Terça-feira, 23 de Abril de 2019
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Vida

Jandr Reis explora anarquia na cidade em sua nova exposição, “Maurbcaos”

Exposição apresenta temas urbanos como desmatamento urbano, trânsito, invasões, poluição e comércio ambulante


05/04/2015 às 15:13

Depois de explorar os processos de degradação orgânica que ocorrem na natureza nas obras da exposição “Amazônia - Espaço Húmido”, apresentada em 2011 no Centro Cultural Palácio da Justiça, Jandr Reis volta o seu olhar artístico para a degradação urbana na metrópole. Nas obras de “Maurbcaos”, seu novo trabalho, o artista plástico enfoca temas da cidade, como desmatamento urbano, trânsito, invasões, poluição e comércio ambulante. As pinturas farão parte de uma mostra na Galeria de Arte do Icbeu, Centro, com abertura marcada para o dia 13, segunda-feira, às 20h.

“Maurbcaos” vai reunir 11 obras de grandes dimensões, executadas em acrílica sobre tela e técnica mista. As pinturas trazem em comum elementos característicos do caos urbano – carrinhos de camelôs, produtos de feira, lixo, palafitas, veículos e outros – com um pano de fundo de formas orquidáceas “derretidas” que lembram as criações de sua exposição anterior, numa transição entre dois universos distintos.

“Todas as obras têm a pegada do meu último estudo sobre a umidade e a decomposição na natureza. É como se o ‘Espaço Húmido’ houvesse se inserido no espaço urbano, no caos que é a ausência de sentimentos e de diálogos, no ir e vir de gente”, assinala o artista.

Individualmente, as telas refletem diferentes problemáticas. “Ajoelhou tem que rezar” (nesta página, no alto, à direita) remete à questão da prostituição e do comércio ambulante no entorno da Igreja da Matriz. Já o lixo nos igarapés aparece em “PET de todos os santos de todos os rios” (no alto, foto abaixo à direita) – título que faz referência a bairros com nomes de santos, como São Jorge e São Raimundo, onde o problema é evidente.

Por sua vez, telas como “Vumbora já na Manaus Moderna” (vista parcialmente na foto maior) ou “Larica baré (Filé miau)” evocam a desordem resultante da confluência de carrinhos de churrasco, frutas e verduras, gente, carros, canoas e por aí vai, em áreas como a das feiras na orla do Centro de Manaus. “São problemas decorrentes da falta de consciência e de cultura”, comenta Reis.

Arte na urbe

Embora a faceta caótica da metrópole seja a inspiração expressa, as obras de “Maurbcaos” são resultado também da intenção de Reis de explorar a visualidade da arte urbana – particularmente aquela da obra de Jean-Michel Basquiat (1960-1988).

“Algumas telas têm a referência do Basquiat, que foi o início de tudo. O caos vem do tumulto interno do artista, e aí entra ele, que se tornou quem se tornou transpondo sua perturbação interior à sua obra”, comenta Reis, admirador confesso dos grafites e pinturas do norte-americano, que conheceu nos anos 1980. “Foi a época em que vim para Manaus. Tudo era novo para mim, e a obra dele, refletindo a vida urbana de Nova York, me causou impacto”, recorda o artista, nascido em Óbidos (PA) e há mais de 30 anos radicado em Manaus.

A influência de Basquiat em “Maurbcaos” se nota em pinturas com cores fortes e traços nervosos, em oposição a outras quase monocromáticas. Jandr aponta que essa influência já apareceu outras vezes em sua trajetória. “Numa exposição minha de 1997 já haviam notado um pouco daquele tipo de tumulto interior. Mas, apesar de gostar dessa expressão, nunca segui por esse caminho”.

Fase de transição

A curadoria de “Maurbcaos”, que tem apoio cultural do Reggo Studio Design, é de Óscar Ramos. Também artista plástico, ele destaca que a mostra representa uma fase de transição na obra de Reis. “Ele deixou a zona de conforto de ‘Espaço Húmido’, uma exposição que lhe trouxe muito sucesso, notoriedade e vendas. Com coragem e sentimento de ética, ele resolveu que dali já não havia mais o que extrair em termos artísticos. O que ele está fazendo nessa nova exposição é fugir da possibilidade – perigosíssima – de se tornar um repetidor de fórmulas”, define.“Maurbcaos”, afinal, reflete a necessidade de Reis de explorar possibilidades. “Estou sempre em busca de um novo caminho”, ele afirma. “Nunca é algo em definido, mas este é o tipo de pintura que busco hoje”.

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