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EM PLENA FORMA

Manauaras se mantêm fiéis às 'origens' da música colecionando discos de vinil

Formato criado em 1948 ainda atrai adeptos e completou 70 anos. Amazonenses contam que discos superam qualquer outra mídia digital e falam sobre o prazer em colecionar 23/06/2018 às 15:21 - Atualizado em 24/06/2018 às 09:02
Show disco
Christian Rodello, que atua como DJ, tem coleção de 1,5 mil discos (Foto: Antônio Lima)
Tiago Melo Manaus (AM)

Chegar aos 70 em plena forma, com o mesmo corpinho de anos atrás, ostentando uma beleza rara e sendo adorado por muitos, é um feito para poucos. No caso, quem alcançou a façanha foi o disco de vinil, que este ano completou seu 70º aniversário e cada vez mais vem reassumindo o seu lugar na preferência dos fãs de música.

Criado em 1948 pelo engenheiro Peter Goldmark, da Columbia Records, o disco de vinil, após perder mercado para os compatic discs, os CDs, na década de 80, tem conquistado novos adeptos desde os anos 2010. Objeto de cobiça para muitos colecionadores, o formato possui certo ar de nobreza midiática em relação aos demais meios.

Para o empresário Diego Toledano, de 25 anos, seja pelo caráter artístico que o cerca ou pela qualidade sonora que acompanha as músicas neles gravadas, colecionar vinil é um hobby fantástico. O colecionador, que sempre foi apaixonado por música, conta que entrou nesse mundo meio que por acidente quatro anos atrás.

“Um amigo meu tinha comprado uma vitrola e decidiu vendê-la pouco tempo depois. Aproveitei que tinha alguns discos antigos da Madonna em casa e dois novos que tinha comprado apenas para colecionar e comprei o tocador. Daí pra frente, descobri o prazer que é parar por uma hora e ouvir um trabalho artístico por completo, entendendo as faixas e a costura entre elas”, afirma.

Dono de uma coleção que já passa de 200 discos, com alguns exemplares raros, como o caso de “MDNA”, álbum lançado por Madonna em pequena tiragem em 2012, e hoje avaliado em R$ 1 mil, Diego afirma que colecionar discos é uma experiência completa.

“Você tem em mãos a capa do disco em um formato grande, e isso te ajuda muito a entrar no clima. Além disso, tem o fato do som do vinil, tocado em equipamentos apropriados, superar qualquer outra mídia”, diz ele, revelando que recentemente adquiriu dois álbuns novos, “Homogenic”, da Bjork, e “No Shame”, da Lily Allen, e que já está de olho em “Melodrama”, da Lorde, e “Day & Age”, dos The Killers.

Diego conta também que, agora que trocou sua vitrola por um tocador profissional, tem se voltado com mais atenção para os clássicos do rock e do pop. “Estou impressionado com a qualidade de áudio, o que tem me incentivado a encontrar mais clássicos. Contudo, como os valores dos discos novos são muito altos por serem fabricados apenas fora do Brasil, o objetivo é comprar mesmo os que amo”, comentou o jornalista.

Vício

“A música é um hobby que levo muito a sério. Faz sentido?”, questiona o engenheiro florestal Christian Rodello, de 43 anos, que também atua como DJ nas horas vagas. A pergunta não é para menos. Com uma coleção de mais de 1,5 mil discos e 2 mil compactos, Ruderal, nome pelo qual é conhecido quando assume as pick-ups, é um profundo conhecedor da música brasileira e africana.

“Eu já era músico antes de começar a discotecar e a colecionar, mas esse negócio de ter banda me dava preguiça, então, pensei, por que não viro DJ. Pensei que seria uma forma de mostrar pras pessoas um pouco do que eu conhecia, e achava legal, e de continuar tocando”, comentou Rodello, que há 8 anos começou a sua coleção.

Natural de São Paulo, Rodello ressalta ainda que desde a primeira vez que assumiu uma pick-up e nela colocou pra rodar seus discos de vinil, nunca mais quis saber do meio digital como DJ. “O vinil é como uma cerveja artesanal de tiragem limitada que merece ser saboreada com calma. Porém, isso pode acabar virando um vício. Eu mesmo, por exemplo, se deixar compro vinil todo dia”, conclui o DJ.

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