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Medicina Personalizada: nova prática médica propõe melhores tratamentos

Conceito propõe a personalização dos serviços de saúde a partir do mapeamento dos genes de cada indivíduo com o objetivo de previnir doenças 06/06/2015 às 19:41
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A análise do DNA é feita por meio da amostra de saliva
Jéssica Amorim Manaus (AM)

Quem não já passou pela situação de ter algum problema de saúde diagnosticado e os medicamentos prescritos para tal não terem o resultado esperado? Agora imagine a possibilidade de ter à sua disposição medicamentos desenvolvidos especificamente para seu tratamento, o que evitaria qualquer mal-estar.

Uma nova prática médica, conhecida como “medicina personalizada”, propõe a personalização dos serviços de saúde a partir do mapeamento dos genes de cada indivíduo com o objetivo de prever e prevenir doenças, contribuindo para um tratamento específico, muito mais eficaz e sem efeitos colaterais. Tudo isso por meio de uma amostra de saliva.

Segundo o endocrinologista Dr. Filippo Pedrinola, a medicina personalizada surgiu a partir do sequenciamento do genoma humano. “Por ter conseguido desvendar o genoma, hoje em dia é possível fazer pesquisas nesses genes para se detectar basicamente uma tendência ou uma predisposição a algum tipo de doença e dessa forma prevenir e tratar de forma adequada para cada pessoa”, conta.

O conceito é novo, mas vem ganhando cada vez mais espaço em instituições de saúde pelo mundo todo pela importância desse avanço para medicina. “Até o momento os médicos correm o risco na indicação de medicamentos, pois uma doença atinge cada pessoa de forma diferente”, explica o endocrinologista.

Ele afirma que o exemplo mais clássico desse risco são as estatinas, substâncias utilizadas para tratar altos níveis de colesterol. “É a mais recomendada, mas 15% dos usuários têm probabilidade de ter reações bem ruins a esse medicamento”, diz.

Que doenças?

Pedrinola conta que as análises feitas na medicina personalizada viabilizam, por exemplo, a descoberta de intolerância a algum tipo de alimento ou a deficiência de algum nutriente no organismo, o que permite traçar um perfil nutricional. Além de ser possível também desenhar um perfil da disposição física, entendendo se é melhor para o paciente realizar atividades de resistência ou aeróbicas.

“Também dá para analisar um perfil para risco cardíaco, quem tem maior ou menor risco para doenças cardiovasculares”, diz e acrescenta, “Tem que entender que para doença se manifestar é preciso da interação desses genes com agentes externos. A manifestação não é só pela genética, mas o estilo de vida e o ambiente que a pessoa vive”.

No Brasil

No País já existe alguns laboratórios que realizam este processo. Inclusive o Hospital Israelita Albert Einstein, localizado em São Paulo comprou, em 2008, o seqüenciador de genoma de última geração, o “Solid”, que, segundo Pedrinola, consegue seqüenciar todos os genes em uma semana.

“Isso é incrível, porque esta impressão digital, com um laudo de ciquenta e cinco páginas, torna possível dirigir o paciente num estilo de vida adequado para evitar problemas futuros”, conta o doutor e também explica que este laudo deve ser analisado de forma atenciosa, porque seu resultado provém de combinações e da interpretação que é feita dele.

Cuidados

Não há contraindicação para esse procedimento, mas Pedrinola explica que pode ser um problema mais por questões jurídicas.

“Se é descoberto pelos genes, por exemplo, que é possível que a pessoa tenha uma tendência a desenvolver Alzheimer ou mesmo câncer, se esses dados se tornam públicos, seria um problema, por exemplo, se ela for contratada por uma empresa”, destaca.

Para ele, é necessário haver normas claras sobre o que fazer com esses dados, mantendo a confidencialidade dos pacientes.

Outra coisa que Pedrinola considera importante saber é que a medicina personalizada já evoluiu muito, mas não é uma Panacéia, ou seja, a solução para todos os problemas. “É preciso lembrar que a genética interage com o meio ambiente. Tem gente que tem genes bons, mas hábitos de vida muito ruins e pessoas com hábitos de vida muito bons e genes ruins, isso influencia. A medicina personalizada é uma ferramenta a mais e ainda avançará de acordo com os estudos”, finaliza.

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Microbioma

Outra coisa que se estuda bastante é o microbioma, que é a somatória do DNA das bactérias do nosso corpo com o DNA das nossas células. Segundo Pedrinola, as bactérias estão presentes em nosso tubo digestivo e na nossa pele, pesando um quilo e meio ou dois quilos, equivalente ao peso do cérebro humano. Esse campo novo dirige seus estudos com o objetivo de manipular a flora intestinal, sendo possível no futuro, por exemplo, combater mais facilmente problemas como a obesidade.

Saiba +

Simpósio

Neste ano acontecerá o II Simpósio Internacional de Medicina Personalizada, no Hospital Israelista Albert Einstein. O evento, que acontecerá entre os dias 6 e 8 de agosto, visa debater o tema e suas relações com Psiquiatria, Neurologia, Oncologia e Farmacogenômica.

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