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Karine Aguiar divide o palco com maestro Adelson Santos para homenageá-lo, em Manaus

Cantora comanda o show “Delírios sonoros da floresta”, em Manaus, para homenagear os 70 anos de idade do maestro, professor e escritor 27/03/2015 às 13:23
Show 1
Karine Aguiar interpreta repertório que resume 40 anos de produção musical do maestro Adelson Santos
JONY CLAY BORGES Manaus (AM)

É na forma de um show musical que o compositor, maestro, professor e escritor Adelson Santos recebe homenagem pelos seus 70 anos de vida, a se completarem em 2015. Trata-se de “Delírios sonoros da floresta”, que será apresentado hoje, a partir das 20h, no Teatro do Caua, no Centro. O tributo é uma iniciativa da cantora Karine Aguiar, que comanda o espetáculo ao lado de sua banda e com a participação especial do grande homenageado.

No palco, Karine irá interpretar canções de diversas épocas da carreira de Adelson, incluindo “Não mate a mata”, “Dessana, Dessana”, “Sonhos de voar” e “Alma cabocla”. A cantora será acompanhada ao violão pelo próprio compositor, que também vai dividir os vocais com ela em algumas das composições.

O show terá ainda o acompanhamento dos músicos Ygor Saunier (bateria e percussão), Enio Prieto (saxofone e flauta) e Adalberto Soares (contrabaixo acústico). A realização é da Porto de Lenha Produções, da produtora cultural Ana Priscila Santos.

Repertório rico

Ao todo, 16 canções farão parte da seleção musical de “Delírios sonoros da floresta”, numa amostra resumida da produção musical de Adelson nos últimos 40 anos. “Nesse repertório estão algumas de minhas músicas mais antigas, como compostas ainda na década de 1970, como ‘Alma cabocla’”, comenta o compositor, relembrando a música escrita num momento difícil da História do País, iniciada com os versos “Alma cabocla/ Tira amordaça e grita”.

“Era 1975, auge da ditadura militar, e eu cursava faculdade de Música no Rio de Janeiro. Essa música está atualíssima hoje, nesse momento político de sujeira moral e corrupção”, avalia.

Da produção mais recente, o compositor cita músicas como “Missiva pra mamãe”, relato sobre o dia a dia de uma funcionária do Distrito Industrial escrito à maneira de uma carta, e ainda “Asas”, que traz versos como “Asas pra cruzar desertos/ Asas pra transpor montanhas/ (...) Asas pra fugir do medo/ Asas para espantar a dor/ (...) Pra saber quando partir/ Pra saber quando chegar”.

“Nos últimos dez anos tenho focado minhas composições na maneira de ser do homem pós-moderno, que vive na condição de incerteza, de egoísmo total e de busca do eu. Exemplo disso é ‘Asas’, uma mensagem de esperança em meio a esse caos da vida de hoje”, explica ele.

Trajetória

A relação de Adelson Santos com a música vem do berço, uma herança da mãe, Maria Augusta dos Santos, que era pianista. E deslanchou na adolescência, quando ele começou a tocar violão. “Eu era muito bom violonista, e era convidado para tocar nas festinhas de alunos e amigos”, recorda o músico, que desenvolveu seu talento sob a influência de um importante movimento musical surgido naquela época.

“Aprendi a tocar violão no tempo da Bossa Nova, e na época todo mundo era obrigado a aprender todo o conteúdo harmônico da Bossa Nova. Eu sabia tocar de tudo: juntei Bossa com Tropicalismo, depois me juntei com os Beatles num grupo de rock, e por aí vai. São tantas influências”, enumera.

Ainda nessa época, Adelson começa a lecionar violão a jovens de famílias ricas de Manaus. “Dava aula para toda a elite amazonense”, diz. Após sua passagem pelo Rio, onde fez cursos de graduação e pós-graduação em Música, seu método de ensino ganhou moldes acadêmicos, sendo ministrado em cursos na (então) Universidade do Amazonas e publicado em livros. “Passou a ser uma aula de massa. Era uma procura incrível pelo curso”, conta.

Em meio à atividade acadêmica, Adelson participava de um e outro shows musicais, mas desencantou-se aos poucos com o cenário musical. “Não funcionava em termos de público nem em termos econômicos. Aqui deve ser o único lugar onde não se paga artista”, lamenta ele, num desabafo que está também no livro “Música - Profissão de risco: A dialética de uma visagem estética no Reino da Clorofila”, lançado no final de 2012.

Desde 2000, Adelson se dedica à atividade de maestro – primeiro da Orquestra de Violões do Amazonas, e depois da orquestra Vozes da Ufam, à frente da qual atua há sete anos. Às vésperas dos 70 anos, porém, ele ainda se sente tentado a alçar outros voos.

“Essa homenagem está me dando vontade de cair de novo na roda vida de gravar um disco. Se Karine topar, vamos fazer um disco desse show”, revela ele. Para os fãs, agora é esperar para ver – e ouvir.

Mestre

Karine Aguiar foi aluna de Adelson Santos na adolescência, e estreou como solista no Teatro Amazonas pelas mãos do maestro, aos 14 anos. “Já são 15 anos de convivência pessoal e profissional com Adelson. Nada mais justo do que homenageá-lo”, declara ela.

Parceria

Em janeiro passado, a cantora convidou o maestro para uma participação no show “Conexão Musical Manaus-Paris”, no qual apresentaram três músicas juntos.

Carreira

Karine parte para os Estados Unidos no dia 6 de abril. Lá, irá atuar como solista convidada do baixista norte-americano Matthew Parrish, no concerto “Brazilian Jazz Extravaganza”, no Bucks County Performing Arts Center, na Pensilvânia.

Serviço

O que é Show “Delírios sonoros da floresta – Uma homenagem aos 70 anos de Adelson Santos”

Onde Teatro do Caua, rua Monsenhor Coutinho, 724, Centro, esquina com Tarumã

Quando Hoje, às 20h

Quanto Ingresso a R$ 30, à venda nas lojas Os Barés (Amazonas Shopping/ Manauara Shopping)

Info (92) 99148-3238

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