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REALIZAÇÃO

Longe de Manaus há 21 anos, bailarino faz sua estreia no Teatro Amazonas

Companhia criada pelo amazonense Carlos Fontinelle, no Rio de Janeiro, abrirá o Festival Amazonas de Dança 07/09/2017 às 11:00
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Para o festival, Carlos traz o espetáculo de dança contemporânea 'Sobre as ondas do mar' (Foto: Divulgação)
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

Esta sexta-feira (8) tem tudo para ser um dia histórico na vida do coreógrafo e bailarino Carlos Fontinelle. Radicado no Rio de Janeiro há 21 anos, o artista amazonense se apresentará pela primeira vez na sua terra natal, e logo no principal palco da cidade, o Teatro Amazonas. A Vivá Cia. de Dança, criada e dirigida por ele, é a companhia convidada para fazer a abertura do 7º Festival Amazonas de Dança (FAD), que segue com programação variada e gratuita até domingo (10). 

“Nunca consegui ir a Manaus a trabalho, e ter essa oportunidade levando um trabalho da minha companhia é maravilhoso, ainda mais por ser no Teatro Amazonas. A expectativa é total. Minha família inteira mora aí, e também vai ser a primeira vez que eles vão me assistir”, comenta Fontinelle, cheio de orgulho.

Para o festival, a Vivá traz o espetáculo de dança contemporânea “Sobre as ondas do mar”, inspirado na obra do compositor Dorival Caymmi. “Esse trabalho foi pensado na época do centenário do Dorival, três anos atrás, e estreou no projeto Sesi Cultural, no Rio”, conta o amazonense, que assina a direção e coreografia. 

Segundo ele, partindo das músicas de Dorival, o espetáculo constrói uma poética sobre o mar, o movimento das águas e a vida de pescador. Diego Endrigo, Luana Barros, Gabriela Mattos, Joane Mota, Erick Simões e o próprio diretor são os bailarinos que aparecem em cena ao longo da apresentação, que ainda conta com trilha sonora executada ao vivo pelo músico Thiago Garcia e pelos cantores André Sigom e Gisele Leal.

Voando mais alto

O trabalho de Carlos Fontinelle vem se consolidando no Rio de Janeiro, cidade que ele escolheu para viver. Com contrato assinado com a Rede Globo desde 2014, o coreógrafo acumula experiência em peças de teatro, musicais, quadros de televisão – como o “Artista Completão” e “Show dos Famosos”, do “Domingão” – e até no Carnaval carioca. Dentre os destaques mais recentes está a participação do amazonense nas equipes de coreografia do encerramento da Copa do Mundo e da abertura dos Jogos Olímpicos.

Mas toda essa paixão pela dança vem de muito antes, quando Fontinelle mal tinha entrado na adolescência. “Eu ainda era estudante quando me interessei por uma aula de teatro no Liceu Cláudio Santoro. Na verdade, fiquei apaixonado. Sempre fui muito ligado à arte, mas não sabia ainda o que queria”, lembra ele, que chegou a participar de eventos folclóricos em Manaus, mas ainda sem pretensões profissionais.

“Vim para o Rio aos 12 anos morar com uma tia. Comecei a procurar aulas de dança, dar aulas de teatro e canto... Tudo foi meio precoce na minha vida, minha mãe foi muito corajosa e sempre me incentivou”. Aos 15, Fontinelle recebeu seu primeiro cachê depois de um trabalho na Globo, como bailarino do programa “Gente inocente”. “Nunca gostei de focar num estilo só, por isso consigo atuar em muitas vertentes. O artista tem que ser desprendido de modelos e estar sempre aberto a novas aventuras”, opina.

Anos depois, ele começou a investir em trabalhos autorais. Em 2012, fundou a Vivá Cia. de Dança, e em 2016 recebeu uma menção honrosa no 11º Prêmio Zilka Salaberry pelo espetáculo “Pé de Cachimbo”, que busca inspiração em lendas das diversas regiões do Brasil.

Passado tanto tempo, o coreógrafo se arrepende de alguma coisa? “A saudade de casa é a mesma, e a vontade de nunca ter saído, também. Mas, para crescer e ir mais longe, precisei disso. Hoje em dia é um pouco diferente, mas ainda é preciso trabalhar muito para ser alguém. Não me arrependo, mas não foi fácil”.

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