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FOTOGRAFIA

Lenda da fotografia, Sebastião Salgado passa dias registrando o povo Ianomâmi, no AM

Conteúdo produzido durante dias imergido entre os indígenas na floresta amazônica vai fazer parte do próximo livro dele, “Amazônia”, que vem sendo executado há quatro anos 04/11/2018 às 08:05 - Atualizado em 04/11/2018 às 15:25
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Foto: Arquivo A Crítica
Antônio Ximenes Manaus (AM)

O fotógrafo Sebastião Salgado, 74, ficou de 14 a 20 de outubro em São Gabriel da Cachoeira (AM) com o povo Ianomâmi, no Pelotão Especial de Fronteira Maturacá, na Cabeça do Cachorro, fotografando do alto as montanhas da região para seu próximo livro “Amazônia”, que está em execução há quatro anos.

O mestre da fotografia mundial veio com a esposa Lélia Wanick Salgado, 70, que também é a editora e responsável por toda a obra. O jornal A CRÍTICA esteve com exclusividade com o casal e observou o relacionamento harmonioso existente entre o casal e os Ianomâmi, etnia considerada uma das mais antigas da Amazônia - há relatos arqueológicos da presença deles na região que datam de 11,5 mil anos.

Coube aos tuxauas receberem o fotógrafo, a quem mostraram os mistérios de seus deuses, que vivem no alto das montanhas, dentre elas, a “morada mais importante: o Pico da Neblina”, localizado há 25 quilômetros da aldeia dos Ianomâmi de Maturacá, na fronteira com a Venezuela.

Salgado fotografou as quedas d’água no maciço da Neblina, as montanhas Pirapucu, Baruri, Padre, Guimarães Rosa, 31 de Março, Braz, e outras existentes na Cabeça do Cachorro, especialmente as relacionadas aos mitos dos Ianomami. “Eles são os melhores guias que se pode ter aqui na floresta amazônica, com eles subi o Pico Neblina (em 2014) e com eles aprendi muito sobre o Brasil ancestral da Amazônia”, disse o fotógrafo.

A bordo do helicóptero Pantera, cedido pelo Alto Comando do Exército, que tem o general Eduardo Villas Bôas à frente, Salgado encontrou os melhores ângulos do alto para fotografar as montanhas que ornamentam o horizonte nas proximidades de Maturacá. “Apresentei meu projeto para o Alto Comando e ele foi aprovado, o Exército disponibilizou a aeronave e a tripulação, que está sendo muito útil para o meu trabalho sobre a Amazônia”.

Etnias

Salgado vem fotografando as populações indígenas da Amazônia, em especial aquelas que vivem no Vale do Javari, os temidos Korubo, caceteiros; os Ianomami de Roraima, na fronteira com a Venezuela, e, agora, os do Amazonas; bem como os Suruwaha, do Sul do Amazonas, na bacia do rio Purus.

Anualmente, o fotógrafo tem feito duas viagens à Amazônia. O casal mora em Paris, há mais de 45 anos, onde tem a Agência Amazônia Imagens. Elegante, bem humorada, inteligente e considerada uma das mais notáveis editoras de fotografia do mundo, Lélia Wanick Salgado interagiu com os indígenas, a quem considera os sábios da floresta, principalmente pelos conhecimentos da biodiversidade da natureza, especialmente das ervas medicinais; neste caso os pajés ianomâmi são as estrelas para ela.

“Os Ianomâmi olham para as montanhas e veem a morada dos seus deuses. Eles protegem a natureza com seu estilo de vida de respeito a tudo que é vivo na floresta”. Tião (como Lélia chama Sebastião) já esteve com as mais arredias tribos do planeta e sempre conseguiu excelentes resultados com sua sensibilidade, técnica e respeito aos povos indígenas. Nos dias em que esteve em Maturacá, a química entre as mulheres, guerreiros e tuxauas com o casal, foi afinadíssima.

General

Anfitrião militar do casal Salgado, o general Omar Zendim, comandante da 2ª Brigada de Infantaria de Selva Ararigboia, de São Gabriel da Cachoeira, disse “que a presença de Lélia e Sebastião na região, junto com as tropas militares e os indígenas, mostra a civilidade existente entre o Exército e as 23 etnias da Cabeça do Cachorro, dentre elas os caçadores Ianomâmi”.

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