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Membro da banda Alderia, músico Diego Souza lança projeto-solo chamado "Viis"

Disco do amazonense se chama "Canções de Bad" e está disponível no Youtube, Spotify, Google Play e iTunes 23/05/2017 às 15:47 - Atualizado em 23/05/2017 às 16:08
Show diego
(Foto: Roger Lima/Divulgação)
Laynna Feitoza Manaus (AM)

Quando decidiu gravar um disco solo, o músico Diego Souza não quis fazê-lo sob o seu próprio nome. “Porque ele é comum e chato, ninguém iria se interessar em ouvir um disco por alguém chamado Diego Souza”, comenta ele, cuja variação do seu segundo nome, Vitor, batizou o seu primeiro projeto solo, chamado “Viis”. Membro da banda amazonense Alderia, o artista lançou recentemente o disco “Canções de Bad”, disponível no Spotify, iTunes, Google Play e Youtube via Sagitta Records.

Flertando com o pop e linhas eletrônicas, o álbum de sete faixas – com estética melancólica e lúdica - retrata um período da vida de Diego em que a música precisou atuar de forma psicoterapêutica, para fazer florescer na arte o alento para a dor que vinha sentindo. Em 2016, o artista perdeu um familiar, terminou um longo namoro e sofreu com os efeitos colaterais dos antidepressivos que ingeria, o que lhe despertou a urgência de trabalhar em um disco que o amparasse.

“Do fim do ano passado para cá muitas coisas dolorosas aconteceram na minha vida. Esse disco é uma forma de psicoterapia sem ter que gastar dinheiro. Foi um projeto solitário de exorcização de demônios. Foi algo que eu senti que precisava fazer sem ninguém junto, só eu falando dos meus problemas”, assegura ele, que gravou o disco inteiro no seu quarto. A produção, gravação e masterização do álbum foi toda feita por Diego.

“A mixagem ficou por conta do Viktor Judah, que é meu colega de banda na Alderia. Todas as músicas são minhas e todas as vozes também”, pondera ele, lembrando que a roupagem eletrônica do disco veio como uma forma de produzir rápido e sem grana. “Só me bastou um laptop pra conseguir criar tudo. Se tivesse envolvido instrumentos orgânicos teria custado mais tempo e dinheiro. Mas eu queria que fosse rápido, até porque ninguém merece ficar regravando cem vezes as letras que falam do seu próprio sofrimento (risos)”, coloca ele.

Das músicas mais memoráveis do álbum está “Uriel”, composta por Diego em homenagem ao seu amigo Uriel Rebelo. “Eu escrevi essa música no dia em que o avô dele morreu e ele estava se sentindo muito mal. Eu queria falar com ele e consolá-lo de alguma forma, mas não conseguia só com as palavras, daí escrevi a canção. A letra diz ‘Nada do que eu te disser agora vai mudar algo do que ocorreu, mas basta que você veja que a minha forma de estender a mão é através dessa canção’”, pondera ele.

Desafios

Para Diego, todas as músicas tiveram o mesmo nível de dificuldade em termos de arranjo e finalização. Mas uma em especial teve o processo mais diferente de todos, que foi a música em inglês “I Wrote This Song In English”. “Eu fiz uma base instrumental sem ter a mínima ideia de como seria cantado. Daí escrevi a letra de forma totalmente separada do instrumental e cantei inventando a melodia na hora que estava gravando em definitivo. Eu só cantei essa música uma vez na vida, que foi na hora de gravar”, afirma Souza.

Sobre a música mais difícil emocionalmente, o músico cita “Ontem Eu Chorei Até Dormir”. “Porque ela fala de um dilema muito pesado pelo qual eu estava passando na época, e de certa forma ainda estou. O dilema é: o que faz uma pessoa ser boa ou má? Eu magoei alguns amigos de forma não intencional e isso ficou na minha cabeça. Qual é a diferença entre uma pessoa que magoa alguém sem querer e outra pessoa que magoa de forma mal intencionada? No final das contas não importa muito a intenção, o que importa é que existe a mágoa”, descreve Diego.

Saiba +

Diego pretende levar o projeto solo adiante. “Já estou articulando um show solo nas próximas semanas, mas nada fechado ainda”, conta ele, que compôs o disco inspirado por artistas que usaram a música como forma de terapia, a exemplo de John Lennon, Leonard Cohen e Sufjan Stevens.

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