prontidão sempre e, às vezes, saímos para um homicídio e não tem hora de retorno, pois no caminho já pode ter outro”, disse.


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