Segunda-feira, 20 de Maio de 2019
Vida

Livros são caminho para educar crianças sobre temas 'espinhosos' como gênero e política

Obras com linguagem adaptada para as crianças exploram assuntos de interesse social, como as diferenças entre democracia e ditadura e a igualdade de gêneros



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Sur Distribuidora lançou coleção Antiprincesas no Brasil
07/01/2016 às 12:16

Formar crianças mais conscientes para as questões sensíveis do nosso tempo, como defesa do meio ambiente e justiça social, é um desafio que se impõe cada vez mais nas escolas e dentro de casa. No entanto, tratar esses assuntos com os pequenos pode parecer tarefa cabeluda para pais e professores, mas os livros são um caminho possível.

Com 20 anos de história, recentemente a editora Boitempo abriu seu catálogo para a literatura infantil com a criação do selo Boitatá. O primeiro lançamento foi a coleção Livros para o Amanhã, com as edições inéditas em português dos livros “A ditadura é assim” e “A democracia pode ser assim”. O projeto original é da antiga editora catalã La Gaya Ciencia, que publicou as obras no fim dos anos 70 depois de mais de três décadas de ditadura franquista. 

A coleção é formada ainda por “O que são as classes sociais” e “As mulheres e os homens”, que chegam às livrarias no mês de março. “Percebemos uma demanda dos pais e educadores por esse tipo de livro. Muitos nos relatam que costumam ter dificuldade em encontrar material adequado para trabalhar questões sociais e conceitos políticos com as crianças”, explica a assistente editorial Thaisa Burani.

Ela admite ser “espinhoso” abordar conceitos abstratos de política e sociologia com as crianças, que são indivíduos em formação, mas aponta a discussão da cidadania e diretos humanos como um movimento crescente no mercado editorial. 

“Exige uma sensibilidade editorial muito grande da nossa parte para não cair numa discussão rasa, ou mesmo moralista. Nossa principal preocupação, acima de tudo, é a de criar o interesse por esses assuntos, sem impor dogmatismos, para que a criança desenvolva sua própria autonomia e questione”. 

Selo Boitatá foi lançado com livros sobre política (Divulgação)

Para Thaisa, a coleção chega num momento de ebulição política e social no Brasil, em que as crianças podem ficar sem entender as notícias sobre manifestações e impeachment que veem na televisão ou Internet. 

“Manifestações nas ruas tornaram-se comuns, tanto de direita quanto de esquerda, e nós temos visto os movimentos sociais cada vez mais organizados, clamando por cidadania, por um maior espaço de participação política. As crianças não passam incólumes a isso, elas querem saber, querem entender, participar da discussão”.

Outras princesas

Já imaginou que nem toda menina pode ter uma princesa Disney como ideal feminino? O próprio estúdio de cinema estadunidense, pai de Branca de Neve e Aurora, tem buscado outras referências para compor suas novas heroínas, que têm fugido ao estereótipo de mulher frágil à espera do príncipe encantado.

Para apresentar às crianças outros perfis de mulheres inspiradoras, uma editora de Buenos Aires lançou a coleção de livros “Antiprincesas”, que conta a história de figuras como a artista plástica mexicana Frida Kahlo e a cantora chilena Violeta Parra. O volume dedicado a Frida acaba de ganhar edição em português editada pela Sur Distribuidora, de Florianópolis.

“Esses livros tiveram um retorno fantástico dentro da Argentina e houve muito interesse em outros países, como Chile, Uruguai e Brasil. Começamos a trazer a coleção em espanhol para cá, e quando o interesse espontâneo aumento, resolvi lançar uma tradução em português”, comenta o proprietário da Sur, o argentino Marcelo Duvidovich.

A fama da coleção, indicada para crianças de 8 a 10 anos, também faz Marcelo pensar em estender a proposta para personagens brasileiros. “Me interessa que a criança pense na história das princesas de uma maneira diferente. Afinal, o que é uma princesa? Frida e Violeta foram princesas ativas, participaram da vida, e foram mulheres com posição bem marcada contra o machismo na sociedade”.

O assunto é dinheiro

Com autoria da coach Ana Paula Hornos, o livro “Crise financeira na floresta” propõe uma nova versão da fábula A Cigarra e a Formiga, que acaba por se revelar uma preciosa lição de economia para as crianças. 

A cigarra é uma artista sem preocupação com o lado material da vida e fica devendo folhas à formiga, oferecendo como garantia sua viola, valiosa para todos os bichos da floresta. Porém, nesta versão, a cigarra abusa do fiado também com a borboleta, a minhoca e até com o bicho-preguiça, gerando uma grande “bolha da viola”. 

Lições práticas de como poupar, evitar gastos desnecessários e como distribuir lucros com justiça podem ser extraídas do livro. “É fundamental ensinar, desde cedo, valores de educação financeira às crianças para que se tornem adultos e cidadãos responsáveis, bem-sucedidos e éticos ao lidarem com o dinheiro”, diz a autora.


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