Quarta-feira, 22 de Setembro de 2021
CULTURA BARÉ

'Manaus Hot City': curta integra tradicional retrospectiva do cinema brasileiro

“21ª Retrospectiva do Cinema Brasileiro” acontece de forma virtual e segue até o dia 23 de dezembro



MHC_Fotos_1.1.19__1__500F2670-C568-4177-AC4F-0B04F9E8D3FB.jpeg Foto: Divulgação
16/12/2020 às 11:54

Afetividade, amizade e delicadeza. Esses são os principais ingredientes do curta-metragem “Manaus Hot City”. Dirigido por Rafael Ramos, estrelado por Maria do Rio, Franklin Kitzinger e Vanessa Moraes, o filme de 15 minutos foi selecionado para integrar a edição exclusiva da “21ª Retrospectiva do Cinema Brasileiro”, uma seleção nacional que busca dar visibilidade à produção cinematográfica brasileira contemporânea, por meio de um recorte que reflete a diversidade de estilos, vozes e linguagens.

Em 2020, serão exibidos 20 filmes, sendo 10 longas-metragens e 10 curtas-metragens. O filme integra a retrospectiva, juntamente com outros destaques do cinema nacional, nomes como “Inabitável e Alice Júnior”; “Diz A Ela Que Me Viu Chorar”; “Meu Amigo Fela” e “Nóis Por Nóis”. As gravações do curta aconteceram em 2019 e apresenta uma metrópole envolta pelo calor e o saudosismo.



Rafael Ramos conta a importância de ter o Manaus Hot City selecionado para representar o que teve de melhor do cinema brasileiro em 2020. “Foi um ano muito ruim, pois muitos eventos deixaram de acontecer de forma presencial e, em relação à sala de cinema, ver como o filme chega no público faz muita falta. Essas trocas são fundamentais pra gente amadurecer como realizador. Entretanto, com a possibilidade virtual, o filme pode ser visto por mais pessoas, alcançando várias regiões do país e até fora. Fiquei muito feliz do filme ter alcançado destaque nacional, assim como o outro filme amazonense “O barco e o Rio”.  Acho que isso reflete o bom momento que o cinema amazonense está passando.”, reflete o diretor do curta.

Os destaques citados por Ramos, são alguns dos festivais tradicionais do país, como o Kinoforum, Vitória, Cine PE e o Festival Curta Cinema 2020.

Processo Criativo

À frente de produções como “Aquela Estrada”, “Formas de Voltar para Casa” e a “Menina do Guarda-Chuva'', o diretor explica como a sua relação com a literatura deu ares a um roteiro experimental e singelo. 


O diretor Rafael Ramos explicou como se deu o processo criativo do curta. Foto: Divulgação

“Eu tenho uma relação próxima com a literatura, então parti desse ponto para elaborar o roteiro.  Escrevi um poema chamado Manaus Hot City, onde pude colocar tudo que a cidade representa pra mim: calor, afeto, saudade, comida, etc. O poema foi um guia conceitual do filme, a partir dele eu desenvolvi a minha ideia, que era falar sobre dois amigos que resolvem se encontrar para almoçarem juntos. Queria fazer algo bem singelo e que fosse simples de filmar”, explica.

Manaus Hot City é um filme totalmente independente, feito por uma equipe pequena, que conforme Rafael, agregou muito valor a vivência de cada um no projeto. “Eu acredito que isso foi a maior potência do filme, e o que fez ele se destacar mesmo com poucos recursos. Fazer cinema hoje pra mim tem a ver com isso, conhecer as pessoas com quem produzo, saber o que motiva cada um deles. O processo é muito mais importante que o resultado. O prêmio disso é você fazer uma obra em que você acredita”, finaliza.

Protagonista do curta, Maria do Rio, descreve como o filme retrata a realidade de uma das cidades mais quentes do país. “Queria que as pessoas falassem que Manaus é quente e sentissem orgulho disso, o nosso clima é parte essencial da nossa cultura, é parte de quem somos, nós somos uma cidade quente, um povo quente e molhado. A chuva e o sol são qualidade da nossa cidade, porque elas nos trazem boa colheita e boa saúde”, enfatiza.

Para ela, 2020 foi um ano de resistência, frente às inúmeras dificuldades que a produção cinematográfica vem enfrentando. “Apesar do momento difícil que o cinema brasileiro está passando, com a extinção da Ancine, principal incentivadora dessa linguagem artística no Brasil, acredito que o cinema ressurgirá mais forte do que antes. Participar desses festivais em um ano difícil de pandemia, é um privilégio, é uma oportunidade de resistir e continuar a produzir vida”, destaca.

Exibição

Devido à pandemia da Covid-19, a 21ª retrospectiva acontece de forma online e segue até o dia 23 de dezembro. A mostra compõe a série #CinemaEmCasaComSesc, na plataforma do Sesc Digital (sescsp.org.br/cinemaemcasa), que já acumula mais de 1 milhão de visualizações, desde seu lançamento, em junho deste ano.

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