Sexta-feira, 19 de Abril de 2019
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ENTREVISTA

Ator franco-brasileiro Josias Duarte chega ao terceiro papel bíblico na Record TV

"Quando atuo eu penso numa frase que meus mestres me ensinaram: ‘Vocês são crianças, divirtam-se’. E aí aprendi que eu sou um atleta de emoções", Josias Duarte


04/06/2018 às 18:01

O ator franco-brasileiro, Josias Duarte nasceu no Rio de Janeiro, mas foi em Paris que iniciou sua carreira artística em 2001. Formado no Cours Florent e no Studio Pygmalion, cultivou a arte do ser e não do parecer, moldando então um amante das metamorfoses, que o tornam quase irreconhecível entre cada personagem, inclusive o seu atual papel como o árabe Jamal, protetor da protagonista de Apocalipse.

Na França, transitou entre palcos e sets de cinema além de se aventurar na própria direção artística. Dez anos depois, volta para o Brasil e começa a se aventurar não somente nesses meios, mas agora permite-se conhecer um pouco mais da televisão brasileira, trabalhando nas novelas “Haja Coração” e “A Lei do Amor”, na Rede Globo, e também em “Milagres de Jesus” e “Os Dez Mandamentos”, na Record TV.

“São culturas muito diferentes, nunca tinha feito TV antes. Na França o teatro geralmente é segmentar à TV, e aqui o poder da televisão é muito maior. No início recusei alguns trabalhos, queria continuar só em cinema e nos palcos, até que me aculturei e adptei, me jogando de cabeça e fazendo de verdade”, comentou o ator.

ExperiênciasEntre tantas ramificações artísticas, Josias afirma que não importa a área, é a mesma diversão sempre: “Pra ser bom tem que ser bom pra todos, a atuação quando feita de verdade e com amor é como se em todos os papéis fossem a primeira vez”.

“Gosto muito de atuar, escrevo desde os treze anos de idade, já produzi, dirigi e atuei. Mas não tem jeito, atuar é maravilhoso, a atuação pode mudar o mundo das pessoas e eu tenho essa presunção na minha vida. Quero poder falar que pude mudar as pessoas e fazê-las esquecer dos seus problemas. Por isso pra mim não importa o veículo, o importante é o diálogo, é o poder da cultura de dialogar”, comenta.

Josias começou a carreira em curso de câmera, uma vez que queria trabalhar exclusivamente com cinema, até que resolveu se aventurar em artes dramáticas, com o teatro. Chegou desde muito cedo a fazer trabalhos com pessoas de renome e teve dificuldades de se adaptar a viver no Brasil novamente.

“Eu amo muito o Brasil, mas logo que cheguei as pessoas achavam que eu era antissocial, mas na verdade é o jeito deles que eu tinha aprendindo de fazer meu trabalho e voltar pra casa, não estava acostumado com essa proximidade brasileira”, comenta.

Apocalipse“No começo foi muito curioso, você não sabe como o público vai reagir, meu personagem era muito grosseiro”, comenta Josias sobre o novo trabalho, destacando o carinho de todos pelo personagem Jamal.

“As pessoas vivem a TV, nunca recebi tantas mensagens nas redes sociais quanto agora, tento devolver ao máximo esse carinho”.

De acordo com o ator, a televisão brasileira é algo maquinário, tendo um jeito completamente diferente de abordagem do que estava acostumado. “No começo, Jamal só falava em árabe, hoje falo em português com muito sotaque e as pessoas até se assustam", brinca.

Sobre o personagem, Josias diz entender o que leva Jamal ser visto como um cara ranzinza: “Acredito que ele se tornou rígido por ter perdido os filhos, às vezes até eu quase tive repulsa por mim mesmo, risos, até que ele salvou a mulher e a ver sobrevivendo ainda mais com uma gravidez, isso tudo fez com que ele mudasse com a vinda da criança”, disse.

“Eu acredito na bíblia, acredito em Adão e Eva, e estudei muito, porque sei o que Deus fez pra mim. Tudo o que você faz hoje tá ligado a Deus, eu acredito nisso, então pra mim é uma honra poder estar falando em novelas diretamente para as pessoas os ensinamentos cristãos”, finaliza.

Vida fora das telas

“Eu queria ser pai desde os 21, e hoje meu filho é o meu maior professor" comenta ao mencionar como o filho mudou a sua vida. "Meu filho nasceu com problemas, com suspeita de bactéria devido a cesária, depois teve uma infecção, depois adquiriu érnia... Foi um furação de problemas, e logo em seguida desses epsódios eu fiz um filme onde o filho morria, e foi a experiência mais horrível que já passei, aquele cara desesperado chorando não era meu personagem, era eu”, desabafa.

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