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Manaus recebe celebrado espetáculo do grupo mineiro Ponto de Partida

Celebrada em apresentações no País e no exterior, a montagem do grupo mineiro Ponto de Partida evoca a cultura, a arte, a identidade e as tradições do povo brasileiro por meio de música, dança e encenação 26/10/2013 às 08:53
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No palco, integrantes do elenco encenam canções populares por meio do canto e da dança. Objetos cênicos simples, como lençóis e enxadas, ajudam a compor paisagem cênica
JONY CLAY BORGES ---

Clássicos do cancioneiro brasileiro ganham vida no musical “Travessia”, que terá a sua primeira apresentação em Manaus neste domingo (27), às 19h, no Teatro Amazonas. Celebrada em apresentações no País e no exterior, a montagem do grupo mineiro Ponto de Partida evoca a cultura, a arte, a identidade e as tradições do povo brasileiro por meio de música, dança e encenação.

Em “Travessia”, as composições de grandes nomes da Música Popular Brasileira dão origem a coreografias e representações, numa linguagem cênica inovadora. No palco, os integrantes do elenco cantam, dançam e desenham o espaço cênico com acessórios simples, como enxadas, paineiras e lençóis. “Utilizamos apenas instrumentos de trabalho, que se transformam na apresentação. Uma hora são instrumentos de trabalho, outra hora são um elemento festivo”, explica Regina Bertola, responsável pela concepção e direção da montagem.

A seleção musical, naturalmente, é destaque na montagem, que traz inúmeras canções emblemáticas da MPB. Entre elas, “Arrumação”, de Elomar; “Bola de meia, bola de gude”, “Maria, Maria”, de Milton Nascimento e Fernando Brant; “Águas de março”, de Tom Jobim; “Isso aqui é o que é”, de Ary Barroso; “Cio da Terra”, de Milton e Chico Buarque; “O casamento dos pequenos burgueses”, de Chico; “Templo”, de Chico César; “Cajuína”, de Caetano Veloso; e “Procissão”, de Gilberto Gil. “É uma seleção de peso. Com ela sem dúvida ganharíamos a Copa!”, brinca Regina.

‘Brasilidade’

Além de passar por diversas cidades brasileiras, “Travessia” já foi encenado em bem sucedidas temporadas na África, na América Latina e na Europa. “Ficamos receosos sobre como ele seria recebido em lugares como França e Alemanha, mas foi um encantamento impressionante”, recorda Regina.

Para a diretora, o longevo sucesso da montagem, que já soma 22 anos na estrada, deve-se à novidade da linguagem, à qualidade da produção – do repertório ao elenco – e à marca brasileira “estampada” na produção.

“É esse sentimento de brasilidade que o espetáculo guarda, e que impressiona as pessoas fora do País, e no Brasil traz uma identificação forte”, avalia Regina. Nas apresentações, ela conta, a reação da plateia é intensa. “Eles cantam junto, ficam até depois do final, não nos deixam sair do palco”.

“Travessia” vem em Manaus com patrocínio da Vivo, por meio do projeto Vivo EnCena, com apoio institucional da Secretaria de Cultura do Amazonas.

Encontro com o grupo

Depois da apresentação no Teatro Amazonas, a diretora Regina Bertola e integrantes do Grupo Ponto de Partida participam da série Encontros Vivo EnCena. Com o tema “Teatro e Transformação”, o debate será mediado pelo pesquisador e curador do Vivo EnCena, Expedito Araujo.

Com 32 anos de trajetória, o Ponto de Partida desenvolve uma linguagem única para musicais brasileiros. O grupo já adaptou obras de autores como Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Manoel de Barros e Adélia Prado, além de Milton Nascimento e Chico Buarque.

O apego às origens e à cultura brasileira estão no eixo do trabalho do Ponto de Partida. “Uma decisão que tomamos foi a recusa a sair de nossa cidade (Barbacena-MG) para fazer sucesso. Nossa obra, sim, cruzaria fronteiras e percorreria o mundo. Outra é que sempre estaríamos envolvidos com a cultura do Brasil, e por isso estamos sempre envolvidos com a música”, explica Regina.

Os trabalhos do grupo, segundo a diretora, são sempre criações coletivas. “Somos um grupo que trabalha com a criação de sua própria dramaturgia”, afirma ela, contando que “Travessia” surgiu da proposta de mostrar a musicalidade do povo brasileiro num espetáculo. “ Assim são todos os espetáculos: proponho um tema, oriento os improvisos e, quando acho que há uma quantidade ‘suculenta’, o trabalho ‘pare’ e dá origem a uma dramaturgia”.

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