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‘Me descobri e me vi bem gostosa!’, afirma autora que lança livro sobre experiências sexuais

O livro acompanha a escritora em encontros com 32 homens, cada um deles representando um ano que passou ao lado do ex-marido 26/10/2015 às 08:37
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Isabel Dias recentemente lançou o livro em São Paulo... e três de seus "personagens" apareceram, segundo ela
Lucas Jardim Manaus (AM)

Uma traição, um divórcio e 32 homens. Poderia ser o anúncio de uma novela, mas foi o que aconteceu na vida de Isabel Dias, autora do livro “32: Um Homem para Cada Ano Que Passei com Você”.

Lançado neste mês em um evento em São Paulo, “32” marca a estreia da administradora no mercado literário e tem uma proposta um tanto quanto autoexplicativa: através de curtos relatos, ele segue a autora em encontros sexuais com 32 homens dos mais variados trejeitos e backgrounds, cada um deles representando um ano que passou ao lado do ex-marido.

Terapia

O desmanche da vida em comum, colocado em ação por conta de traições, gerou todo o desgaste emocional previsível, ela contou ao BEM VIVER TV, e ela acabou achando na escrita um porto seguro.

“Escrever foi uma forma de terapia. Eu precisava me lembrar dos bons momentos que vivia para tentar entender aquela tristeza, a depressão, a falta de auto estima, que foi motivada pelo desmonte da vida que eu imaginava viver”, relembrou.

De pouquinho em pouquinho, seus relatos foram se acumulando e um livro surgiu... mas não que ela soubesse. Ele credita um de seus filhos com o “insight” de publicar suas histórias, o que ela começou ao fazer aos poucos através de seu blog trintaedois.com.

À menção dos filhos, ela menciona quão importante o apoio deles foi durante todo o processo de “32”. Afinal, vale ressaltar: o livro é até dedicado a eles. “Ao tomarem conhecimento, meus filhos passaram a me enxergar como uma pessoa, como uma mulher, além de ser a mãe deles. Somos todos adultos, e o entendimento deles foi o que me motivou a aventar a possibilidade da publicação. Respeito é fundamental em todos os relacionamentos e cada um tem sua vida e sua liberdade”, disse a escritora, sem titubear.

Ficção e realidade

Essa liberdade está impressa nas páginas que, segundo a autora, são tão reais quanto foi possível. “A realidade foi descrita através das conversas e dos encontros com os homens descritos. A ficção é usada para preservar a real identidade de todos os envolvidos já que nunca foi minha intenção se apossar da vida deles”, explicou Isabel.

Respeitando sua proposta, ela diz que os nomes de todos os homens foram alterados, mas reitera que os relatos em si são todos verdadeiros e falam de experiências suas.

Os 'personagens'

A autora contou que alguns de seus “personagens” chegaram a lhe abordar de forma positiva sobre o projeto do livro. “Recebi mensagens bem carinhosas. Todos adoraram ser personagens da minha reconstrução. Só um, até agora, se queixou que troquei o nome dele por um pseudônimo! Queria ser reconhecido com o seu nome real”, comentou.

E engana-se quem pensa que o “feedback” foi todo por mensagem: “Como já saiu na mídia, ao menos três foram no evento de lançamento, que aconteceu neste mês em São Paulo”, concluiu a administradora.

Prazer

Isabel acredita que nem o prazer nem a mulher tem data de validade. “Ainda hoje, e principalmente na minha geração, o homem pode tudo. A mulher, mais velha, tem que ‘se preservar’. [Ora],  se o homem pode buscar recursos para ter prazer, porque nós temos que nos limitar a ver novela e fazer crochê?”, argumentou. 

Para ela, “o prazer é direito de todos e o sexo continua sendo fundamental para a qualidade de vida. O que a mulher precisa é ser socialmente ser aceita como um ser humano cheia de necessidades, independente da sua idade”.

É digno de nota que, enquanto o livro tenha um tom sensual, ele não é explícito. “Entendo que eu não fiz uma descrição anatômica. Para mim, mais importante que a descrição anatômica e fisiológica, eram as sensações. Afinal, carrego uma série de imperfeições do tempo, mas, aprendi a adorar me ver no espelho! O papo depois pode ser muito melhor que o contato físico em si, a transa, no encontro. Me descobri e me vi bem gostosa!! [risos]”, confessou.

Feminismo

Perguntada sobre se seu livro se encaixa numa narrativa feminista, Isabel afirma que sim, de certa forma. “Enxergo como uma experiência que mostra a mulher madura dona dos seus desejos, do seu prazer, usando ferramentas que nos facilitam os contatos. Se isso for feminismo, então sim”, ponderou a autora.

Segundo ela, a defesa do desejo não precisa necessariamente envolver a defesa de ter sexo. “Tem que fazer algo que te dê prazer, que te transforme, que te permita reviver”, disse.

Resposta

Isabel diz se emocionar com as mensagens que recebe através do blog e do Facebook sobre como o livro alterou a vida de várias mulheres “subjugadas, traídas, dependentes até emocionalmente”. 

“[Várias delas] conseguiram dar a volta por cima e algumas ainda tentam. Não tenho a fórmula nem o conhecimento, mas posso dizer, pela minha experiência, que estive como elas e hoje, sou outra pessoa. Mais livre, mais leve, mais feliz ! Afinal, a vida esta aí para ser vivida”, comentou. 

Conselho e futuro

Perguntada sobre o que diria a alguém que se encontra na situação em que se encontrava, ela fala diretamente: “Tem tanta vida aqui fora! Nada pode ser pior que abrir mão de viver, de ser feliz, por outra pessoa. Ninguém merece se anular por quem quer que seja”, declarou. 

E quanto ao futuro, ela deixa clara a intenção de continuar na literatura. “Tenho falado para plateias de pessoas maduras. Escrever é um vicio, e tenho aproveitado para registrar toda essa gama de emoções que as mulheres maduras carregam” finalizou a autora.

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