Quinta-feira, 03 de Dezembro de 2020
Gastronomia Ancestral

Manaus recebe primeira casa de cultura e comida indígena

Localizado no Centro Histórico de Manaus, Biatüwi - Casa de Quinhapira foi idealizado pelos indígenas João Paulo Barreto e Ivan Barreto, ambos da etnia tukano, e Clarinda Maria Ramos, da etnia sateré-mawé



Foto_de_Ana_4BE96EB2-FAAE-4CD7-93CF-95DB1C4128D3.jpg Quinhapira é o carro chefe do estabelecimento (Foto: Ana Paula Lustosa/ Divulgação)
19/11/2020 às 12:55

A gastronomia milenar e os temperos da floresta dão os toques da primeira casa de cultura e comida indígena da capital amazonense: “Biatüwi”. Localizado no Centro Histórico de Manaus, o espaço – construído pela união de várias mãos – garante uma reconexão com a natureza por meio da alquimia culinária dos povos nativos, que comandam a cozinha.

Biatüwi foi idealizada por três indígenas: João Paulo Lima Barreto e Ivan Barreto, ambos da etnia tukano, e Clarinda Maria Ramos, da etnia sateré-mawé. De acordo com João, ou melhor, Yupuri, o objetivo da casa de cultura e comida – que vai muito além de um restaurante – é mostrar um pouco da história e dos costumes dos povos que representam os primeiros habitantes do País.



“Através da comida, queremos falar do que somos, de onde viemos, da floresta, da terra e da importância de manter essa conexão de forma equilibrada. Nosso objetivo é também mostrar que a terra nos dá todas as condições de viver”, ressalta.

Conhecida como a comida dos deuses, a Quinhapira – feita à base de água, pimenta e sal – é o carro chefe do ambiente, que funciona em horário de almoço (de 11h30 até 15h) e jantar (de 17h até 22h). Segundo João/Yupuri, o alimento pode ser servido com tucupi como tempero, com peixe ou sem. Aos visitantes, o prato significa boas vindas e, aos viajantes, acolhimento e desejo de boa viagem.

Além de agregar mais valor à rica história dos povos nativos – contando, inclusive, com atendimento do kumu (pajé) de 8h até 16h, para quem desejar – Biatüwi foi construída para incentivar o desenvolvimento de jovens indígenas, muitas vezes discriminados e sem um lugar de referência na cidade. “Estamos com essa política de envolver a juventude indígena, para que participem com a gente e falem disso. Estamos tentando lutar para que eles tenham auto-estima e se orgulhem de ser indígenas”, pontua.

Iniciativa Apoiada

A proposta de implementar a Casa de Cultura e Comida Indígena vem de muitos anos, mas saiu do papel a partir do apoio de muitas pessoas, especialmente da chef responsável pelo restaurante Caxiri Amazônia, Débora Shornik. “Tivemos a sorte dela cruzar com a nossa caminhada. Isso nos fez sentir seguros do que estávamos querendo. Ela abraçou essa luta e começou a fazer campanha na sua rede de conexão para captar recursos”, especifica João.

Débora comenta que, quando o conheceu, ficou fascinada com uma palestra dele intitulada “Floresta – Uma grande Casa”. “Encantada com seus dizeres sobre a natureza das coisas e apaixonada pela comida que estavam apresentando ali, eu me questionava: por que não temos comida indígena na cidade? Ele me contou que tinham o sonho de ter um espaço e que já tinham tentado, mas sem sucesso. Foi então que eu comecei a sonhar junto”, enfatiza.

De acordo com ela, a cozinha dentro da Casa de Comida e Cultura representa a expressão física da ideia de empoderar e desmistificar o lado empreendedor dos povos nativos. “A gente acredita nas pessoas, nos movimentos socioambientais, na mudança da sociedade. Dar voz significa temperar os sentidos da vida de outra forma. O alimento da alma se completa com o que comemos. Vem daí o início de tudo. E eles são o início de tudo por estas bandas”.

 

Serviço:

o quê: Biatüwi – Casa de Quinhapira

onde: Rua Bernardo Ramos, 97, Centro de Medicina Bahserikowi (no Centro Histórico de Manaus)

Horário de Funcionamento: Almoço - das 11:30 às 15h - Jantar - das 17h às 22h

Reservas: (92) 98832-8408

Repórter

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