Terça-feira, 16 de Julho de 2019
Vida

Mães comentam as maravilhas e os desafios diários de maternar

“Essa mulher maravilha, que arruma casa, cuida de filho, da casa, trabalha fora, vai pra academia, salão e vive feliz, só existe na capa de revista”



1.jpg A estudante Ingrid Souza, 21, mãe em “carreira solo”, diz que continuar vaidosa é um dos desafios
27/02/2016 às 20:35

Mesmo com o amor pelos filhos em comum, os pontos de vista que as mães nutrem sobre o ato de maternar são, por vezes, distintos. Exemplo disso é a polêmica campanha que ocorreu no Facebook recentemente, chamada “Desafios da Maternidade”.

Nela, as genitoras deveriam postar fotos com seus filhos que traduzissem as delícias de ser mãe, e muitas o fizeram. Outras mães, porém, endossaram o coro de que nem “tudo é um mar de rosas” e o debate ficou polêmico: teve mãe dizendo que ama o filho, mas que detesta a nova função - e críticas voaram de todos os lados.

Selecionamos então, algumas mães que compartilham conosco hoje as maravilhas e dificuldades da maternidade, e seus impactos nas mulheres que foram e que se tornaram.

Novo olhar

A estudante Ingrid Souza, 21, não planejou ser mãe. Mas aí a pequena Maria Alice, de 4 meses, veio e se tornou o mais grato presente de sua vida. Ela, que é mãe em “carreira solo”, cria a filha com o apoio dos pais.

“Ser mãe e continuar vaidosa é um desafio, sempre me cuidei até mesmo durante a gravidez, mas agora com o nascimento da Maria Alice é um pouco mais difícil por conta da vida corrida e das noites pouco dormidas. Mas é só uma fase. Sinto que já consigo conciliar algumas coisas da maternidade com o meu bem estar. Está sendo gostoso voltar a cuidar um pouco mais de mim aproveitando o sono da tarde da Maria Alice para isso”, ressalta, enfatizando: “De todas as decisões, a de me tornar mãe foi a única que fez sentido”.

Perspectivas

A estudante de enfermagem Ana Santana, 22, parou de trabalhar fora com a chegada de Ana Júlia, de 8 meses. Depois da gravidez, ela resolveu fazer laços para vender, de modo com que o trabalho não a tirasse de perto da filha, mas sem que ela parasse com as atividades. “Faço entregas e quase sempre minha filha vai junto”, diz ela, que confessa: quando a filha nasceu, ela não sentiu o famoso amor arrebatador.

“Só de pensar que no outro dia teria que fazer tudo de novo, chorava mais ainda. Mas com o tempo tudo foi se ajeitando, o amor foi crescendo e cada dia eu a amo mais”, pondera. “Não amo o trabalho de ser mãe, mas sim o resultado dele. Ninguém gosta de trocar fralda, arrumar brinquedo, correr atrás de criança e várias outras coisas. Mas amo ter a companhia dela, amo vê-la limpinha e cheirosa”.

Em tempo integral

“Uma mãe feliz cria filhos mais felizes” é o lema da designer de moda Déborah Cabral, 32. A primeira gestação (de Marco Antônio, 7) foi uma surpresa – Déborah ainda estava na faculdade. “A segunda (de Maria Esther, 1) foi totalmente planejada. “Na primeira eu era mais nova e cometi ‘falhas’ que procurei não cometer na segunda! Na segunda já havia atingido uma maturidade, que fez com que eu me cobrasse menos e curtisse mais”, coloca ela. A Déborah mãe – ela declara - está sempre em primeiro lugar.

“Nem por isso deixo a Déborah mulher de lado, mas depois deles, mudei para melhor em todos os sentidos”, complementa.Marco tinha dois anos quando Déborah terminou a graduação, e ela admite ter sido difícil retornar às atividades com ele ainda pequeno. Na gestação de Esther, Déborah resolveu vivenciar melhor os primeiros anos da filha – e aproveitar mais o primogênito, também. “Decidi que a maior parte do meu tempo seria dedicada a eles”, afirma ela. Os planos profissionais, por sua vez, foram pausados.

“Não me considero uma profissional frustrada, sei que ainda irei atuar na minha área, só não tenho pressa”, destaca ela, que enfatiza: vale a pena se doar integralmente à maternidade. “Os filhos crescem e vão viver seus sonhos, com isso, quero aproveitar enquanto posso estar grudada neles. É importante tirar um tempo para o meu marido, não descuidar do casamento... mas aprendi com a minha mãe que os filhos não pediram para nascer e eles merecem mais dedicação e menos egoísmo dos pais”. 

Conciliação

A advogada Ana Virgínia Fanali, 35, acabou de ser chamada em um concurso público e voltou a trabalhar, depois de viver um ano exclusivamente ao lado da filha, Maria Carolina, hoje com 1 ano e 2 meses. “Trabalho de manhã e à tarde, venho em casa correndo porque minha filha ainda mama no peito”, comenta ela, que assume: a saudade é forte. A mãe teve que substituir os saltos altos e vestidos pelas sandálias baixas e calças jeans, para ir atrás da filha - que já anda. Ana destaca ainda que mães de primeira viagem nunca estão realmente preparadas para a maternidade.

“A gente só vê a beleza de ser mãe. Mas tem um lado sombrio, cansativo, solitário... mais para as mães que realmente se preocupam com amamentação exclusiva, se preocupam em se dedicar exclusivamente ao filho. Porque tem muita mãe que não consegue amamentar ou simplesmente não quer mesmo”, coloca ela, que vê no marido um grande apoiador na hora de fazer a filha voltar a pegar no sono, de madrugada.

“Porque essa mulher maravilha, que arruma casa, cuida de filho pequeno, faz almoço, lava roupa, trabalha fora, vai pra academia, salão e ainda vive feliz, isso só existe em capa de revista”, encerra.

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