Sábado, 24 de Julho de 2021
CARNAVAL 2020

Kamélia ‘chega’ a Manaus e declara oficialmente aberto o carnaval no AM

Boneca símbolo do carnaval manauara, a ‘Nega do Carnaval’ recebeu a chave da cidade, como manda a tradição preservada há mais de 60 anos



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05/01/2020 às 12:51

A Kamélia mandou avisar que está oficialmente aberto o carnaval no Amazonas. A boneca, símbolo do carnaval de Manaus, “chegou” por volta das 21h do último sábado (4) no salão de desembarque do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, Zona Oeste da capital, reunindo vários foliões ao som das tradicionais marchinhas carnavalescas executadas pela Banda da Polícia Militar. Como manda a tradição, preservada há mais de 60 anos, a chave da cidade foi entregue à “Nega do Carnaval” pela titular da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), Conceição Sampaio, representando a Prefeitura de Manaus.

Do aeroporto ela seguiu em carreata para a sede do Olímpico Clube, em Presidente Vargas, na Zona Centro-Sul de Manaus, onde, por volta das 22h, deu início ao tradicional “Baile da Chegada da Kamélia”, que voltou a ser realizado no salão social do clube após um hiato de 20 anos a fim de manter a tradição dos antigos carnavais de salão. O ponto alto da noite foi o encontro da Kamélia com a Jardineira, uma ‘’antiga rival’’ que costumava encontrá-la no Boulervard Amazonas para uma animada batalha de confetes.



“Ela já não bailava [no salão] há mais de vinte anos. A Kamélia é o único símbolo vivo do carnaval amazonense. Ela é uma presença ilustre que traz consigo o resgate dos grandes carnavais dos clubes, com as marchinhas, o frevo e outros personagens carnavalescos. As pessoas desejam a volta das festas de salão, por conta do conforto e da segurança’’, disse o presidente do Conselho do Olímpico Clube e presidente da Diretoria do Grêmio Recreativo Escola de Samba Império da Kamélia, Almério Botelho.

Foliã apaixonada por bailes de carnaval, a assistente jurídica Érika Leão teve a honra de ser a Madrinha da Kamélia esse ano, posto que existe desde 2006. Érika, que acompanha a chegada da boneca desde 2012, quando foi rainha do Carnaval de Manaus, comenta que já havia sido convidada outras duas vezes para ocupar o posto, mas teve que recusar. “Eu era madrinha de uma agremiação, por isso só agora eu pude aceitar. O convite partiu do [presidente] Almerinho Botelho, que sempre teve um respeito enorme pela minha trajetória como rainha do carnaval’’, comentou.

‘’Quando recebi o convite para ser a madrinha da Kamélia, fiquei muito honrada e “ousei” sonhar com meu nome um dia fazendo parte dessa história’’, disse ela que, desde então, fez questão de ler mais a respeito do surgimento da boneca na folia amazonense.

História

O ‘’caso de amor’’ entre Kamélia e o carnaval amazonense começou há mais de 80 anos, quando a ‘’Nêga’’ fez a sua primeira aparição no Bar Avenida, na época localizado no Centro Histórico de Manaus. Na ocasião, a boneca possuía apenas 75 cm e foi comprada por um dirigente do Olímpico Clube por quatro mil réis nas Lojas 4.400 (antiga Lobrás), em 1938. Trajada à moda baiana, Kamélia passou a arrastar multidões pelas principais ruas da cidade, pendurada no galho de uma ingazeira.

Patrimônio cultural imaterial do Amazonas, a criação da boneca partiu do ex-diretor do Olímpico, Cândido Jeremias Cumaru (mais conhecido como Kandu), e foi inspirada na famosa e clássica marchinha “Jardineira”, composta por Benedito Lacerda.

Os festejos da chegada da boneca Kamélia acontecem desde 1940. A ‘’Negona’’ (como também é carinhosamente chamada) é responsável pelo início do carnaval de Manaus desde 1955. Contudo, em 2013, por conta da Lei 1.722/2013, de autoria do então vereador Arlindo Júnior, a chegada dela passou a definir a abertura oficial do carnaval da cidade.

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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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