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Entretenimento
PAPO MUSICAL

Depois de programa sair do ar, Chico Pinheiro lança site para falar de música brasileira

Página terá espaço para opinião, notícias, entrevistas e mapa colaborativo para artistas de todo o País 25/06/2016 às 21:18 - Atualizado em 26/06/2016 às 15:49
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

Você já deve conhecer o jornalista Chico Pinheiro pelos bordões que ele costuma soltar durante a apresentação do “Bom dia Brasil”, da Globo: “Coragem que hoje é segunda-feira!” e “É vida que segue!” são estímulos que poucos esperam receber ao ligar a televisão pela manhã. Mas, além da paixão pelas notícias, o âncora tem uma longa história pessoal e profissional com a música brasileira, seus personagens e bastidores. É essa experiência que acaba de ganhar um cantinho próprio na Internet com o lançamento do site www.saraudochicopinheiro.com.br.

Chico explica que a página é uma extensão do programa “Sarau” (antigo “Espaço Aberto”), que ele apresentou durante 16 anos na Globo News, até a atração ser retirada da grade da emissora, sob protestos de artistas como Moacyr Luz, do Samba do Trabalhador. No site, porém, as possibilidades de conteúdo são muito maiores: há espaço para opinião, dicas, notícias, artigos, minientrevistas e interação com o público a partir de um mapa interativo em que artistas de todo o País poderão divulgar seus trabalhos.

Uma das seções do site, por exemplo, foi batizada de “Música tem história”. “A música brasileira é a trilha sonora de muitos momentos históricos do País, por isso é importante trazer essas produções para o contexto em que elas foram feitas”, comenta Chico Pinheiro. E qual é a história do jornalista com a música?

Idas e vindas

Ele conta que seu espírito musical vem de família, mais especificamente da convivência com os avós maternos. “Meu avô, José Justino Guilherme, tocava flauta e tinha uma banda de chorinho. Já minha avó tocava bandolim e minha mãe tocava piano, então desde meus primeiros anos eu ouvia muita música em casa. Até hoje minha vida é muito musical, eu diria que tenho uma música para cada etapa dela”.

Essa aproximação com a MPB se estreitou nos anos 80, quando o jornalista trabalhou na produtora Quilombo, que cuidava da carreira de Milton Nascimento. “Nesse período, tive a oportunidade de acompanhar gravações históricas, como o disco ‘Yauretê’, que teve a participação do Paul Simon em Nova York”. 

Na sequência, veio o “Espaço Aberto” na Globo News, onde ele passou a receber figuras consagradas da música brasileira de ontem e hoje, muitas delas sem grande espaço na mídia, como Ângela Maria, Cauby Peixoto e o pernambucano Siba. Foi no programa (já rebatizado como “Sarau”) que foi realizado o último registro da “Rainha do Choro” Ademilde Fonseca, falecida um dia depois da gravação.

Chico e a música

Para Chico Pinheiro, a música brasileira segue em ritmo de rápida evolução e renovação. “Somos talvez um dos países mais musicais do mundo, e apesar de não termos no momento caminhos muito nítidos para onde caminhar, pela ótica da política social, a música não para, ela continua. O samba sempre presente, mas também se atualizando”.

Mas o jornalista já foi mais “purista”, como quando revelou, em conversa com Beth Carvalho, seu estranhamento pela entrada do banjo no samba. Na época, os fenômenos Zeca Pagodinho e Jorge Aragão começavam a despontar. “Eu torci um pouco o nariz para coisas diferentes no samba, enquanto que ele está vivo e acompanha a história. Claro que a gente vai acompanhando as mudanças, mas sem perder as raízes”.

Hoje, ele anda para cima e para baixo com um celular de 128 GB lotado de músicas, que ouve em casa, no carro ou durante as viagens. Muitas novidades também chegam até ele por meio dos filhos adolescentes, antenados ao que está rolando de mais quente nas cenas do rap e do funk. “A Clarice é fã ardorosa de Criolo e o Pedro, de 15 anos, um dia desses estava me mostrando uma música do Black Alien”.

Ao mesmo tempo, Chico sabe que ainda há muita música para ser descoberta, não só por ele, mas pelo País como um todo. “Quando estive em Parintins há alguns anos, fiquei muito impressionado com a força musical do David Assayag, e logo em seguida fui gravar um ‘Sarau’ em Belém, com seu carimbó que vem agregando misturas. Tenho certeza que em qualquer lugar do Brasil que você for vai descobrir gente nova”.

Visibilidade

“A mídia  normalmente reproduz o que já é sucesso e não se arrisca muito com novos nomes.  Olhando pela mídia, você vai achar que a música brasileira é só sertanejo, algum samba, algum pagode e a música dos anos 60-70. Mas o Brasil é muito diverso e rico, e a dificuldade dos demais artistas em atingir o País inteiro revela certa indefinição de projeto Brasil. Ninguém sabe muito bem onde a gente quer chegar".

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