Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019
Vida

Jogo sem limites: deficientes visuais ganham game

Criação de jovens desenvolvedores de Brasília pode ser jogado por pessoas com – ou sem – deficiência visual



1.jpg Juliano Ribeiro foi o analista de testes do jogo, desenvolvido por Bruno Kenj
19/02/2013 às 09:13

A ausência e/ou dificuldade da visão deixaram de ser impedimento para quem é fã de videogame. Três rapazes de Brasília desenvolveram um produto no qual o deficiente visual usa os movimentos dos membros do corpo para controlar o game. Criado por Bruno Kenj, Bruno Silva e Ednaldo Souza, o jogo “Herocopter” já passou da fase de testes e a partir de março estará disponível para compra. A aquisição poderá ser feita via Internet, pelo site www.herocop.com.br.

Bruno Kenj, de 29 anos, um dos donos de uma empresa que desenvolve games e aplicativos para o console XBox (Microsoft) e um dos idealizadores do “Herocopter”, conta que o jogo já foi testado e aprovado por pessoas da Associação Brasiliense de Deficientes Visuais antes do produto chegar ao mercado.

Quebrando barreiras

A ideia de criar um videogame para deficientes visuais não surgiu apenas para sofisticar a diversão de fãs do jogo. É resultado da percepção de mundo do trio de desenvolvedores para a necessidade de se quebrar barreiras sociais por meio do entretenimento. O personagem-chave desta iniciativa foi um amigo em comum, Juliano César Ribeiro, 31 anos, analista de testes e deficiente visual.

“Íamos competir na Copa da Imaginação da Microsoft, a maior copa de tecnologia para estudantes. Então, analisamos como a tecnologia poderia ajudar os problemas atuais do mundo e vimos que poderíamos desenvolver um jogo para o Juliano, que já trabalha na área de tecnologia. Isto, por si só, já me impressionava. Até então havia apenas audiogame, que não tem atrativo gráfico”, disse Bruno Kenj, em entrevista ao A CRÍTICA, por telefone.

Antes do lançamento, o “Herocopter” foi “validado” em testes durante nove meses. A “cobaia”, claro, foi o próprio Juliano, até participou de todas as etapas que a série fosse completada e aprovada. “Ele conseguiu superar até mesmo quem tem visão normal”, disse.

Vertente a explorar

Kenj conta que não tem conhecimento da existência de outro jogo destinado a deficientes visuais controlado pelos movimentos do corpo no mundo. Ele e seus sócios já pensam também em criar outros jogos, desta vez para game acessível em celular. “É um mercado novo que a gente está querendo explorar”, contou.

Conforme Bruno Kenj, o mercado de game movimenta atualmente muito mais do que o cinema. A maioria dos jogadores é da faixa etária entre 20 e 30 anos de idade. “Este game, o ‘Herocopter’, é acessível a todas as idades. Pessoas adultas e adolescentes podem jogar. Dei aulas durante dos anos no Senai e sempre gostei de compartilhar. E quando a gente percebeu que poderia ajudar não apenas o Juliano, tivemos uma experiência fora do comum”, contou.

Em breve

A previsão é de que “Herocopter” esteja disponível para venda pela Internet a partir da segunda quinzena de março. O preço do game deverá ser inferior a R$ 10.

 

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