Publicidade
Entretenimento
Vida

Liberdade em um copinho: brasileiras aderem ao coletor menstrual

O item tem chamado a atenção das brasileiras pela proposta sustentável, econômica e prática. Graças ao seu formato, também tem sido chamado de copinho 30/06/2015 às 12:03
Show 1
O coletor varia de tamanho a depender da idade (mais ou menos de 30 anos) e/ou se a mulher já teve ou não filhos (independente do parto). Mas é bom observar, pois esse padrão pode mudar a depender da marca
Loyana Camelo Manaus (AM)

Imagine passar pelo período menstrual sem a constante preocupação com a posição do absorvente; sem aquela impossibilidade de se sentir 100% à vontade em calças brancas ou em praias, piscinas, etc. À parte dos efeitos colaterais físicos (dor de cabeça, cólica, inchaço e por aí vai), seria um alento para o público feminino superar a sensação de cerceamento de liberdade. É essa a proposta do coletor menstrual, que de uns tempos para cá tem ficado popular no Brasil apesar de já existir há décadas no exterior.

O item tem chamado a atenção das brasileiras pela proposta sustentável, econômica e prática. Graças ao seu formato (do tamanho da palma da mão) também tem sido chamado de copinho e é feito de silicone flexível, hipoalergênico e antibacteriano. Geralmente na ponta há uma haste maleável para auxiliar na introdução.

Funciona da seguinte forma: sentada (ou agachada), a mulher deve dobrar o coletor ao meio, de forma a deixá-lo em formato de “C” e introduzi-lo na entrada da cavidade vaginal (aproximadamente a 1 cm da entrada da vagina) manipulando a haste. O item irá “desdobrar” naturalmente e se adaptar à cavidade, ficando apenas a haste na entrada do canal vaginal. Ele estará na posição correta quando não causar incômodo ao sentar ou ao levantar.

Diferenças

De acordo com a ginecologista Dra. Nely Alencar, a depender do fluxo de cada mulher, o coletor menstrual pode ser usado por 6 a 12 horas seguidas e é até possível dormir com ele. Caso seja necessário esvaziá-lo, basta lavar o item com água e sabão neutro e recolocá-lo com as mãos limpas.

Atrapalha na hora de urinar? “De maneira nenhuma! O coletor é introduzido dentro do canal vaginal, que não tem qualquer tipo de comunicação com a uretra, canal por onde sai a urina”, frisa a também ginecologista Dra. Maíra Marques. Ela também alerta que as virgens não devem se utilizar do item, assim como não estão liberadas para o absorvente interno.

O absorvente descartável, por si, deve preferencialmente ser usado de 4 a 6 horas. A depender do fluxo, isto significa diversas trocas diárias para não acumular bactérias e facilitar o aparecimento de alergias ou doenças como a candidíase. A modelo americana Lauren Wasser, de 26 anos, por exemplo, quase morreu por contrair uma bactéria com o uso de absorvente descartável.

Preço

Outro fator que atraiu a curiosidade de muitas mulheres é o preço: apesar de mais caro (na faixa de R$70 a R$85), o coletor menstrual pode durar até 15 anos a depender da marca. Durante o ciclo menstrual de toda vida, cada mulher usa e descarta cerca de 9 mil absorventes. No meio ambiente eles levam até 450 anos para se decompor - questão a se pensar em termos de sustentabilidade.

No fim das contas, para a Dra. Maíra, o que interessa é a mulher se sentir bem. “Sou a favor do que trouxer mais conforto para as mulheres”.

Busca

Onde encontrar?

No Brasil, ainda há poucas marcas nacionais (ou de distribuição nacional) de coletores. Algumas destas são a InCiclo (www.inciclo.com.br), a Me Luna (www.meluna.com.br), a Lunette (www.kevosai.com.br) e a Holy Cup (http://www.holycup.com.br/shop/) - que ilustra a foto da matéria.

Destaque

O grupo do Facebook “Coletores Brasil - menstrual cups” (www.facebook.com/groups/ColetoresBrasilMenstrualCups/?fref=ts) participam quase 30 mil mulheres do Brasil todo. Nesse espaço, elas discutem sobre marcas de coletores, dão dicas de como escolher o modelo ideal, apontam locais onde se pode comprá-los, etc.

Blog

Tatiane Ribeiro

Assistente administrativa, 23 anos

“Estou no meu primeiro copinho e posso defini-lo como: liberdade. Sempre fui traumatizada, odiava ser mulher, odiava a sensação de estar de fralda. Deixava até de sair. Tinha dois absorventes: um para os primeiros dias e outro para dias com pouco fluxo. Gastava muito e me perguntava sempre por que sofríamos tanto com isso. Recomendo primeiramente pelo conforto e pela praticidade, duas questões principais, e pela saúde. Me sinto mais mulher, livre e feliz naqueles dias!”

Gabriela Bastos de Lima

Educadora física, 30 anos

“Eu nunca gostei de usar absorvente normal. Desde o início eu comecei a usar O.B, pela liberdade de fazer as coisas e também pelo fato de e ter praticado esportes a vida toda. Porém o O.B sempre me ressecou muito e por vezes provocou inflamação no meu tecido. No final de 2011 eu vi que uma amiga curtiu fan page do Misscup (InCiclo hoje em dia), fui ver o que era e pesquisei sobre coletores. Achei que poderia ser minha solução. Comprei um e desde então nunca mais tive os problemas que tinha antes. Faço tudo, inclusive meus esportes - joguei rugby até ano passado e faço crossfit há 3 anos - e às vezes até esqueço que estou com o coletor”.

Publicidade
Publicidade