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Artes visuais

Jandr Reis comemora 25 anos de trabalho com mostra em Genebra, na Suíça

Pela primeira vez na carreira, Jandr Reis terá uma exposição individual fora do Brasil. Ele foi o artista brasileiro selecionado para inaugurar o salão cultural da nova Embaixada do Brasil em Genebra, na Suíça. 02/05/2016 às 05:50 - Atualizado em 09/05/2016 às 15:59
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Jandr recebeu a reportagem de A CRÍTICA em seu apartamento-ateliê, no 13º andar de um edifício do Centro de Manaus. (Aguilar Abecassis)
Felipe Wanderley Manaus (AM)

Aos 25 anos de carreira, Jandr Reis ainda é tímido na frente da câmera. Prefere o contato com as telas, algumas maiores do que ele. Em seu apartamento-ateliê, no décimo terceiro andar de um edifício no Centro de Manaus, ele recebe a reportagem de A CRÍTICA, mas parece incomodado com aquele objeto luminoso ligado o tempo todo. Mas ele tem de se acostumar logo. Pois no ano em que chegam as bodas de prata em seu casamento com as artes plásticas, o artista paraense radicado em Manaus tem algo mais a comemorar.

Pela primeira vez na carreira, Jandr Reis terá uma exposição individual fora do Brasil. Ele foi o artista brasileiro selecionado para inaugurar o salão cultural da nova Embaixada do Brasil em Genebra, na Suíça. Vai pela quarta vez ao país, mas dessa vez para expor 15 telas originalmente criadas para a exposição. “São releituras do orquidário que já pintei”, diz ele, fazendo referência a uma de suas séries mais emblemáticas, o “Orquidário Amazônico”. “Vai ser uma coisa linda”, acrescenta, com empolgação de aprendiz.
 
Principiante, porém, é coisa que ele não é. Artista de fases, Jandr já destilou sua técnica em vários estilos diferentes, das “Picassianas”, série inspirada na obra do pintor Pablo Picasso, até sua releitura orgânica da paisagem amazônica, como é o caso de “Amazônia - Espaço Húmido” (assim mesmo, com “h”), que expressa o lado menos inspirador, pelo menos para a maioria, da flora regional: seu  aspecto ameaçador, putrefato e obscuro.

Sua releitura própria da Amazônia não passou despercebida e o próprio autor acredita que a série com a qual ficou mais conhecido tem importância incomparável no seu trabalho e acaba por defini-lo. Curador de grande parte de seu trabalho, amigo e incentivador, o artista plástico Óscar Ramos vê de forma semelhante.

“A obra do Jandr, o que ele tem de original e que faz dele um pintor realmente amazônico, é que ele se refere à floresta amazônica a partir da representação de uma paisagem que não é a paisagem que se vê a olho nu. A visão da floresta de Jandr é uma visão microscópica. Ele vê a floresta em seu processo de formação. A natureza de Jandr não tem nada de morta, é extremamente viva. É como se entrasse com um microscópio na floresta”, diz Ramos.

A umidade, que agrega aspecto sinestésico à obra do artista e é característica da própria natureza amazônica, é elemento inerente ao seu trabalho, até mesmo no modo como ele executa suas obras. Munido de esponjas, e não de pincéis, Jandr trabalha em contato direto com a tinta, molhando suas mãos e deixando, involuntariamente, uma pintura abstrata sob os seus pés, à medida que parte da tinta pinga 
no chão.

Jandr Reis - pintor

Nascido em Óbidos (PA), Jandr Reis é radicado em Manaus desde os anos 80.  Estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (RJ), é formado em Design e pós-graduado em Museologia. Sua mais recente exposição foi "Maurbcaos", na galeria do Icbeu, em 2015. 

Aos 25 anos de carreira, você comemora também a primeira exposição individual fora do Brasil. Tem um gostinho de novo?
Sim, com certeza. Isso é muito gratificante para mim como artista. A gente sempre está procurando, cavando (espaços), mas eu cavo mesmo é pintando. Mas claro que conseguir essa exposição na Suíça teve um gosto muito saboroso, porque até então só participei de algumas exposições coletivas fora do país. Essa vai ter um sabor melhor porque vai ser a primeira individual minha.

Qual a expectativa para a exposição e o que você tá levando para Genebra?
Espero que agrade a todos. Confio no meu trabalho, alguns críticos já comentaram e isso me deixa fortalecido, porque sei que meu trabalho já está consolidado. Eu estou levando o “Orquidário Amazônico”, trabalho que já pinto há muitos anos. 

Você citou sua mãe como uma referência artística sua. Por quê?
É verdade. Minha mãe foi criada para ser dona do lar, então teve todo o ensinamento daquela época: bordar, desenhar, pintar. Então ela fazia esse trabalho, eu via e prestava muita atenção. Pintava enxoval de cama, de mesa, então eu já nasci com a veia artística. Aprendi muito com ela e a inspiração do trabalho de pintar, de criar, veio muito dela também, com certeza.

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