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REFUGIADOS

Livro vai mostrar o drama dos venezuelanos em Boa Vista e a situação de quem os ajuda

“Operação Acolhida - A Crise dos Refugiados Venezuelanos”, da autora Maria Lima, pretende ser um comovente relato do trabalho humanitário desenvolvido pelos militares e organizações da sociedade civil na capital roraimense 01/09/2018 às 16:03 - Atualizado em 02/09/2018 às 11:14
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Um dos locais onde famílias de venezuelanos se concentram na cidade de Boa Vista e de onde partem para tentar a sorte e recomeçar a vida em Manaus / Foto: Maria Lima/Divulgação
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Nem todos percebem a gravidade e o drama que os imigrantes venezuelanos estão passando ao deixar sua terra-natal e dirigir-se para cidades como Boa Vista e Manaus. Mais notadamente na capital roraimense é que os refugiados buscam sua primeira acolhida, por ser uma região fronteiriça com o Brasil. Foi lá que a administradora e escritora Maria Lima esteve, este ano, para passar dois dias que se transformaram em 40 dias.

O resultado da experiência é o “Operação Acolhida - A Crise dos Refugiados Venezuelanos”, que pretende ser um comovente relato do trabalho humanitário desenvolvido pelos militares e organizações da sociedade civil em Boa Vista. 

O lançamento será dia 13 no Teatro Manauara, a partir de 19h, com entrada gratuita, sessão de autógrafos, exibição de um documentário com duração de 30 minutos sobre o tema a partir de vídeos feitos pela própria Maria Lima e exposição de fotografias.

No local será estendida uma bandeira na cor branca onde quem prestigiar o evento poderá deixar a sua assinatura e que será encaminhada para um dos abrigos de venezuelanos existentes na capital roraimense. 


A escritora Maria Lima acompanhou o drama venezuelano em Boa Vista (Foto: Jair Araújo)

Quem está atuando diretamente na causa humanitária começa a ver a vida de uma forma totalmente diferente, acrescenta a autora. “E eu tento, no livro, mostrar o lado humanitário, sem promover nenhuma instituição, mas sim querendo evidenciar que na hora de sermos solidários não existe religião, classe, cor, ideologia política e nada disso. Esse é o cunho do livro”, descreve a autora.

Independente

A publicação tem caráter independente, traz 100 páginas e foi custeada, diz a autora, com recursos próprios e de amigos colaboradores que fizeram doações. Foram três semanas escrevendo o livro. Na hora de tirar do papel, ela contar ter se desfeito de bens, como o próprio veículo. Metade do que for arrecadado com a venda do livro será convertido em doações para os venezuelanos, e os outros 50% para novas edições da publicação.

“Quis fazer esse livro mostrando para a sociedade que quando a gente quer ajudar, e tem boa intenção, a gente consegue. Cheguei há cerca de quase três semanas após ficar 40 dias em Boa Vista, mas já havia estado lá antes neste ano. Fui para ficar só dois dias e fui me envolvendo, e até hoje recebo mensagens de crianças dizendo que me amam, por exemplo, após darmos um prato de comida. Eles não querem ser peso para ninguém, e sim contribuir. Lógico que em todo lugar vai haver pessoas boas e ruins, mas aí é que está: quem tem que ter segurança pública somos nós brasileiros”, disse Maria Lima.

Segundo ela, a saudade dos familiares é um drama que aflige quem atua na causa humanitária pró-venezuelanos.

Frase

"Quero rodar o Brasil todo palestrando, e sempre sem cobrar, com cunho realmente de conscientização”

Maria Lima, escritora e administradora

Morte, frio e drama nas ruas

Não faltam  relatos chocantes da estadia da autora na capital roraimense. Em Boa Vista, Maria disse ter presenciado até mesmo um assassinato de um brasileiro contra um venezuelano.
“O brasileiro tentou assaltar o venezuelano. Eles estavam em um bar, e o venezuelano tinha um radinho. Acho que após eles consumirem álcool ele reagiu à tentativa de assalto e foi esfaqueado. Eu vi e participei do velório, inclusive”, relata. 

Noutro episódio, ela conta que voltava de uma caminhada em meio à chuva e lhe bateu o desespero para chegar no hotel onde estava hospedada. Em certo momento, passou por um dos locais em plena rua onde os desabrigados estavam, em meio ao frio e sem abrigo, e começou a chorar.

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