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Literatura

Livro escrito por educadora amazonense revela histórias de terapia em grupo

Na obra “Grupo de Terapia – Compartilhando Histórias”, Patrícia Noronha desvenda o universo da terapia de grupo e conta um pouco das próprias experiências dela nesse ramo da psicologia 29/04/2016 às 04:00 - Atualizado em 29/04/2016 às 19:11
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Patrícia Noronha faz parte de um grupo de terapia, com mais oito mulheres e um homem em Manaus, em que compartilham sonhos frustrados, traumas de infância e segredos jamais revelados (Foto: Divulgação)
Natália Caplan Manaus (AM)

Quando se fala em terapia, muitos imaginam o psicólogo com um caderno de anotações, ouvindo o paciente “reclamar da vida”, deitado em um divã. E em grupo?  “Ah, ninguém precisa saber meus problemas”, pode ser a resposta. Mas quem já teve a oportunidade de fazer esse tipo de acompanhamento sabe que a realidade é bem diferente dos filmes.  E para desvendá-la, Patrícia Noronha escreveu “Grupo de Terapia - Compartilhando Histórias”.

No livro, a amazonense aborda esse universo por meio de experiências reais, oferecendo um olhar diferenciado sobre os problemas que afligem a alma de milhões de pessoas. “Em grupo, você se vê por meio do olhar de outras pessoas; vê que seu problema é pequeno diante do que elas passam”, disse ao revelar algo comum, mas ainda considerado tabu. “Há vários casos de abusos sexuais. Foi chocante para mim, achei que era algo distante”, enfatizou.

A educadora faz parte de um grupo de terapia, com mais oito mulheres e um homem em Manaus, em que todos compartilham sonhos frustrados, traumas de infância e segredos jamais revelados para amigos e familiares próximos. O objetivo do trabalho, inclusive, é derrubar o preconceito sobre esse tratamento e incentivar a empatia. Ou seja, a capacidade psicológica de sentir e se colocar no lugar de outra pessoa.

“Uma conversa com um terapeuta pode ser mais suave do que se imagina. Mesmo que pareça delicado, o assunto é abordado de forma cotidiana e bem humorada. Essa é a proposta do livro: a desmistificação dessas experiências. Estimular a reflexão, colocar-se no lugar do outro e, principalmente, manter-se alerta ao cuidado com as crianças são lições que podem ser destacadas no livro”, explicou a escritora.

Inspiração

De acordo com Patrícia, que também atua no projeto social “Ler Para Crescer” — para estimular o hábito da leitura em crianças e adolescentes — no Manoa, Zona Norte de Manaus, a ideia do livro não surgiu dela. Foi o apoio da psicóloga e dos próprios colegas de terapia em grupo que resultou na publicação.

“Gosto de anotar tudo que me chama a atenção e fiz os registros apenas para entender melhor. Um dia avisei a terapeuta, que achou a ideia maravilhosa. Ela disse para eu mostrar ao grupo e, quem sabe, fazer um livro. Eu pensei ‘de jeito nenhum’ (risos). Levei e li uma parte das 30 páginas na sessão. Todos ficaram emocionados e felizes”, lembrou.

Segundo a educadora, em menos de 15 dias  que o projeto foi enviado à editora Chiado, houve resposta positiva e fechamento de contrato. Porém ela só deu continuidade à escrita após aprovação em uma reunião extraordinária realizada entre os dez membros do grupo e profissionais da psicologia.

“Eu só iria adiante se todos dessem o ‘ok’. Fiquei surpresa; todos concordaram e foi uma grande comoção”, declarou Patrícia, ao enfatizar a importância do livro. “Temos o objetivo de ajudar as pessoas. Ou você vai se ver ou reconhecer alguém”, finalizou.

Lançamento será em ‘dose dupla’

O livro será lançado oficialmente pela editora portuguesa Chiado e fará parte da programação da Feira do Livro de Lisboa, de 26 de maio a 13 de Junho. Entretanto, já está disponível no site da publicadora e, até o fim do próximo mês, deverá chegar às prateleiras da Saraiva — Manauara Shopping. De acordo com a autora, a obra pode ser comprada em formato de e-book ou físico, em euros ou reais.

“Tudo que essa editora lança em Portugal, lança no Brasil. Não teve nenhuma mudança no livro”, afirmou Patrícia, ao ressaltar que sempre teve paixão por ler e escrever. “Escrever um livro era um sonho que eu acalentava há muito tempo. Quem leu disse que é de fácil leitura. ‘Vai ter continuação?’ É a pergunta que sempre me fazem. Já estou escrevendo, mas depende de como as coisas vão caminhar”, revelou.

Com um total de dois anos de terapia, na soma do individual e em grupo, Patrícia Noronha ressaltou o quanto os colegas de tratamento fazem diferença na vida dela. “Fazer terapia individual é bom, mas eu era muito fechada, não compartilhava nem com minha família. Nos apoiamos muito e sentimos que ninguém vai nos criticar, ou julgar. Todos querem o seu bem. Mesmo fora da sessão uma liga para a outra e se organizam para dar apoio”, enfatizou.

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