Publicidade
Entretenimento
LIVROS

Leitores buscam formas criativas para descobrir e consumir novas obras

Turista Literário é uma das iniciativas que investem no apelo aos sentidos do leitor por meio dos livros 31/07/2016 às 14:03
Show 146982909251192
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

Ainda que o formato digital tenha apresentado novas facilidades ao leitor moderno, o bom e velho livro de papel continua sendo objeto de desejo para diferentes faixas de público. Para conseguir isso em um País com histórico de poucos leitores, nada melhor que lançar mão de estratégias criativas. O clube de assinatura de livros Turista Literário (turistaliterario.com.br), criado pelas irmãs Priscilla e Mayra Sigwalt, é um exemplo disso.

Caminhando para seu segundo mês em atividade, a startup aposta no que chama de imersão sensorial no universo dos livros enviados para os assinantes. Cada obra acompanha alguns mimos que ajudam a embarcar nos detalhes da trama: desde uma playlist até itens para tocar, comer ou cheirar, e suvenires relacionados a locais em que a história se passa.

Antes de descobrir o que veio dentro da “mala”, ainda é possível ler um guia de viagem sobre o “destino”. O foco da iniciativa, segundo as criadoras, é o público Young Adult (YA), que tem alavancado o número de leitores na faixa dos 18 a 24 anos. “Parte desse incremento começou a partir de sagas como ‘Harry Potter’ e ‘Crepúsculo’ e ganhou impulso com recentes sucessos como ‘A Culpa é das Estrela’s e ‘Jogos Vorazes’”, afirma Priscilla, que é publicitária de formação.

Ela explica que a escolha dos livros passa pela curadoria de Mayra, booktuber e criadora do canal All About That Book. Além disso, a preferência vai para as obras lançadas a no máximo 45 dias no País. “Ela faz uma seleção entre os livros que serão lançados e quais podem proporcionar uma boa viagem para os nossos turistas. Geralmente, ela lê o livro em inglês e aguardamos o lançamento aqui no Brasil. Foi o que aconteceu com ‘A Maldição do Vencedor’, publicado pela Plataforma 21 e enviado na nossa mala de junho”.

Depois disso, as duas começam a pensar que brindes podem ser criados para acompanhar a experiência da leitura. “Vamos marcando que elementos da história poderiam ser traduzidos para a vida real. Depois nos reunimos, discutimos ideias e criamos os itens, que são feitos artesanalmente por uma rede de artesãos com a coordenação de nossa mãe, Tereza Sigwalt”, acrescenta Priscilla.

No caso da playlist criada exclusivamente na plataforma de streaming Spotify, a seleção de músicas não foge à regra. Na seleção feita para “A Maldição do Vencedor”, as irmãs destacaram o piano, um elemento importante para a protagonista da trama. “Incluímos também musicas com batidas cadenciadas como uma marcha militar, reforçando a cultura bélica de um dos povos da história, mas em geral predominou uma pegada de romance com angústia, pois a história retrata bastante isso”.

Leitura compartilhada

A ideia para o Turista Literário teve uma origem curiosa. Priscilla e Mayra sempre tiveram o hábito de compartilhar suas leituras, inclusive com trilha sonora e elementos que estimulassem os sentidos, exatamente como o clube de assinatura.

“Quando a Mayra compartilhou um vídeo no Youtube contando como fazíamos nossas leituras, as pessoas adoraram. A partir daí, nos sentimos estimuladas a dividir com todo mundo essa possibilidade de fazer uma leitura de forma diferente”, relembra Priscilla.

Diante do sucesso do clube, que teve 60% de adesão nos dois primeiros dias, ela que esse tipo de conteúdo tem se expandido nas redes sociais. Os jovens querem cada vez mais conversar, discutir e descobrir novos livros. “O que acreditamos que eles mais buscam é alguém com o gosto parecido com o deles, alguém crítico, que possam confiar no gosto. É uma relação muito bacana, mas também de muita responsabilidade”, afirma.

“A curadoria da Mayra é muito importante para o Turista pois ela é uma leitora que fala direto com os outros leitores, que divide os mesmos gostos. Isso cria uma relação mais próxima e tranquiliza os leitores sobre o tipo de livros que vamos escolher para as malas”.

Ainda sobre viagens

relações públicas amazonense Anne Caroline Almeida também encontrou um jeito diferente de conhecer novos lugares com a ajuda dos livros. Inspirada em uma palestra que assistiu na Internet, ela passou a buscar livros de literatura contemporânea que oferecessem a sensação de estar no mesmo lugar em que a história é ambientada.

“Esse palestrante leu livros de países diferentes durante um ano, e achei uma ideia excelente para se divertir sem sair do lugar, até porque com essa crise ninguém está conseguindo viajar de verdade”, conta ela, que anda com seu Kindle para cima e para baixo.

Para começar, ela escolheu “American Gods”, primeiro romance de Neil Gaiman, um conhecido autor de graphic novels. “O protagonista atravessa os EUA inteiro pela estrada e cita diversos lugares, restaurantes... Você acaba tendo uma percepção cultural do cenário”.

Publicidade
Publicidade