Terça-feira, 19 de Janeiro de 2021
Cinema

Longa de diretor amazonense é selecionado para festival italiano

Terceiro longa-metragem da carreira do cineasta Sérgio Andrade, “A Terra Negra dos Kawa” faz sua estreia internacional na 74ª edição do Festival Internacional de Cinema de Salerno, que acontece de 30 de novembro a 05 de dezembro



Foto_1_-_Cris_Ferreira_FE42B9AA-2531-4292-9F04-7AAF00FC187C.jpg Filme conta com atores indígenas da mesma família (Foto: Cris Ferreira/Divulgação)
26/11/2020 às 19:39

Após pouco mais de dois anos de sua estreia nacional, o longa-metragem “A Terra Negra dos Kawa”, de Sérgio Andrade, toma rumos globais. O filme, que tem a maior parte das falas em línguas indígenas, foi selecionado para a 74ª edição do Festival Internacional de Cinema de Salerno, que acontece de 30 de novembro a 05 de dezembro, em formato online.

Segundo o cineasta, é uma surpresa ver a obra integrar um dos eventos mais antigos do mundo. Para ele, é a oportunidade de descobrir que públicos e comunidades cinéfilas o filme agradará. “Acho que ‘A Terra Negra dos Kawa’ é uma alegoria deliciosa para um segmento ligado à antropologia, à etnografia e às ciências em geral. Outro dia, uma cientista do ramo da alimentação solicitou o filme para uma apresentação privada em um Simpósio/ Doutorado de Ciência. Uma delícia ver os caminhos que a obra percorre, os diferentes públicos”, destaca.



Gravado em Manaus e Iranduba, o terceiro longa-metragem da carreira de Andrade – que assina o roteiro e a direção – conta a história de uma equipe de cientistas que faz escavações em terrenos da área rural da capital para um estudo agrícola e descobre uma misteriosa terra negra, com propriedades medicinais, energéticas e sobrenaturais, no sítio onde vive a tribo indígena Kawa. Ao acompanhar a rotina de trabalho dos índios, que cultivam a terra por meio de técnicas misteriosas, os pesquisadores reagem de diferentes maneiras: Anita (interpretada por Mariana Lima) e Juan (personagem de Felipe Rocha) respeitam as tradições da tribo, enquanto Caetano (Marat Descartes) tem intenções ambiciosas.

Homenagem

Além de atores já reconhecidos nacionalmente, o elenco do filme – que já representou o Estado na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e na Mostra Premiére Brasil do 20º Festival do Rio e foi exibido no Teatro Amazonas – conta com intérpretes indígenas da mesma família: o casal Severiano Kedassare e Emerlinda Yepario e seus filhos Kaya Sara e Anderson Kary-Bayá.

Segundo Andrade, a obra é um tributo a um dos tesouros da região. “É uma homenagem livre à terra preta dos índios, uma riqueza aqui da Amazônia, milenar e milagrosa, que se deve a esse poder telúrico que os indígenas manejam tão bem. Fizemos uma alegoria, uma brincadeira honrosa com uma ciência indígena”, ressalta.

O filme acaba levantando a bandeira da preservação de territórios dos povos ancestrais, com elementos de ficção científica, gênero que agrada o cineasta há bastante tempo. “Sempre estou disposto a enveredar por ele. Entretanto, acredito que a realidade tem sido muito como a ficção científica, estamos soterrados por uma distopia que só Cronenberg ou David Lynch dariam conta”.

 

Ficha Técnica

Roteiro e Direção: Sérgio Andrade

Direção de Fotografia: Yure Cesar

Montagem: Marina Meliande

Produção: Flavia Abtibol, Sergio Andrade,

Direção de Arte: Maira Mesquita

Direção de Produção: Sidney Medina

Produção Executiva: Elenise Maia

Supervisores Musicais: Sergio Andrade, Roberto Russo

Música: Bernardo Uzeda

Som: Felipe Magalhaes, Bernardo Uzeda

Produção: Rio Tarumã Filmes

Elenco: Kay Sara, Anderson Kary Báya, Ermelinda Yepario, Severiano Kedassere, Mariana Lima, Marat Descartes, Felipe Rocha, Anderson Tikuna

Repórter

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