Quarta-feira, 26 de Junho de 2019
Vida

Maurício de Souza fala sobre a 'baixinha cinquentona'

Em Manaus para lançamento do projeto "Gibi na Escola", da Semed, o autor fala sobre sua mais famosa personagem de "Turma da Mônica"



1.jpg Mauricio de Sousa fez questão de conhecer o Rio Negro e o Teatro Amazonas durante sua passagem por Manaus
24/09/2013 às 20:34

Este ano, a personagem mais famosa dos quadrinhos brasileiros completa 50 anos. Conhecida como baixinha, dentuça ou dona da rua do bairro Limoeiro, Mônica conquistou várias gerações com seu coelhinho azul encardido e, além de brilhar nos gibis, conseguiu espaço no cinema, na TV e na internet.

Por trás de todo esse sucesso está o cartunista Mauricio de Sousa. De passagem por Manaus para lançar o projeto da prefeitura “Quadrinho na Escola”, o paulista conversou com o ACRÍTICA.COM sobre o meio século da baixinha mais querida do Brasil e já foi logo explicando o que a faz tão famosa: “todo mundo tem um pouco de Mônica, assim como todo mundo tem um pouco de cada personagem da turma. Essa identificação faz com que se crie um carinho, uma afinidade”, declarou.

A personagem, inspirada na filha homônima de Mauricio, surgiu em uma tirinha do Cebolinha, no dia 3 de março de 1963. Ao longo dos anos, a baixinha foi ganhando destaque nos quadrinhos de jornal, até que em 1970, foi lançada a primeira revistinha, já com o nome “Turma da Mônica”.

Com o passar do tempo, a turminha ganhou filmes, desenhos animados e até uma versão adolescente, com os quadrinhos “Turma da Mônica Jovem”, fazendo de Mauricio um dos homens mais admirados e respeitados do País.

Aos 77 anos - e ainda com energia o suficiente para fazer questão de subir a pequena escada que leva até a cúpula do Teatro Amazonas - o cartunista afirmou que seu maior desejo é que seus personagens não sejam esquecidos e que novos desafios venham para a turminha, já que está longe de se sentir realizado profissionalmente. “Lógico que não estou realizado! Sempre, a cada dia, acordo, abro os olhos e falo: agora eu podia fazer isso, e agora tá na hora de inventar aquilo. Na nossa atividade não deve haver um dia igual ao outro, deve sempre ter um momento de criação, de criatividade, teimosia, sonho e a gente vai em frente vivendo a vida”.

Conquistas e futuro

Usuário assíduo de redes sociais como Twitter e Instagram, Mauricio de Sousa procura sempre estar antenado com as tecnologias e usa isso a favor dos seus negócios. “É preciso sempre focar no que as pessoas estão usando, no que elas estão fazendo, para saber o que elas querem”.

Como resultado, nesses 50 anos, mais de um bilhão de revistas da turma da Mônica foram publicadas em 120 países e foram criados cerca de três mil produtos licenciados. Anualmente, todas as atividades relacionadas às criações dele movimentam US$ 2 bilhões e empregam 30 mil pessoas direta e indiretamente.

Procurando espaço para a turminha nas outras mídias, o cartunista conseguiu que os filmes e desenhos animados baseados nos quadrinhos conquistassem horário fixo no canal pago Cartoon Network e também na TV aberta.

Além disso, esse ano foi criado um canal no Youtube com pequenas animações chamadas “Toy Mônica”, que mostram os personagens com uma aparência mais “fofa” que a tradicional, vivendo pequenas aventuras. “Os desenhos não possuem falas, por isso estão em uma linguagem universal, qualquer um pode entender”, explica Mauricio.

Para o futuro, Mauricio quer implantar vários parques temáticos da turma pelo mundo, produzir mais filmes usando novas tecnologias (como o do Horácio, que é todo em animação digital), e entrar no setor educacional, com projetos como o “Quadrinho na escola”, de Manaus, e outro semelhante que participa na China.

Mesmos personagens, novos públicos

Em 2008, foi a lançada a “Turma da Mônica jovem”, uma nova série com os famosos personagens na adolescência, com traços que lembram os mangás – histórias em quadrinhos orientais. Logo em sua primeira edição, a novidade bateu o recorde como uma das revistas em quadrinhos mais vendidas no século 21, com 405 mil exemplares.

Todo o sucesso, segundo Mauricio, se deve ao fato das novas histórias atraírem novos públicos, “aqueles que consideram os gibis tradicionais coisa de criança”.

Seguindo essa mesma linha, mas dessa vez focando no público adulto e consumidor de histórias em quadrinhos, a Mauricio de Sousa Produções está produzindo graphic novels com o selo Graphic MSP. No projeto, são selecionados ilustradores e roteiristas para criar histórias diferentes para determinado personagem. Já foram lançadas HQs inspiradas no Astronauta ( (“Astronauta Magnetar”, de Danilo Beyruth), na Turma da Mônica (“Laços” - dos irmãos Vitor e Lu Caffagi) e no Chico Bento (“Chico Bento: Pavor Espaciar”, de Gustavo Duarte).

Até novembro deste ano, uma nova HQ deve ser lançada, deve vez inspirada no Piteco e desenhada e escrita por Shiko.


Curiosidades

Logo quando foram criados, os personagens possuíam mais detalhes e mais fios de cabelo. Eles foram reduzidos com o passar do tempo para agilizar o processo de criação e finalização das tirinhas. “A Mônica e o Cebolinha possuíam vários fios de cabelo, mas demorava muito pra desenhar tudo, e eles foram diminuindo até ficarem assim”, explica Mauricio.

Além da Mônica, outros personagens também foram inspirados em filhos de Mauricio. São eles: Magali, Maria Cebolinha, Marina, Nimbus e Do Contra. Segundo Mauricio, até o final de 2013 deve surgir um novo personagem inspirado em seu filho mais novo. “Meu filho Marcelo tem mania de economia e gosta de gastar conscientemente. Estou trabalhando em um personagem que vai ser mais menos assim: Marcelinho, o econômico”, adiantou.

Três perguntas

Há 50 anos, você imaginava que a personagem baixinha e dentuça ia conquistar tudo isso que conquistou?

Não sou vidente e não tinha condições de há muitos anos, no começo da carreira, imaginar que a Turma da Mônica teria essa amplitude, mas eu queria fazer tudo isso que estou fazendo, foi tudo planejado. O sucesso a gente não planeja, vem. Porém, você consegue realizar uma coisa, se preparar pra isso, isso é possível de se fazer e isso eu fiz. Eu queria fazer cinema, teatro, televisão, histórias em quadrinhos, livros, ilustrações, parques temáticos, isso tudo estava no meu plano e está dando certo.

Qual o momento que mais te emocionou ao longo desses 50 anos da baixinha?

O próximo. Quando mais alguém vier e falar “eu gosto da turma da Mônica porque meu avô, meu pai, comprava gibi pra mim todo mês”. Sempre tem um momento sensível, porque a gente de certa maneira misturou a nossa criação com a vida de milhões de brasileiros. Então eu não sei qual será o momento mais sensível, mais emocionante, mas cada um que chega me emociona mais. Hoje mesmo, uma mocinha chamada Mônica chegou comigo no hotel e disse “olha, adoro a turma da Mônica e, em todo aniversário a minha irmã canta a música da turma pra mim, porque meu nome é Mônica também”. Então acho que essa proximidade dos personagens com o público, por brasileiro principalmente, é a coisa mais emocionante e legal que tem.

Em 2011, você publicou no seu Twitter pessoal que queria fazer um parque temático da Mônica aqui. Esse plano ainda existe?

Ainda há o plano de fazer um Parque da Mônica aqui, mas a gente esbarra num pequeno problema que é: qualquer parque temático hoje precisa de brinquedos, e esses brinquedos geralmente são caros por causa dos impostos de importação. Então, mesmo que tenham investidores, parceiros que queiram investir, a conta não fecha. Enquanto o governo não flexibilizar impostos e taxas para material desse tipo, nós estamos praticamente impedidos de criar ou desenvolver parques temáticos aqui. A hora que houver essa flexibilização, em um ano a gente inunda o Brasil de parques temáticos para atender ao turismo internacional e, principalmente para a possibilidade de fazer parques temáticos brasileiros, com cores brasileiras, temas brasileiros, isso não depende de mim, depende realmente de uma política governamental.



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