Quarta-feira, 20 de Novembro de 2019
SUSTENTABILIDADE

Mãe Natureza dá sua matéria-prima para o exótico Festival do Mocambo

Alegorias e adereços usados pelas quadrilhas, pássaros e bumbás são feitas a partir de matéria-prima da floresta, como cipós, palhas, juta, cascas de madeira e outros. 



WhatsApp_Image_2019-07-27_at_17.57.35_0FD85CA5-7A5E-4329-9402-B0034E306148.jpeg Jadson Pimentel, artista do Touro Branco, trata a natureza como maior apoiadora dos bumbás do Mocambo (Foto: Euzivaldo Queiroz)
27/07/2019 às 18:39

A Mãe Natureza é uma das principais fontes de matéria-prima de todas as grandiosas estruturas alegóricas do Festival Folclórico do Mocambo do Arari, na Zona Rural de Parintins (a 325 quilômetros de Manaus). E não,não estamos exagerando.

A característica principal das alegorias dos bois-bumbás, que se apresentam neste sábado e domingo no Mocambódromo, e demais associações folclóricas do Mocambo é que elas são feitas a partir de matéria-prima da floresta, como cipós, palhas, juta, cascas de madeira e outros. É comum haver alegorias confeccionadas de, por exemplo, cipós trançados firmemente ou madeiras que formam a base de alegorias esculturais como a Mãe Natureza da dança Pássaro Jaçanã. Ou de tetos e paredes serem revestidos de palhas, como a gigantesca oca do Pássaro Pavão Misterioso. Outra curiosidade: as roldanas, engenhocas em forma de rodas necessárias para a locomoção das estruturas alegóricas, são feitas de madeira!



“Quando tiramos a madeira de um local da mata, no outro ano não retiramos mais para que ela possa crescer novamente por três anos”, explica o artista de alegoria Jadson Pimentel, responsável por estruturas como o ritual “Deni", que estará em cena neste domingo pelo Boi Touro Branco. A estrutura impressiona: um imenso gorila feito quase que na sua totalidade de cipó e madeira tapicirica e pau-caboclo. Em meio a cascas de madeira e palha, Pimentel é enfático: “É a Mãe Natureza nossa maior apoiadora pois nossa matéria-prima vem dela".

Roldanas de madeira

O diretor-financeiro do Espalha Emoção, Caetano Mendonça, pede para a reportagem prestar atenção num fato curioso: as roldanas feitas em madeira e os cipós de tacitara. A base sustenta um boi-bumbá amarelo revestido de curiosos trançados de cipós em meio a palhas.  

O criador da associação folclórica, Edivaldo Caldeira, o “Baruka", ressalta a importância da utilização desses materiais regionais por parte do Espalha Emoção. “As madeiras que utilizamos são de azimbre, não de lei. São as reflorestada, conhecidas como madeiras brancas”, reforça ele. 

O “banho” de sustentabilidade no reaproveitamento do que vem da mata além de louvável é uma lição que a floresta não quer nada mais que respeito e consciência ambiental. Que fique a lição dada pelos povos da floresta.

Repórter de A Crítica

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