Quinta-feira, 23 de Maio de 2019
Vida

Mães no ‘batente’ têm filhos mais produtivos, diz pesquisa

O tal levantamento foi realizado em 25 países e compilou informações de 50 mil pessoas nas idades de 18 a 60 anos



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Estudo indica que as mães que sustentam empregos fora de casa tendem a criar filhos mais responsáveis e produtivos
03/07/2015 às 14:56

A empresária Gigriolla Silva trabalha desde que a filha, a acadêmica de Odontologia Karoline Oliveira, era muito pequena. “Ela ficava com a minha mãe ou com minha sogra, e depois consegui uma escolinha para ela e ela passou a ficar lá”, lembra a mãe. Hoje, a filha já é uma mulher de 24 anos e garante que essa postura da mãe a influencia em praticamente tudo. “Me incentivou a ser independente e a buscar sempre a minha família”, pontua.

Fazendo jus à postura de Gigriolla e de muitas outras mães pelo Brasil, uma pesquisa publicada pela Universidade de Harvard, nos EUA, apresentou algo que pode ser acalentador aos ouvidos de mães que sempre trabalharam fora do lar. O estudo indica que as mães que sustentam empregos fora de casa tendem a criar filhos mais responsáveis e produtivos, tanto nas áreas pessoais quanto nas profissionais. O tal levantamento foi realizado em 25 países e compilou informações de 50 mil pessoas nas idades de 18 a 60 anos.

Silva afirma que, por estar inserida no mercado de trabalho e ver como tudo funciona, sempre procurou passar para a filha e ao filho mais novo todos os valores. “Sempre passei pra Karol, por exemplo, que ela precisava ser responsável com tarefas, seja da rua ou de casa”, diz. E mesmo trabalhando fora, Gigriolla aponta que, por passar o dia longe, sempre estimulou os momentos em família, como uma hora específica para todos comerem juntos, ou para todos ajudarem com as obrigações de casa.

Segundo a mãe, tanto nos estágios quanto nos empregos a moça sempre foi bastante elogiada como profissional. “Ela sempre foi responsável e dedicada com tudo o que faz”, define, lembrando que trabalhar fora não é sinônimo do abandono aos filhos e marido. “Ao final do dia, é importante conversar sempre sobre como foi aquele dia, verificar se há alguma dificuldade em algo. A gente acaba se desdobrando mais com a família quando trabalha fora e chega à noite, por querer aproveitar o momento com eles”, destaca.

E a própria Karoline avalia o quanto foi e é crucial observar a caminhada profissional da mãe. “De tanto observar, a gente pensa que quer ser igual. Sempre vi minha mãe trabalhando fora, passava o dia sem vê-la. À noite, era perceptível o cansaço dela, mas ao chegar ela fazia comida, cuidava de nós e da casa e me ajudava com as lições de casa, perguntava sobre o meu dia. Conforme fui crescendo, aprendi a criar esse hábito de compartilhar minha rotina com ela”, reflete.

Tempo de qualidade

Três dias após o parto dos gêmeos Luís Mário e Marcos Paulo, atualmente com 12 anos, a empresária Adriana Cordeiro voltou ao batente. “Os tive num dia 25 e, no dia 28, eu, de dentro da maternidade, fui obrigada pela responsabilidade a organizar um evento por telefone”, revela. Mesmo tão novos, os filhos compreendem bem o espírito “workaholic” da mãe. “Eles dizem que, quando eles casarem, querem uma mulher que trabalhe fora, que seja meu espelho”, diverte-se.

Para Cordeiro, os filhos pensam assim porque a veem como uma mulher que ajuda, proporciona e provém. “Às vezes eles me questionam por que eu não vou pegá-los na escola, por exemplo. Eu sempre digo ‘vocês não gostam de coisas boas? Então a mamãe precisa trabalhar. É por isso que pago motorista para levar vocês”, comenta ela. Quanto à responsabilidade, segundo a mãe, os garotos são super responsáveis e tiram notas boas. “Eles fazem aulas particulares de reforço, porque como não posso ensiná-los, pago uma professora”, conta.

Questionada se sente falta de levar os filhos à escola, Adriana assegura que não. “Quando estamos juntos todas as noites, nós jantamos e conversamos sobre o que aconteceu no dia de cada um. Quando a gente trabalha fora, tem uma responsabilidade maior para fazer com que os momentos sejam mais proveitosos e de qualidade entre a família. Não adianta passar o dia todo com o filho e gritar, ferir, não cuidar da relação. Trabalho a distância de forma positiva com eles”, encerra.

Fátima Mendes

Psicóloga do Hapvida

“Se os pais procuram ter um bom relacionamento com os filhos e gostam de sempre aconselhá-los, a pesquisa diz a verdade. Desde que os pais deem sempre o suporte ao chegar em casa, que orientem-os sobre coisas do dia a dia, procurem saber como foi o dia dos filhos. A mãe também precisa falar um pouco de si para os filhos, contar um pouco do dia dela no trabalho. Isso é importante para o crescimento psicológico do filho porque auxilia na formação da personalidade da criança. Já a mãe que sai todos os dias para trabalhar fora, tem dificuldade em partilhar a própria vida e não tem interesse em saber o que os filhos fazem, não está cuidando. As crianças podem entender que não são queridas, e podem até desenvolver rebeldia e apresentar dificuldades na escola ou desenvolver um estado depressivo no futuro por conta de coisas que acontecem no período de 5 a 11 anos, período de formação da personalidade. Mas não significa que todas as crianças ou jovens vão desenvolver.”


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