Domingo, 20 de Outubro de 2019
Dança

Marcelo Mourão fala sobre expectativas para apresentação no Teatro Amazonas

O espetáculo de balé clássico, intitulado “Marcelo Mourão Gomes no Teatro Amazonas” envolve balés como “Apollo”, “Tristesse”, “Toccare”, entre outros



08-08-2016_COLETIVA_E__MASTERCLASS_-_FOTO_NATHALIE_BRASIL___2_.jpg Ao chegar em Manaus, o bailarino ministrou um masterclass para alunos do Liceu de Artes e Ofícios (Foto: Nathalie Brasil/Divulgação)
09/08/2016 às 14:39

O principal bailarino do American Ballet Theatre, sediado em Nova York, chegou em Manaus todo cheio de nostalgia. Também pudera: sua terra natal não poderia lhe despertar outras emoções. “Realmente é emocionante. É um nervosismo que me ajuda a dançar, e eu me sinto super calmo e com os pés no chão, firme e forte. Não sinto um nervoso que me deixa fora do chão”, disse o bailarino Marcelo Mourão, que se prepara para apresentar à capital amazonense a sua tão importante criação coreográfica nos dias 12, 13 e 14 de agosto, no Teatro Amazonas.

O espetáculo de balé clássico, intitulado “Marcelo Mourão Gomes no Teatro Amazonas” envolve balés como “Apollo”, “Tristesse”, “Toccare”, entre outros. No palco, serão nove dançarinos solistas. “Tenho também duas primeiras bailarinas que estão vindo pela primeira vez a Manaus. Elas são as melhores no mundo inteiro. Então eu quis os melhores para vir dançar comigo”, declara ele.



Durante coletiva de imprensa na capital ontem, o bailarino aproveitou para notar a performance dos bailarinos de Parintins na abertura das Olimpíadas 2016. “Achei eles bárbaros, muito bons. Foi uma surpresa para mim quando falaram que eram bailarinos de Parintins. Não soube antes, soube na hora mesmo. Engraçado porque eu estava fazendo ao mesmo tempo um novo balé para o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, chamado ‘Trilogia Amazônica’, baseado no boi de Parintins. Foi muito interessante essa conexão com as Olimpíadas, que eu nem estava pensando que ia acontecer”, destaca ele.

Amazônia inspirada

Marcelo também está em cartaz no Teatro Municipal do Rio de Janeiro com o tal espetáculo “Trilogia Amazônica” – ele é o compositor da coreografia “Alvorecer”, que tem inspiração no boi bumbá de Parintins. “Foi interessante porque quando me deram esse dever de usar só Villa Lobos, ao ouvir a música quis fazer um tema da Amazônia, mas não quis usar o tema que todo mundo usa, que é a preservação da natureza”, diz ele.

“Claro que isso é importante, mas uma lenda folclórica como o boi-bumbá, que criada no Nordeste chegou ao Norte, teve uma grande influência, porque meus pais sempre falavam sobre boi, mas eu era pequeno demais para entender”, complementa Mourão. Marcelo destaca ainda que teve que pesquisar tudo novamente para contar a história de itens como sinhazinha, cunhã-poranga, pajé e do próprio boi. Ele explica que somente a coreografia foi inspirada no boi-bumbá, e que a música de Villa Lobos embalou todo o processo. E que não descarta, um dia, compor alguma coreografia que misture efetivamente a toada bumbá ao balé.

O piano

Uma das novidades do espetáculo de Marcelo a ser apresentado em Manaus é a participação da Orquestra Amazonas Filarmônica na obra. O maestro da orquestra, Marcelo de Jesus, anunciou então a façanha do “piano a quatro mãos”. “Isso será uma novidade, porque esses estudos de Chopin que Marcelo selecionou para essa coreografia são originalmente escritos para serem executados a duas mãos. Eu queria propor a ele que mostrássemos um outro jeito de fazer a mesma música, porque aí viraria uma contribuição artística”, detalha ele.

Conforme o maestro, Mourão aceitou a proposta. De Jesus então vai tocar piano com a pianista Irina Kazak. “O que a gente vai fazer é que eu e Irina vamos tocar os estudos de Chopin a quatro mãos. Para o público, o que vai ser percebido é que a sonoridade do piano vai ser muito maior, quase soando como uma orquestra, mais do que se fosse só uma pessoa tocando. No fim, vamos usar dois pianos. Só que um para uma coreografia, outro para outra coreografia. E nessa segunda coreografia, que será só com a obra de Chopin, a gente vai tocar ao mesmo tempo. Serão duas pessoas no mesmo piano”, pondera.


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