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Jurada do ‘Peladão a bordo’, Helô Pinheiro fala sobre beleza e maturidade em entrevista

A carioca, que ganhou fama internacional como musa inspiradora da canção 'Garota de Ipanema', composições de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, esteve em Manaus e deu seu 'veredicto' sobre a beleza feminina manauara 01/12/2014 às 10:49
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Aos 17 anos, Helô inspirou Tom Jobim e Vinicius de Moraes a compor “Garota de Ipanema”. A música é a segunda mais tocada no mundo, só atrás de “Yesterday”, dos Beatles
JONY CLAY BORGES Manaus (AM)

Beleza é algo de que Helô Pinheiro entende muito bem. A carioca, que ganhou fama internacional como musa inspiradora da canção “Garota de Ipanema”, esteve em Manaus há poucos dias como jurada do “Peladão a bordo”, e deu seu “veredicto” sobre a beleza feminina regional.

“A amazonense é a moça do corpo dourado do Sol de Manaus. Aprecio muito as mulheres amazonenses: elas têm um estilo próprio, são bonitonas, gostosonas”, declarou, divertida. Na passagem pelo reality da TV A Crítica, ela indicou duas candidatas para escolha do público. “Foi difícil. Já fui jurada em muitos concursos, mas sempre com um júri grande. É a primeira vez que julgo sozinha”, disse à reportagem, na última quarta-feira.

Musa eleita

Helô, vale dizer, nunca teve de passar por concursos para conseguir de Tom Jobim e Vinicius de Moraes o título que carrega até hoje. “Eles me ‘julgaram’ de uma mesa de bar, enquanto eu passava. E foi um julgamento bom, que me trouxe fama mundial”, conta a musa da canção de 1962 – hoje a segunda mais tocada no mundo, só atrás de “Yesterday”, dos Beatles. Mas ela levou ainda três anos para ser anunciada como inspiradora “oficial”.

“Já haviam dito que era eu, mas não tinha certeza. Até que Vinicius escreveu uma declaração de próprio punho para a revista ‘Manchete’, um texto belíssimo, dizendo que eu era verdadeira. E foi uma coisa de fotógrafos na minha casa, reportagens para lá e para cá. Fiquei assustada. Demorou a cair a ficha que eu era uma nova mulher, num novo momento”.

Nudez e poesia

A beleza de Helô continuou em evidência nas décadas seguintes. Em 1987, ela apareceu pela primeira vez nas páginas da “Playboy”, com texto de Tom Jobim. “Heloisa minha brisa, minha eterna inspiração, quando vejo Helô Pinheiro corro pro banheiro vou tomar extremução. Tomo leite com farelo pra baixar a hipertensão”, escreveu o poeta, brejeiro. Na segunda vez, em 2003, ela dividiu as lentes com a filha, Ticiane Pinheiro. Então com 57 anos, 30 a mais que Tici, ela conta que não foi uma decisão fácil.

“Nós hesitamos, a Tici principalmente. Mas ela sabia que eu passava uma fase difícil e topou fazer. Ela estava galgando o mundo artístico à época, portanto achei que as duas ganhariam”, recorda ela. Até hoje a mulher mais velha a estampar a revista masculina, Helô diz que o ensaio foi natural. “Se fosse outra mulher acharia chato, mas é minha filha, tenho intimidade com ela. E não achei que fosse algo para desmerecer nossa relação ou denegrir nossa imagem”.

Helô não viveu apenas da fama de “Garota de Ipanema”. “Mudou minha vida, mas minha vida foi calcada não em cima das notas musicais, e sim em cima de meu trabalho, da minha dignidade, do meu comprometimento com o público”, afirma ela, confessando ter vivido momentos ruins na vida. “Mas nunca pedi coisa alguma de ninguém. Sempre me mantive como podia, fui professora do Estado. E sempre estudei muito, fiz Jornalismo e Direito”, orgulha-se.

‘Garota’ polêmica

Há poucos anos, Helô se lançou como empresária do ramo da moda, ao abrir a loja Garota de Ipanema, no Rio de Janeiro. O passo à frente, porém, trouxe uma incômoda polêmica. “Eu estava feliz de colocar o nome Garota de Ipanema em alguma coisa, pois tenho registro de propriedade intelectual. Mas a família (de Jobim e Moraes) não gostou, tentou impedir. Veio uma intimação e fui prejudicada”, conta ela, que mais tarde teve reconhecido o direito à loja e ao nome. E esse ano, estendeu o negócio para São Paulo, abrindo a Helô Pinheiro by Amarras. Ainda assim, o episódio deixou um arranhão nas lembranças mais queridas da musa.

“A imagem que mais me marca é de uma foto minha com Tom, Vinicius e as esposas deles. Foi um momento feliz e uma lembrança fantástica. Mas depois que os dois morreram, houve esse problema na justiça que me deu muita tristeza”.

Idade sem vaidade

Helô ganhou fama pela beleza, mas avalia que o ideal de mulher bonita hoje é bem diferente daquele dos anos 1960. “Éramos mais naturais, não tinha negócio de silicone, de culto demasiado ao corpo. Hoje as pessoas vão à academia, tomam anabolizantes, fazem tudo para ter músculos. Hoje o conceito de mulher mudou: ela é mais ‘fabricada’”, opina ela, que só fez concessão à plástica uma vez.

“Tenho plástica no seio. Tive quatro filhos e eles mamaram muito. Meus peitos ficaram, como a gente chamava, muxibinhas”, conta, aos risos.

Helô tinha apenas 17 anos quando inspirou Jobim e Moraes. Hoje aos 69, ela se mostra à vontade com a idade – tanto que chegou a apresentar o programa “De cara com a maturidade”, na Band. Para ela, agora a saúde vem antes da vaidade: “Tenho vaidade pelo meu título, e em respeito ao público e às pessoas que gostam de mim. Mas não é prioridade para mim; saúde, sim”.

Helô, por outro lado, ainda exibe muito da beleza que chamou a atenção de Jobim e Moraes. Qual o segredo?

“Faço dança que, além de ser um exercício, exige gravar os passos da coreografia, o que mexe com os neurônios. Também leio e estudo muito para estar sempre com a memória ativa – agora mesmo voltei a estudar inglês. E cuido da alimentação, como vegetais e frutas. Lógico que também como feijoada, não vou dizer que não, e chocolate; mas nada em excesso”.

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