Sábado, 14 de Dezembro de 2019
LEITURA OBRIGATÓRIA

Literatura: Mário de Andrade como você nunca leu antes

Romances ‘Amar, verbo intransitivo’ e ‘Macunaíma’ ganham mais vida e cores com versões inéditas em quadrinhos



CLASSICOS_PORTAL.jpg Obras modernistas do escritor paulistano foram adaptadas e transformadas em HQs
18/04/2017 às 05:00

Um dos pioneiros da poesia moderna brasileira, Mário de Andrade deixou um legado de 30 livros — parte deles, publicados somente após a morte do poeta, em 1945. As obras do paulista estão na lista de leitura indispensável de todas as escolas do Brasil, entre elas, “Amar verbo intransitivo” e “Macunaíma”. Ambas acabam de ganhar novas versões, adaptadas para histórias em quadrinhos, pela editora Ática.

“É um grande privilégio fazer ‘parceria’ com Mário de Andrade. Ainda mais, se tratando desse livro, que gosto muito. Mário só escreveu esses dois romances. Macunaíma é o mais famoso e adaptado. Mas tenho preferência por ‘Amar...’ e fiquei feliz quando a editora topou”, disse o escritor Ivan Jaf, que já publicou mais de 60 livros e foi o responsável pela adaptação do texto de “Amar, verbo intransitivo”.



Os títulos compõem a série “Clássicos Brasileiros em HQ,”, que completa 10 anos em 2017. Já são 13 publicações de grandes nomes da literatura, como “O guarani”, de José de Alencar, e Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Na opinião de Jaf, a adaptação para HQs tem o ônus quando se trata de descrições de paisagem. Por outro lado, ganha vida de uma maneira diferente e mais colorida.

“Na adaptação para quadrinhos perde-se muito do estilo do autor, vira uma simples paisagem em um quadrinho, no fundo de uma ação. Por outro lado, se ganha na revelação do núcleo narrativo: a essência da história pode ser colocada em evidência. No caso de ‘Amar...’ precisei cortar um pouco as digressões, que são inviáveis como imagens. Mas pude valorizar a linguagem cinematográfica e pictórica de Mário de Andrade”, ressalta.

Incentivo

No início de abril, o Instituto Pró-Livro (IPL) lançou uma plataforma que mapeia ações de incentivo à leitura no Brasil. Atualmente, a média de livros lidos por espontânea vontade no País é de apenas 2,5% (inteiro ou em partes) por pessoa. Para Ivan Jaf, quadrinhos atraem leitores de todas as idades pela beleza gráfica. Entretanto, diz não escrever “pensando nisso” e que livros da moda passam, enquanto clássicos ultrapassam gerações.

“As obras de arte têm vida própria e fazem seus próprios admiradores. Ferreira Gullar dizia que o artista deve parar de criticar as obras ruins e fazer as boas. A moda passa. Estamos falando de um livro escrito há quase cem anos, que ainda desperta interesse a ponto de ser adaptado para quadrinhos. Sim, isso é um incentivo à leitura, mas sinto que o próprio clássico nos instiga a passá-lo adiante”, destaca.

Para o escritor carioca, os clássicos e autores importantes mais recentes devem ser lidos nas escolas, porque fazem parte do “estudo da nossa literatura”. Ele lamenta que muitos alunos reclamem de ler “O Guarani”, por exemplo, mas acham normal estudar equações de segundo grau. “É preciso estudar. E, conhecer a literatura do seu País, é tão importante quanto saber a tabela periódica”, finaliza.

Coleção

A série “Clássicos Brasileiros em HQ” foi lançada em 2007, pela Editora Ática. As obras são criadas por um time de artistas: Marcello Quintanilha, Rodrigo Rosa, Guazzelli, Shiko, Ivan Jaf, César Lobo, Luiz Antonio Aguiar, Rodolfo Zalla, Luiz Gê etc. Este ano, a coleção completa 13 títulos publicados, com os lançamentos “Macunaíma” e “Amar, verbo intransitivo”. Com roteiro e arte do artista Rodrigo Rosa, a adaptação de “Macunaíma” teve o tom bem-humorado e fantástico mantidos.  Ao final da história em quadrinhos, o leitor encontra informações e curiosidades sobre a época em que a história se passa, além de um making of do roteiro e das ilustrações. Abaixo, todos os títulos já públicados da série:

O guarani - Luiz Gê (arte), Ivan Jaf (roteiro) e José de Alencar (original), 2007

O alienista - Cesar Lobo (arte), Luiz Antonio Aguiar (roteiro) e Machado de Assis (original), 2007

O cortiço - Rodrigo Rosa (arte), Ivan Jaf (roteiro) e Aluísio Azevedo (original), 2008

Triste fim de Policarpo Quaresma - Cesar Lobo (arte), Luiz Antonio Aguiar (roteiro) e Lima Barreto (original), 2008

A escrava Isaura, Guazzelli (arte) - Ivan Jaf (roteiro) e Bernardo Guimarães (original), 2009

Memórias de um sargento de milícias - Rodrigo Rosa (arte), Ivan Jaf (roteiro) e Manuel Antônio de Almeida (original), 2009

Noite na taverna - Arthur Garcia, Franco de Rosa, Rodolfo Zalla, Rubens Cordeiro, Sebastião Seabra, Walmir Amaral (arte), Reinaldo Seriacopi (roteiro) e Álvares de Azevedo (original), 2011

Dom Casmurro - Rodrigo Rosa (arte), Ivan Jaf (roteiro) e Machado de Assis (original), 2012

O Quinze - Shiko (arte e roteiro) e Rachel de Queiroz (original), 2012

O ateneu - Marcello Quintanilha (arte e roteiro) e Raul Pompeia (original), 2012

Memórias póstumas de Brás Cubas - Cesar Lobo (arte), Luiz Antonio Aguiar (roteiro) e Machado de Assis (original), 2013

Amar, verbo intransitivo - Guazzelli (arte), Ivan Jaf (roteiro) e Mário de Andrade (original), 2017

Macunaíma - Rodrigo Rosa (arte e roteiro) e Mário de Andrade (original), 2017


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