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Entretenimento
EXPOSIÇÃO

Jornalista amazonense e artista paulista lançam mostra sobre a Amazônia na Bélgica

‘Porã-Katu’ (no Tupi, Beleza Benevolente) visa ampliar o olhar do estrangeiro sobre a Amazônia através da cultura indígena. A mostra é uma criação de Mayara Brilhante, de Manaus, em parceria com Babi Avelino, de SP 04/05/2017 às 05:00
Mayrlla Motta Manaus (AM)

Ampliar o olhar do estrangeiro sobre a Amazônia através da cultura indígena. Esse é o objetivo da exposição “Porã-Katu” (no Tupi, Beleza Benevolente) em cartaz de 05 de maio até 16 de junho na cidade de Liège, na Bélgica. Criada e concebida pela artista paulista Babi Avelino em parceria com a jornalista amazonense Mayara Brilhante, o evento reúne exibição de  documentário sobre a visita do rei belga Leopoldo III ao Xingú e à região Norte, atividades de “lambe-lambe” e acervo fotográfico sobre os índios do Xingú, divididos em oito temas. 

Mayara Brilhante reside há quase dois anos na Bélgica. (Foto: Angela Cativo/Divulgação)

De acordo com Mayara Brilhante, o projeto nasceu após uma conversa “útil e agradável” com Babi, onde abordaram sobre as experiências antropológicas e culturais que elas carregam sobre a Amazônia. “Nós conhecemos a realidade indígena e queremos que as outras pessoas conheçam também. Nosso objetivo é mostrar que a Amazônia é rica em cultura, e desfazer aquela imagem mística que o europeu tem da região, acreditando que só tem mato e floresta. A Amazônia é sim a maior floresta do mundo, mas ela tem muito mais do que isso”, disse Brilhante acrescentando que o projeto faz parte do estágio acadêmico dela como mestranda bolsista da Université de Liège (ULg). 

Babi Avelino em uma de suas viagens pela Amazônia. 

Para Avelino, a exposição é uma oportunidade para mostrar a força da feminilidade, a fusão do velho e do novo e traduzir a trajetória de 17 anos do percurso artístico dela na Europa. "Depois que encontrei a Mayara, senti uma enorme vontade de rever todas as imagens que eu realizei durante minhas viagens ao Xingú. Isso foi em 2004, 2006 e em 2010. Passei vários dias, até meses com as tribos do Xingú e outras etnias. Sempre busquei focar meu trabalho nas questões de direito à terra e preservação da natureza, que são assuntos que nunca foram realmente resolvidos no Brasil", disse Babi. 

Preservação

A exposição tem o objetivo de dar um alerta acerca das causas indígenas. “Ela tem caráter político, educativo e social por mostrar um tema tão delicado. Social por mostrar a cultura dessas pessoas e como vivem”, avalia Brilhante. 

Ao mostrar a cultura dos indíos do Xingú, habitantes da região homônima localizada na porção sul da Amazônia Brasileira, entre os estados do Pará e Mato Grosso (MT), a ideia das criadoras é emitir a mensagem de preservação daquele território e do povo residente ali. “Entre os problemas que serão abordados está a exploração ilegal de madeira, a construção da usina hidrelétrica em Belo Monte, no Pará, e o desmatamento para plantação de soja, comercializada especialmente para os EUA e Europa”, finalizou Mayara. 

Cada tema abordado na exposição carrega um nome indígena: Avá (índio); Kunhã-Bá (femme fatale); Rito (instalação artística sobre de fotografias de performance); Caribú (mostra mulher da tribo Kayapo se banhando no rio); Mur à souvenirs (parede memorial feita em co-criação com o público); Xingu e Fragilidade. 

Saiba +
O público alvo para esta exposição  será jovens estudantes, bem como acadêmicos universitários dos cursos de artes, história e demais outros cursos da área de ciências humanas, amantes das artes em geral, turistas e população estrangeira que reside na cidade, curiosos e demais pessoas que possam se interessar pela temática da exposição.

Perfis
Babi Avelino é publicitária. Dedicou  parte de sua carreira na análise e vivência com diversas tribos indígenas da Amazônia durante os anos de 2002 a 2008, com o intuito de mostrar a realidade dos povos indígenas dentro e fora do Brasil. Desenvolve projetos usando fotografia e audiovisual em uma tentativa de criar uma narrativa estética, poética e mística em torno dela.

Mayara Brilhante é jornalista  formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), é mestranda bolsista da Université de Liège (ULg) em “Communication et Information, à finalité en Médiation Culturelle et Métiers du Livre”, e tem a região amazônica como parte de seus projetos acadêmicos. Trabalhar com cultura e turismo despertaram nela o valor e desejo de disseminar a riqueza da região amazônica.

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