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Amor sem exageros: os cuidados com saúde e higiene na hora de 'mimar' os pets

Donos se dividem quando o assunto é compartilhar a cama e receber 'lambeijos'. Veterinária faz um alerta 11/06/2016 às 16:29 - Atualizado em 12/06/2016 às 13:26
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Pinsher Dudu não pode subir na cama de ninguém da família, enquanto pit bulls Zaira e Aquiles e poodle Hedy não desgrudam dos donos nem na hora de dormir
Natália Caplan Manaus

Dormir bem agarradinho, dividir a comida, passear e receber uns beijinhos “molhados”. Essa descrição parece uma rotina de casal. Porém, apesar de hoje ser Dia dos Namorados, os gestos relatados neste texto não revelam o amor de dois seres humanos, mas entre donos e seus bichos de estimação. Para Isabelle Adriane Coutinho, 22, essas demonstrações de carinho são normais no dia a dia com Zaira, de 1 ano, e Aquiles, 3.

De acordo com ela, a fêmea não recusa um abraço, enquanto o macho não dispensa uma cama macia e edredom quentinho para tirar aquela soneca. Ambos são Pit Bull e o xodó dela e do namorado Bruno Rocha, 24. “A Zaira gosta de dormir agarrada, abraçando, sufocando... (risos). O Aquiles ama uma cama, mas dorme no canto dele. E ambos adoram dar muitos abraços e ‘lambeijos’!”, revela , ao ressaltar que ambos são como “filhos”.

A universitária, inclusive, recebe muitas críticas de pessoas próximas sobre a maneira que os cães são mimados. Entretanto, rebate os questionamentos com bom humor. Na opinião de Isabelle, há preconceito por parte de quem não gosta de animais, ou até cria, mas segue o pensamento de que cachorro deve viver “acorrentado no quintal” e gato deve “ser livre para aventurar por aí” e, portanto, não ficar dentro de casa também.

“Tenho um colega de trabalho que me critica todos os dias, dizendo que é nojento deixar os cães me darem ‘lambeijos’ e subir na cama. Ele admite não gostar de cachorro e de gato. Por isso, acredito que seja coisa de quem nunca pegou um bebê desses no colo e dormiu abraçadinho (risos)”, declara. “Eu tenho outros colegas que são pais de cachorro e também deixam. Eles me apóiam”, completa.

Segundo a jovem, os dois cachorros tomam um banho semanal e têm as patas higienizadas após passeios na rua. “Eles não ficam rolando na lama e subindo na cama. Tomam banho uma vez por semana e sempre recebem uma higienização após passeios, com limpeza das patinhas”, explica, ao citar que a raça não é problema. “Sempre me chamam de doida e falam muita besteira por eu dormir com Pit Bulls. Mas são meus filhos, sim!”, enfatiza.

‘Beijo roubado’

Assim como Isabelle, a estudante de Medicina Ketlen Martins, 23, é apaixonada por cachorros. Ela é dona de Hedy, uma jovem Poodle, e sempre visita o Labrador Lucky, de oito meses, na casa de amigos. Gosta de “chamegar” e dormir com a pequena, mas confessa que os beijos caninos só são recebidos quando é pega de surpresa. Para ela, é falta de higiene levar uma lambida na boca.

“Sou louca por cachorro. Não deixo eles beijarem minha boca, mas a Hedy dorme na minha cama e fica em cima do sofá. Mas já levei lambida na boca várias vezes. Acho inadequado porque pode transmitir alguma doença, porque eles comem e cheiram tudo se deixarmos. O Lucky morava conosco, mas o apartamento é pequeno. Agora, ele está numa casa com uma família. Às vezes ele lambe meu queixo (risos). Dou banho a cada duas semanas”, explica a estudante sobre a carinhosa Poodle Hedy e o agitado Labrador Lucky.

Carinho e cuidado com limites

O Pinscher Dudu já faz parte da vida de Thais Amorim , 21, há oito anos.Com a idade avançada, ele requer cuidados para ter uma velhice mais tranquila e saudável. Ele tem direito a dar muitos “lambeijos” e até ganha comida, mas segue uma regra importante da família: deve sempre dormir na própria cama. A moça está no primeiro período de Veterinária e descobriu que esse hábito realmente não é bom.

“Deixo ele me lamber no rosto até demais... E damos um pouco da nossa comida, quando ele faz cara de pidão (é errado, mas difícil resistir)”, declara aos risos. “Mas ele não sobe na cama, porque solta pelos e algumas pessoas da família têm alergia. Além disso, na faculdade comentaram que não podemos deixar os animais dormirem na cama. Eles têm algumas doenças que podem ser transmitidas aos humanos”, completa.

BLOG Victória Guedes, veterinária e professora universitária

“Em um primeiro momento, diria que é errado; por toda uma vivência veterinária associada à higiene e ao fato dos animais serem carregadores de germes nos pelos, pele e, ainda, por contato com um ambiente nem sempre limpo. Mas é necessário analisar a questão mais a fundo. Pode-se dormir com o cachorro, desde que este esteja saudável, assim como quem vai dormir com ele. Todavia, indivíduos com imunidade baixa devem evitar sob o risco de serem infectados e adoecer. Deve-se ter cuidado também com o comportamento do animal, que pode se tornar ‘territorialista’ e influenciar, de forma negativa, no sono do humano. Quanto ao beijo, recomendo que se beije o ar com ‘estalinhos’, ao invés de permitir que o animal dê lambidas na boca”.

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