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Longa de Sérgio Andrade chega às salas brasileiras pela Vitrine Filmes, em dezembro

o longa-metragem “A floresta de Jonathas” vai estrear em dezembro, em Manaus, São Paulo e Rio de Janeiro 31/08/2013 às 08:24
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DiretorSérgio Andrade com Sílvia Cruz, diretora da Vitrine
JONY CLAY BORGES ---

Desde que “A floresta de Jonathas” estreou no Festival do Rio, em outubro passado, no que seria o início de uma longa trajetória por eventos aqui e lá fora, muita gente que vem seguindo esse percurso pela imprensa se pergunta quando e onde poderá ver o filme. Agora já dá para agendar: o longa-metragem vai estrear em dezembro, em Manaus, São Paulo e Rio de Janeiro (confira o destaque).

Quem responde pela proeza é a Vitrine Filmes, que há três anos se dedica à distribuição de filmes e coproduções brasileiros, com foco na produção independente. Diretora da empresa, Sílvia Cruz vê boas perspectivas para o longa amazonense. “É um filme com grande valor de produção, com bons atores e uma história interessante”, avalia ela. “Como espectadora, gostei muito”.

Sílvia acredita que o filme tem grande apelo por ter sido feito em plena floresta, no Amazonas, mas nutre grande expectativa pelo público de Manaus em particular. “Tem a questão da regionalidade, as pessoas querem ver uma produção local”, afirma ela, citando como exemplo o caso do filme cearense “Cine Holliúdy”, que estreou primeiro no Nordeste, sem previsão de chegar ao circuito do Sul e Sudeste. “Por isso acredito muito no mercado de Manaus, assim como São Paulo e Rio. Não sei dar previsões, mas há boas expectativas”.

Expectativas

O mercado local, antecipa Sílvia, deverá receber atenção especial. Aí se inclui a realização de exibições em pré-estreia, encontros e divulgação, além de cartazes e trailers para difusão. “A estratégia é tentar divulgar para que as pessoas saibam que o filme existe antes dele estrear no cinema”, explicou ela, numa agradável entrevista ao ar livre na tarde de anteontem, que o leitor confere nesta página.

Diretor do longa, Sérgio Andrade vê a Vitrine como distribuidora perfeita para o longa. “Lá fora, o filme é considerado arthouse, de arte, e acho que é nesse nicho que vai atuar”, afirma ele. Como Sílvia, ele crê que a produção tem potencial atrair a atenção do público. “Não sei como o filme vai se comportar aqui, mas é minha terra e vamos trabalhar bastante, portanto temos as melhores expectativas. No resto do Brasil, o fato de ser produzido em Manaus, com gente de Manaus, talvez desperte interesse grande”.

Apoio necessário

Andrade e Sílvia hoje buscam apoio para a distribuição, entre outros órgãos, da Secretaria de Estado de Cultura (SEC). “Estamos confiantes de receber esse apoio, porque ‘A floresta de Jonathas’ é um marco para o Amazonas. É um filme daqui, com 95% da equipe daqui, um diretor nascido aqui. Também é a primeira vez que um edital para filmes de Baixo Orçamento vem para o Norte. Todo mundo deveria apoiar, pois é um passo inicial forte – daqui a pouco, poderíamos chegar a lamber os pés do que é Recife, hoje um grande polo de cinema”, declara.

Sílvia corrobora dizendo que apoios e parcerias são fundamentais, especialmente para filmes de cunho independente, pois mesmo as chances de cobrir custos da distribuição são pequenas. “É preciso ter dinheiro que você possa gastar sem a preocupação de recuperar, nem que seja pouco. É muito importante o apoio de órgãos de cultura, de editais, e as parcerias com instituições públicas e privadas.

Espaço para o independente

Qual é a estratégia da Vitrine Filmes para distribuir filmes de caráter independente?

A estratégia é divulgar, para que as pessoas saibam que o filme existe antes dele estrear no cinema. A partir da estreia, se você não for bem, sai de cartaz muito rápido. Portanto, é tentar fazer pré-estreia, exibições prévias e divulgação na imprensa, e coisas básicas como trailer e cartaz. Críticas boas e repercussão lá fora e nos festivais internacionais sempre ajudam. E programar bem, em poucas salas, mas onde o publico é mais receptivo e procura por esse tipo de filme.

É difícil encontrar espaço no circuito?

Muito! Tem de ter uma relação boa com os exibidores, de confiança, para eles verem que o filme tem potencial, e trabalhar muito antes, mostrando materiais, críticas, e até oferecendo coisas a mais, como bate-papo com o diretor ou outro evento, para atrair mais pessoas.

Cobrir os custos de distribuição na bilheteria está incluído na estratégia?

Obviamente que não! (risos) Tem de ter apoio, parceria, nem que seja pré-venda para televisão. Partimos do pressuposto de que as chances de não se ter retorno em bilheteria, ou algo minimamente parecido com isso, brinco que são todas! Da bilheteria o cinema fica com boa parte, e ainda há impostos; a renda é pouca. Por isso, é preciso ter dinheiro que se possa gastar sem preocupação de recuperar, nem que seja pouco. É muito importante o apoio de órgãos de cultura, de editais, e parcerias com instituições públicas e privadas.

Qual a proporção desse mercado? Digamos, para cada "Flores raras" lançado no País, quantos outros ficam restritos a um mínimo de salas?

Cerca de um para dez. Isto é, para um “Flores raras”, vai haver cerca de dez independentes. Filmes que passam de 100 mil espectadores são uns dez por ano. Abaixo de 100 mil são 90, e desses, 70 abaixo de 10 mil. Quem me dera trabalhar com os abaixo do 100 mil – a grande maioria são abaixo dos 10, 15 mil. Um ou outro passa disso, mas são casos raros, como o do filme “O som ao redor”.

E qual foi o segredo de “O som ao redor”?

Existem muitos fatores: ele foi muito falado, passou por festivais no Brasil e no exterior, ganhou prêmios. E lançamos em janeiro, com pouca concorrência, exceto “De pernas pro ar 2”. Há muitos fatores – até se choveu ou não no fim de semana de estreia! Não há fórmula, nem para os pequenos, nem para os grandes. Às vezes vira, e todo mundo quer ver.

Além dos cinemas, em que outros canais vocês investem para distribuição?

Tem TV a cabo, cada vez mais – por conta da nova lei, há uma demanda grande (por produções brasileiras) nos canais pagos. TV aberta. Começamos há pouco com Netflix, iTunes. A Internet cada vez mais é o futuro: estamos entrando com todos os filmes no iTunes, três meses após a exibição nos cinemas. O iTunes hoje é a janela que antes era do DVD. Cada vez mais as pessoas estão vendo filmes em casa, pela rede.

O que acha dessa mudança, do declínio do DVD e da ascensão de plataformas online?

Acho ótimo, pois os custos online são infinitamente menores, tanto de levar à loja física quanto de produzir o material. Na plataforma online, só é preciso produzir um encoding, colocar no ar, e ficará disponível para o Brasil inteiro. A pessoa paga, assiste, e você recebe relatórios, tem remuneração. No caso de filmes independentes, pode ser até que mais pessoas vejam o filme na Internet que no cinema.

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